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Guia comportamental para portugueses

Em finais do ano 2015, foram lançados na Alemanha diversos guias comportamentais para imigrantes, incluindo aplicações para dispositivos móveis. Nos links que vos deixo abaixo podem encontrar alguns exemplos que encontrei num artigo online:

Germany and its people
Refugee Guide Online
Ankommen

O título da segunda hiperligação diz tudo: quem diz imigrante diz refugiado. Esses seres primitivos saídos de uma caverna e metidos em jangadas pelo alto mar até encontrarem a civilização. Melhor pensado seria, no calor do bom acolhimento Europeu, à chegada, enquanto os seres do 4º ou 5º mundo se secam (suponho que se molhem um pouco pelo caminho), distribuirmos uns panfletos com as informações essenciais ou, em alternativa, levá-los a um cibercafé onde pudessem ter acesso aos ditos PDFs . O café seria pago à parte, porque a boa vontade também tem que ter os seus limites – isto se eles não se servissem sem autorização, esses marginais.

Sorte a nossa, leitores residentes em Portugal, que os documentos estão disponíveis na web para nós, povo igualmente atrasado, podermos aprender com o grande império Alemão.

Ora vejamos… Em relação aos 3 primeiros itens do primeiro artigo que mencionei, os ditos nem sempre são cumpridos com a devida frequência. Simples saudações e regras de etiqueta da forma mais ou menos formal como se deve tratar alguém passam vezes de mais ao lado. A forma como, em especial a nossa juventude, tende a faltar ao respeito aos mais velhos, faz-nos crer que precisam de um manual destes, ou, se não for pedir muito, de uns pais. Contudo, quem vê a sétima imagem, que ilustra dois jovens do sexo masculino a passear de mãos dadas, teria a ideia de que a Alemanha (ou outro qualquer país, na verdade) está realmente preparada para a não discriminação dos casais homossexuais – sabe-se que não é assim, não só não se verifica lá a melhor aceitação de todos como existem ainda grupos radicais que constituem um perigo para a liberdade dos mesmos. Mas os Sírios são o novo bode expiatório para grande parte dos problemas do mundo que já existiam antes de todo este drama mundial e que apenas se vieram a agravar. Se fizessem uma versão para portugueses não mudaria grande coisa. Face a toda esta hipocrisia, a este encher de páginas que de pouco adianta, sinto-me obrigado a caricaturar algumas das imagens do guia…

O guia caricatura a falta de romantismo (chamemos-lhe assim) dos refugiados. Sim, eu li as notícias sobre a passagem de ano. Sim, eu sei que muitos dos homens (a juntar ao facto de pouco terem a perder) têm pensamentos extremamente sexistas oriundos das sociedades onde foram criados e onde o papel da mulher é, no mínimo, diminuto. Não deixava, contudo, de ser uma ilustração pertinente para se afixar um pouco por todos os nossos bares, e até escolas, e, lamentavelmente, ruas no geral.

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Pessoas que sejam vitimas de violência podem apresentar queixa na polícia, de facto, é pena que pouco nos valha. E cuidado com o excesso de defesa pessoal… é a lei que o diz… e aí vão ver como ela se cumpre.

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Conflitos não devem ser resolvidos com violência, caros migrantes! Só se isso já for habitual e por questões que a justiça ainda não conseguiu resolver muito bem, aí já vale tudo…

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Mas cuidado, porque se forem violentos, como sugere a ilustração, podem ir presos… E quando vão presos é a sério, a não ser que seja por corrupção, aí não tem tanto mal. Mas como também nenhum deles chegou ainda ao mundo da política, ainda não vale a pena informá-los disso.

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Apesar de compreender a ideia dos guias como algo preventivo, algo me faz crer que os refugiados, pelo menos grande parte, não são estúpidos. Se quebram regras, se abusam de mulheres e se comportam de forma não cívica é porque, em muitos casos, não o querem. O ser humano, como qualquer animal em perigo, consegue adaptar-se às circunstâncias. Igualmente, consegue detectar hábitos, padrões de repetição e ligações à sua cultura que, apesar de atrasada face ao pensamento Europeu, que pelo menos para nós é o correcto, não é assim tão primitiva. Num dos três artigos mencionados corrige-se o falar alto nos transportes públicos – as coisas que estes refugiados fazem… Completamente desenquadrados daquilo a que nós chamamos Linha de Sintra. Noutros tópicos, ensina-se a recusar algo educadamente, ou a ser pontual. Tudo isto faz crer que a Europa está, deveras, avançada. Mas será mesmo assim?

O Frederico Mendonça escreve com o novo acordo ortográfico.

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