Artes Visuais e Performativas

Rubrica Videojogos: Luzes, comandos, acção!

O mundo do cinema é cada vez mais complexo e fascinante. À semelhança das grandes bandas, há certos filmes que são de tal modo populares que geram milhões em receitas de merchandising. Entre os diversos artigos que se costumam incluir nesta categoria estão os videojogos. É comum a adaptação de filmes e séries para videojogos (o contrário também acontece, por mais estranho que possa parecer), por razões óbvias: Há que aproveitar antes que a fonte seque. Até mesmo os gamers menos assíduos e apaixonados caem na tentação de comprar um jogo quando este é sobre a sua série ou saga favorita. Mas será que têm realmente sucesso?

Não seria justo comparar o sucesso de um filme ou série com o sucesso da sua adaptação para videojogo, isto porque o filme, por vir primeiro, consegue captar muito mais atenção do que a sua adaptação. O videojogo acaba por captar as sobras de atenção que o filme deixou: só mesmo os fãs vão comprar o jogo, enquanto a maioria dos espectadores após verem o filme, por mais ansiosos que estivessem por o ver e por melhor que o espetáculo tenha sido, perdem o interesse. Mas no fundo é um produto que se vende só pelo nome, uma imagem já estabelecida no público, personagens famosas e uma história já escrita, com cenários já bem descritos.É metade do trabalho feito, e por isso é uma escolha fácil para os produtores.

Acontece que grande parte destes videojogos constitui autênticos flops. Porquê? Bem, há várias razões que o explicam. A primeira é a qualidade dos gráficos, que fica normalmente muito aquém. E sejamos francos, mesmo os gráficos mais bem elaborados vão ser sempre comparados, ainda que de forma injusta com pessoas reais, com cenários de cinema que resultaram de grandes investimentos, e assim é normal que tenham sempre nota negativa. Outro grande motivo, como já foi referido, é o desinteresse que ataca o público após verem o filme. Perde-se o interesse na maioria dos casos, e o que sobrevive acaba por desvanecer com o tempo. O terceiro grande motivo é a desinteressante storyline, uma vez que acaba por ser uma frustrante repetição do filme, com falas iguais e, essencialmente, com um desfecho previsível, perdendo-se grande parte do interesse do jogo, uma vez que um dos factores que elevam mais o vício dos jogadores é mesmo a vontade de descobrir o desfecho. Já se sabe qual é, e por isso perde a piada. A estes três factores acrescentava ainda outros três. O primeiro tem a ver com a forma desagradável como costuma estar distribuída a narrativa do jogo. Cortam-se muitas vezes passagens importantes do filme para, em compensação, nos brindarem com entediantes animações que continuam, inevitavelmente, a ser comparadas com as cenas do filme que representam. A jogabilidade é outro factor que por vezes deixa a desejar. Acontece que, nestes jogos, em especial para os jogadores que se afeiçoam mais aos protagonistas, existe um desejo de controlar a acção na totalidade, de quebrar o rumo da história, de explorar locais que não foram exploradas no filme. É por isso frustrante estar reduzido ao cumprimento da história, de fazer o que nos dizem para fazer, de ver todo um mesmo filme. Para compensar um modo história/single-player mais desinteressante costuma-se compensar com uma boa dose de viciante modo multijogador. Não é o caso da maioria destes jogos, que acaba por se tornar numa experiência aborrecida e solitária.

Não posso porém dizer que não obtêm sucesso de vendas e que não são um produto rentável, não pelo menos se tivermos em conta que a saga Harry Potter esteve na origem de 13 videojogos, distribuídos em diversas plataformas.

Houve, aliás, outros casos meritórios, pelo menos na minha opinião. Pessoalmente, lembro-me de jogar uma adaptação das Teenage Mutant Ninja Turtles, mais conhecidas por Tartarugas Ninja, para a Playstation 2, e considerar o mesmo um jogo bastante distinto da série em si, e envolvente, muito bom para os fãs do desenho animado. Mas, para além de possuir os seus defeitos, tratava-se de uma animação transformada em animação, e, por isso, de um caso bem distinto, até porque o que é adaptado são as personagens e uma história base, não sendo propriamente uma réplica. Cars, uma adaptação de um filme já mais recente, pareceu-me ter sido bem recebido por entre o público a que se destinava. É, aliás, nesta faixa etária que as adaptações têm mais impacto.

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Outras tantas adaptações não chegam a fazer muito sentido sequer. É o caso dos jogos High School Musical, que à excepção da versão Singstar não tiveram grande interesse. Para quem duvida, atente na seguinte descrição de uma das edições, retirada da Wikipedia: “Os jogadores assumem o papel de um dos personagens para seguirem o ritmo das músicas do filme. O jogo dispõe de quizzes trivias para que o jogador descubra de acordo com a sua personalidade qual Wildcat mais se parece com ele. High School Musical 3: Senior Year utiliza a Stylus e o D-Pad para capturar fotos especiais e criar um anuário personalizado do East High Senior.” Chega? Aliás, as adaptações para DS nunca fizeram muito sentido.

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De resto, há certos jogos que foram do agrado da comunidade gamer, como certas adaptações de Harry Potter e Lord of the Rings, Ghostbusters, Goldeneye 007, The Godfather e The Warriors. Se incluirmos as séries e filmes de animação, então sem dúvida Kingdom Hearts II e as adaptações de Pokémon e Digimon ficam para a história dos melhores videojogos. Mas nem sempre resulta. As adaptações de, por exemplo, Naruto ficaram bastante aquém do esperado.

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Não poderia deixar de mencionar também que, como é normal, a tendência não escapou ao mobile e séries como The Walking Dead, Game of Thrones, Family Guy, Simpsons, CSI e Breaking Bad já foram adaptadas a jogos para Android.

Nada como experimentarem vocês mesmo as adaptações dos vossos filmes e séries favoritos.

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