Música

Miguel Araújo: Crónicas da Cidade Grande ao vivo no CCB

É um dos mais conhecidos letristas da actualidade da música portuguesa, graças a canções como “Os Maridos das Outras” e “Balada Astral”. Agora, com um novo disco editado – Crónicas da Cidade Grande – Miguel Araújo tem-se dedicado a tocar os novos temas pelo país.

Ontem foi a vez de o Centro Cultural de Belém receber o concerto. Quase cheio, o palco do Grande Auditório recebeu Araújo e os seus “companheiros de estrada” — os músicos que o acompanham — mas também Luísa Sobral e Inês Viterbo, que se juntaram ao cantor em alguns temas.

O espetáculo começou cerca de dez minutos depois das 21h, ainda com a cortina fechada, quando soaram os primeiros acordes da “Cidade Grande I – Canção de Acordar” (que abre também o álbum). Mas, imediatamente, recuámos aos Cinco Dias e Meio, ao som de “Matérias do Coração”, num arranjo mais eléctrico.

Um dos momentos mais surpreendentes da noite foi a interpretação de “Recantiga”, uma canção que no disco não desperta particular atenção, mas que no concerto assumiu uma força arrebatadora, graças aos sopros e às percussões, que se juntaram à guitarra e ao violoncelo que já conhecíamos à música. O “Capitão Fantástico” também não faltou neste concerto, que oscilou constantemente entre os dois álbuns.

“Dona Laura”, o segundo single do disco, foi o pretexto para pôr o público a cantar um refrão com Araújo, que ia arrancando solos de guitarra a cada oportunidade. Quando trocou as seis cordas pelo ukulele, já se adivinhava o que viria dali. “E tu gostavas de mim”, uma canção composta para o Desfado, de Ana Moura, deu um toque de festa tradicional à noite, mas foi “Fizz Limão” que mais entusiasmo gerou, embrulhando a noite em saudosismo, como o próprio introduziu.

Por entre as canções dos dois álbuns, chegou a “Romaria das Festas de Santa Eufémia”, d’Os da Cidade – o projecto que mantém com António Zambujo, Ricardo Cruz e João Salcedo –, uma cantiga feita com base no conto “A Festa”, de Miguel Torga. E por falar em Os da Cidade, seguiu-se “O Pica do 7”, também deles (é já o single de Rua da Emenda, novo álbum de António Zambujo, que é lançado dia 17 de Novembro), mas agora com uma convidada especial: Luísa Sobral. Os dois cantaram ainda “Mom Says”, single do último disco da cantora.

A segunda música da noite cantada em inglês foi “Like a Rolling Stone”, do norte-americano Bob Dylan, que, segundo Araújo, “é a melhor música de sempre”. “Foi a primeira que aprendi a tocar. A partir daí foi sempre a descer.”, comentou.

O final do concerto começou a prever-se quando chegaram “Os Maridos das Outras”, a mais conhecida canção do autor, introduzida por algumas histórias de ódio que Miguel Araújo contou com algum humor. Foi o momento de maior participação do público, já que a letra é sobejamente conhecida. A última só podia ser “Balada Astral”, com a própria Inês Viterbo em palco — uma canção que encheu as medidas ao auditório.

Para o encore ficaram reservadas duas canções das Crónicas da Cidade Grande, em jeito de apresentação da personagem principal do álbum,José Faria dos Santos. “José” e “Canção de Salomão”, em interpretações muito calmas, conduziram a uma música que já conta com alguns anos, ainda do tempo do Mendes nos Novos Talentos da FNAC – “Desdita”. O final ficou a cargo do grande sucesso que faltava: “Reader’s Digest”, composta para António Zambujo, e gravada também no Cinco Dias e Meio, foi cantada durante um bom bocado e fechou com chave de ouro a actuação, aplaudida de pé por todo o auditório.

No próximo dia 29 de Novembro, o espetáculo sobe ao palco do Coliseu do Porto, com a participação de António Zambujo, Inês Viterbo e Marcelo Camelo.

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