MAAT: Museu para jovens?

O MAAT já começou a partilhar as suas novas obras – de arquitetura a cinema, de tecnologia experimental a pintura e música. São inúmeras as novidades a partir do mês que se avizinha. Cada vez mais o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia alberga mais atividades inovadoras que atraem jovens ávidos pelo conhecimento.

Foto Gonçalo Borbinha

Dia 5 de outubro o MAAT faz três anos

Já dizia o jornalista e comentador Daniel Oliveira, em entrevista ao Comunidade Cultura e Arte: “(…) nós vivemos em Portugal com a ideia de que a nova geração lê menos, vê menos cinema, e os números dizem o contrário.” Este depoimento é um ponto de partida para aquela que foi uma iniciativa do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia. O MAAT, de setembro a dezembro de 2019, tem planeado um autêntico carrossel de experiências que deambulam entre as variadas correntes artísticas – desde exposições a cinema e concertos. O epicentro das novidades do museu será no dia 5 de outubro, dia em que faz três anos de existência.

Não será só no dia da Implantação da República que a Avenida da Brasília terá a sua calçada pisada por jovens. São muitos os petizes a frequentar locais onde a vida tem uma expressão diferente. A ESCS Magazine esteve no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia e pôde presenciar um grande número de jovens a tirar proveito das inovações artísticas e tecnológicas.

O museu abre as suas portas com um novo ciclo de exposições temporárias que reúnem artistas de renome, com propostas oriundas de diversas disciplinas artísticas. Uma das novidades está presente na Galeria Principal, na qual a exposição Playmode propõe uma reflexão sobre as possíveis relações entre a arte e os videojogos. Um conjunto de espetadores instigados faz fila, impacientemente, para experienciar um jogo em que a personagem principal faz tarefas mundanas: numa crítica à robotização causada pela repetição sistemática de funções, quer no plano laboral, quer no plano sociofamiliar.

Foto: Gonçalo Borbinha

Várias salas simulam cenários realísticos e sinestésicos

O cinema não fica de fora – bem perto da exposição Playmode está uma sala escura com pufes espalhados pelo chão e, projetado na parede, urge uma película cujo estilo é uma metaficção historiográfica – autoria do egípcio Basim Magdy. O género metaficção historiográfica consiste em resgatar momentos ou temas históricos e incorporá-los numa realidade pós moderna, reformulando convenções previamente estabelecidas, explorando o que está para além da física. No seu mais recente filme (M.A.G.N.E.T), Basim aborda o tema da gravidade da terra, numa realidade onde a gravidade não para de aumentar. Badim leva-nos a várias realidades alternativas, a lugares inusitados e inóspitos, empregando à obra uma multitude de experiências sensoriais.

Foto: Gonçalo Borbinha

Filme é uma experiência sensorial sobre a gravidade

A Galeria Oval receberá no próximo mês de outubro Anima Vectorias, a primeira grande instalação da renomada artista Angella Bulloch. Já na Project Room está guardada uma outra surpresa: Amar como a estrada começa, um novo trabalho da dupla portuguesa composta por João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira.

MAAT: “Um lado moderno da arte”

Para Pedro Maceira – um jovem de 21 anos – o MAAT é um lugar atrativo. Tem o hábito de passear por Lisboa e conhecer cada canto da capital, bem como apreciar cada detalhe artístico. Questionado sobre se considera uma tradição portuguesa a ida a museus, responde que essa cultura está presente, mas “num meio muito lisboeta e centralizado”. Pedro considera que os hábitos de visitas a museus são caso ímpar na capital: “Nos subúrbios creio que não existe tanto. Eu tive a sorte de ter pais que ligam a museus, apesar de ser mais num contexto mais sazonal, não tão regular”. O jovem músico e estudante de Psicologia justifica a sua decisão de visitar o MAAT mas aponta algumas lacunas no programa: “Escolho o MAAT pela acessibilidade, está situado num local agradável e de fácil acesso. Contudo, apesar de ter gostado da última exposição, achei que poderia ter sido melhor e mais vasta. Tenho curiosidade em perceber como vai ser no dia 5 de outubro.”

Foto: Gonçalo Borbinha

Pedro Maceira na sala Playmode

Já Beatriz Saraiva descreve o museu como sendo um “casebre pseudo-intelectual”. A jovem de 24 anos, estudante de História da Arte, reconhece que as iniciativas de cariz cultural em Lisboa estão acima da média nacional, todavia esse dado não é relevante quando ainda há “muita população iletrada culturalmente” noutras regiões do país. Beatriz acredita que cada vez mais há uma “bifurcação” entre os jovens que ficam ligados aos ecrãs e os outros, interessados, que “saem de casa com uma mochila e olhos de ver.”

O dia 5 de outubro trará ao público um Open Day cheio de atividades com destaque especial para o concerto da banda Legendary Tigerman, pelas 19 horas.

Artigo revisto por Ana Rita Sebastião.

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