Música

Entrevista aos Best Youth

Algum tempo depois de ter escrito um artigo sobre os Best Youth, surgiu a oportunidade de os entrevistar. Prestes a lançar o seu primeiro LP – no dia 31 de Março-, Ed Rocha Gonçalves e Catarina Salinas demonstram-se confiantes perante o trabalho que desenlvolveram neste seu último projeto. Até o podermos ouvir, deixo-vos com as respostas que nos permitem saber um pouco mais sobre a banda do Porto.

 

Como surgiram os Best Youth?

Já somos amigos há muitos anos; chegamos até a ter uma banda juntos. Em 2011, eu estava a tentar acabar um disco a solo e liguei à Catarina para cantar numas músicas.  A coisa correu tão bem que decidimos começar algo novo os dois.

Que artistas influenciam/influenciaram a vossa sonoridade?   

É sempre difícil responder a isso porque, no fundo, acabamos sempre por ser influenciados por tudo aquilo que ouvimos e de que gostamos. Neste disco especificamente quisemos que os sintetizadores tivessem um papel mais presente, e que o disco fosse um bocado mais electrónico. Por isso, ultimamente andamos a ouvir discos mais electrónicos, com produção moderna…  Jon Hopkins, cenas da DFA, Moderat, Simian Mobile Disco, Metronomy, FKA Twigs, XX,  The Dø, James Blake…  mas a nossa sonoridade é sempre influenciada por tudo o que está para trás que ouvimos ao longo da vida: muito rock no meu caso; soul, blues e algum Jazz no caso da Catarina. E pop, claro, nesse campo temos todos os guilty pleasures possíveis e imaginaveis.

Sempre quiseram fazer algo relacionado com a música?  

Começámos ambos a ter um interesse por música relativamente cedo, eu aos 11 com aulas de guitarra e a Catarina a cantar no chuveiro às escondidas. Acho que nessa altura, de uma forma ou de outra, percebemos que era algo que queriamos mesmo fazer.

 

Quais são as consequências de serem só dois?   

Sermos só dois tem muitas vantagens: é muito mais fácil tomar decisões, é mais barato viajar e é muito mais fácil arranjar mesa em restaurantes!

Como têm sido as críticas ao vosso mais recente single, “Red Diamond”?  

A música tem sido muito bem recebida; a sonoridade é um bocado diferente do que fizemos até agora, por isso é fixe ver que a reação é positiva e, principalmente, que se sente essa diferença.

Qual é a data de lançamento do novo álbum?  

Vamos revelar o dia exato no nosso site muito em breve, mas podemos dizer que não passa de Março.

Foram bem acolhidos pelo público com o lançamento de single como “Still Your Girl”. Porquê só lançar o álbum agora?  

Bom, muito resumidamente, no fundo nós acabámos por gravar dois discos entre o lançamento da Still your girl e agora. As músicas que iam fazer parte do nosso disco começaram a ser compostas na altura do lançamento do nosso primeiro EP. O EP acabou por ter um impacto muito maior do que alguma vez esperámos e andamos a tocá-lo durante bastante tempo, sendo que logo a seguir arrancámos com o disco de There Must be a Place (que já levou 2 temas novos). Quando a Still your girl saiu, já tinhamos o disco quase todo composto, mas acabámos por sentir que já não era bem aquilo que queriamos… a juntar a esse factor o lançamento que estava planeado acabou por não acontecer e isso tudo junto levou a que optássemos por fazer um disco todo do zero.

 

O novo álbum terá temas exclusivamente novos ou podemos contar com músicas já conhecidas pelo público?  

Tirando a Red Diamond, todas as outras músicas apenas foram ouvidas em concertos ao longo do último ano.

Já trabalharam com outros artistas (Moullinex, We Trust) no passado. Neste álbum poderemos ouvir colaborações?  

Adorámos tanto uma colaboração como a outra, e chegámos a pensar em ter um ou outro convidado no disco. Mas, como este é oficialmente o nosso primeiro LP, quisemos antes lançar uma coisa mais íntima, mais nossa. Mas, no futuro, seguramente vamos ter mais colaborações, a experiência foi mesmo positiva.

Mantiveram-se, na vossa opinião, fiéis àquilo que são os Best Youth na criação deste álbum?  

Sim, isso é sempre a motivação e o objectivo maior para que caminhamos em cada disco – eu diria até em cada música: definirmos o nosso som, o nosso lugar. Esse processo, essa viagem é a parte mais interessante do ponto de vista criativo. Nunca seriamos capazes de fazer música na qual não acreditássemos.

Depararam-se com muitas dificuldades no processo criativo deste álbum? Quais?  

A dificuldade maior foi a de tentar adaptar algumas músicas que já estavam compostas e com as quais não estavamos 100% satisfeitos.  Houve músicas novas que ficaram praticamente prontas numa semana, enquanto passámos meses a mexer noutras que já existiam até chegarmos onde queríamos. Na maioria dos casos, o resultado final ficou tão diferente da versão original que era como se fosse outra música…

Quais são as vossas expectativas? Acham que os fãs vão gostar?  

Sim, estamos confiantes de que quem já gostava de nós não vai ser propriamente apanhado de surpresa. Mas o melhor sinal é sempre quando, ao mesmo tempo, há pessoas a amar e pessoas a odiar. As coisas mais interessantes são sempre polarizadoras.

Podemos esperar concertos dos Best Youth este ano?  

Claro! Mal saia o disco vamos anunciar as primeiras datas. A grande novidade este ano é que vamos tentar agendar bastantes mais concertos fora de Portugal do que anteriormente.

O que acham do atual panorama musical português?

Acho que nunca esteve melhor. Hoje em dia é possível encontrar, em qualquer género musical, bandas portuguesas ao nível de qualquer banda internacional, algumas bem superiores até. Se tudo correr bem, é só uma questão de tempo até o resto do mundo se aperceber disso.

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