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Errei.

Esta crónica é escrita ao abrigo do novo acordo ortográfico

Aqui há uns largos meses, escrevi no meu Facebook que, se Donald Trump fosse o candidato Republicano às eleições presidenciais dos Estados Unidos, teríamos a vitória eleitoral mais esmagadora na história política da esquerda americana. A persistente alienação que Trump provocou, e que continua a provocar, em quase todas as bases votantes parecia ser o prego no proverbial caixão da sua candidatura. Pelo menos numa eleição geral, é claro. Nenhuma demografia saiu ilesa do seu escárnio: mexicanos, mulheres, negros, muçulmanos, homossexuais e afins.

Mas chegou a hora de admitir o óbvio: falhei enquanto Nostradamus político. Não tomei em consideração alguns fatores que se mostram agora cruciais. Ou, no mínimo dos mínimos, subestimei-os.

Segundo as mais recentes sondagens, a larga diferença entre Trump e aquela que infelizmente será a candidata do partido Democrata, Hillary Clinton, evaporou-se quase na totalidade. Pior ainda: no Ohio, um dos swing-states mais importantes numa eleição geral, ele acabou de a ultrapassar.

A pergunta sobressai agora mais do que nunca: como pode um psicopata ter a mais microscópica hipótese que seja de alcançar o cargo mais importante do mundo livre ocidental? São várias as respostas que encontro. Podemos falar de um racismo genético e/ou institucional impregnado na população americana. Podemos, quiçá, falar de uma islamofobia vítima de um brutal fear mongering mediático. E claro que podemos falar em puríssima demagogia populista. Todos estes fatores merecem um quê de consideração.

Julgo, no entanto, que o culpado é outro. Ou, neste caso, outra. Hillary Clinton é, nestas eleições mais do que em quaisquer outras, uma péssima candidata eleitoral.

Bernie Sanders, o indivíduo que todos os media norte-americanos apontavam como inelegível, continua a destruir Donald Trump nas sondagens. A verdade é que ambos têm algo em comum. Sanders e Trump são dissidentes, rebeldes que se recusam a jogar o jogo de Wall Street e a seguir as regras impostas pelos lobbys. Mas Clinton é uma marioneta – uma mulher viscosa, calculista e que não possui qualquer crença ideológica interna. Ela acredita naquilo em que as sondagens lhe dizem que deve acreditar – tresanda a política tradicional e, como se viu e se vê pelo andar da carruagem, o povo americano está cansado de comer o mesmo prato.

Não obstante, num matchup entre corrupta e sociopata a resposta continua a ser-me óbvia. Mas a retórica de Trump é fortíssima. Vamos a ver. Uma coisa é certa – estamos a um pequeno escândalo de espoletar a Terceira Guerra Mundial.

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