Música

Vitorino Voador: “posso prometer uma discografia longa”

No início do mês, escrevemos sobre o lançamento de O dia em que todos acreditaram, o primeiro disco a solo de Vitorino Voador. Esta semana, a ESCS MAGAZINE conversou com João Gil, o homem por detrás da personagem, sobre a origem do projecto, o nome e o processo de criação artística.

Vitorino-Voador

– O Vitorino Voador é o João Gil? Ou há diferenças de personalidade?

Há ligeiras diferenças de personalidade: o Vitorino Voador é ligeiramente mais corajoso do que eu em certas coisas e não pensa nas consequências dos seus próprios actos. Eu sou mais corajoso do que ele noutras coisas e preocupo-me um pouco mais do que ele com os meus actos. Mas é quando nos juntamos os dois que as coisas correm bem.

– Porquê o nome Vitorino Voador?

O nome vem de duas histórias com Diabo na Cruz. Uma delas foi logo no início da banda, num dos primeiros concertos que tivemos. Num dos cartazes espalhados pela cidade o meu nome aparecia escrito de uma forma que nunca tinha visto – João Gil Vitorino; o Barata (nosso baixista) achou piada e começou a chamar-me Vitorino (atenção, eu não tenho sequer Vitorino no meu nome completo). A segunda parte do nome herdei a meio de uma viagem com Diabo na Cruz: enquanto enchíamos o depósito da carrinha, o Barata (mais uma vez) tirou-me uma foto a saltar da carrinha e, quando me enviou a foto, enviou também um pequeno texto que dizia “Toma lá, ó Vitorino Voador”. Passado algum tempo tive que pensar num nome para dar a este projecto e, depois de pensar muito sobre o assunto, o nome que fez mais sentido na minha cabeça foi Vitorino Voador e assim ficou.

– Como é a tarefa de conciliar a vida a solo com as bandas?

Tem dias. Umas vezes é mais fácil, outras vezes é complicado. O facto de ter aprendido a usar uma agenda no telefone ajudou-me bastante. É uma questão de avisar toda a gente cada vez que recebo uma data de concerto nova, ensaios, etc. Mas até agora tem corrido bem, esperemos que continue assim!

– O que distingue o som do Vitorino Voador do som das bandas em que tocas?

Não sou a pessoa ideal para falar sobre estilos de música. Muitas vezes não sei bem o que estou a fazer musicalmente, apenas que gosto daquilo que faço. Não consigo colocar uma etiqueta e dizer que aquilo é Rock ou Pop ou outro estilo qualquer. O que sinto é que o facto de fazer música sozinho, diferente daquela que faço com as minhas bandas, fez com que fizesse sentido ter um projecto só meu e que sinto que é realmente diferente da música que toco com Diabo na Cruz, You Can’t Win, Charlie Brown ou qualquer outra banda da qual faça parte.

– Este primeiro álbum a solo, O dia em que todos acreditaram, (depois do EP Vitorioso Voo, lançado pela Optimus Discos) foi um desafio complicado? Como foi o processo de criação?

Foi um desafio, sem dúvida, mas foi um desafio bom – com os seus momentos complicados lá pelo meio, todos ultrapassados, felizmente. Este disco para mim é uma continuação do trabalho do EP, que começa com a música MENSAGEM (EP) e acaba com a música MENSAGEM II (LP), como uma história que foi partida em duas partes. O processo de criação já estava a acontecer na fase do EP (mesmo que eu não me apercebesse disso). Houve músicas que vieram dessa fase e outras que foram feitas mais tarde, já em cima da fase de terminar o disco, outras músicas que ficaram de fora, como em todos os discos. É um disco onde tive uma preocupação um pouco diferente daquela que tive com o EP: os arranjos, as vozes, os convidados… tudo isso foi mais pensado.

– Consideras-te acima de tudo um instrumentista, ou dar a voz foi fácil?

Dar a voz foi toda uma nova experiência para mim. Só me apercebi da dificuldade de fazer esse trabalho no dia em que subi ao palco para o meu primeiro concerto e de repente a minha voz não era mais aquela de que me lembrava quando estava a ensaiar sozinho. Isso fez-me perceber que a voz é realmente diferente dos instrumentos que domino, porque, por muito mais nervoso que possa estar num concerto, quando me sentar ao piano e der aquela nota, ela vai soar e as pessoas não vão perceber que estou nervoso. Posso controlar isso. Com a voz não e é isso que tento dominar mais um pouco a cada dia que passa. Para responder à pergunta, considero-me um instrumentista mais do que um cantor, mas gostava de chegar a um equilíbrio dessas duas coisas.

– O dia em que todos acreditaram é um primeiro título a guardar de uma discografia que se avizinha longa? O que podemos esperar de Vitorino Voador no futuro?

Sim, aquilo que posso prometer é uma discografia longa. Não vou fazer promessas sobre quando vou ter disco novo, já aprendi a lição, mas posso prometer que vou ter muitos discos, porque músicas e ideias não me faltam. Neste momento a minha maior vontade era começar já a gravar trabalho novo mas isso prejudicaria o disco que promovo agora, já me conheço bem. Por isso, vou deixar respirar e na altura certa começarei a gravar novas músicas, mas sobre elas ainda tudo pode acontecer, não vale a pena tentar explicar a minha vontade agora, pode mudar muito até ao momento da gravação.

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João Francisco Gomes nasceu em Leiria, a meio da década de 90. Interessa-se por música, sobretudo por fado, música portuguesa, música erudita e música sacra. Gosta de tocar vários instrumentos musicais. Interessa-se por literatura, gosta de escrever e lê quase diariamente.

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