Estudos científicos já comprovaram que as amizades aumentam a nossa longevidade. Isso mesmo: quando estás a rir com os teus colegas estás também a ganhar mais tempo aqui neste planeta. Tempo esse para gargalhar um bocado mais ou dançar ou viajar. Enfim, literalmente qualquer coisa que não torne estes bónus amargos, como discutir assuntos polémicos.

Nós, a geração que expande a esperança de vida até virtualmente, conseguimos recuperar de discussões sobre política e religião. Sabemos até debater o quão bom é Nickelback sem que isso rompa com o grupo de amigos. No máximo, uns tentam defender que a banda canadiana foi a melhor dos anos 90, outros divertem-se com essa ideia e, no final, todos cantam ‘Photograph’ ou ‘Rockstar’, dependendo do quão harmonioso sejam os nossos colegas.

Companheirismo nasce de uma expectativa de que a pessoa com quem somos simpáticos vai retribuí-lo. Relacionamentos, porém, requerem mais. É mais fácil ser camarada de alguém que vai querer fazer as mesmas coisas ao ponto de parecerem que foram criados juntos. Diferenças afastam-nos inclusive de “rituais” que supostamente deveriam nos aproximar. Quem nunca deixou de ir a uma festa porque ia ficar lá sozinho que atire a primeira pedra.

Foto por: Michelle Coelho

A verdade é que com o tempo a humanidade aprendeu algo óbvio até sem que a ciência nos diga: há diversidade. Que chocante! Se respeitar dois géneros de maneira igualitária já é difícil, imagina as milhares de etnias e religiões que existem mundo fora? Demos alguns séculos, porém, para que possam arrumar todas estas ideias muito progressivas. Uma pequena cábula para vocês: é ok ser diferente, até gostar de Nickelback.

Na mesma semana em que um juiz – sim, o Neto de Moura – justificou a violência contra uma mulher com argumentos bíblicos, celebrou-se o Dia da Mulher e as várias conquistas que temos feito. No clima de celebração, os partidos declararam que vão considerar punir mais firmemente crimes de violência doméstica – que são maioritariamente cometidos contra mulheres. Agora vai, moças! Ciência, apenas para esclarecer: isso também aumenta a nossa esperança de vida? E a qualidade?

O teu círculo de amigos pode não ser tão diverso assim. Talvez tu e todos os teus colegas tenham passado o fevereiro inteiro a cantar ‘Shallow’ ou a criticar ‘Telemóveis’. Mas, fora dessa bolha que nós construímos, há uma infinidade de coisas que desconhecemos e que não deixam de ser válidas ou dignas por isso. Como o meu avô costuma dizer: “Com o que não sabemos dá para encher dez bibliotecas.”

A dica é, portanto, ser um pouquinho menos azedo para com o mundo. Se não for por boa educação e simpatia, que seja pela sobrevivência. Ganhar um tempinho para ires a Paris, mais uns anos de NOS Alive. Quem sabe dê para viver até ver a sociedade ser mais inclusiva e justa. De acordo com experiências de vida de todo mundo que não é padrãozinho, a forma mais fácil de conseguir esse último objetivo é fazer amizade com meio mundo e expandir a sua vida em meio milênio. A esperança é que, neste dito futuro, privilegiados aprendam – quiçá sejam companheiros.  

Artigo revisto por Liliana Pedro

Artigos recentes

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *