Artes Visuais e Performativas

Nasceu em Faro e tem as suas peças espalhadas pelo mundo: conhece o Nuno Viegas!

É um artista plástico internacional, nasceu em Faro e foi criado em Quarteira: estamos a falar de Nuno Viegas.

Desde criança que gostava de desenhar, mas foi apenas na adolescência que começou a pintar, ainda que só como um passatempo. Inicialmente pintava letras, nomeadamente o seu nome em grafitti: o objetivo consistia apenas em espalhar o seu nome. Nunca lhe tinha passado pela cabeça vir a ter uma carreira artística.

Inicialmente, estudou Tecnologias Informáticas no secundário e ingressou no curso de Engenharia Informática na Universidade do Algarve, que acabou por abandonar ao fim de quatro anos. Quis mudar de direção e, por isso, desistiu do curso e ingressou em Artes Visuais, na mesma faculdade. Quando acabou o mestrado em Comunicação, Cultura e Artes, fez um estágio enquanto participava no programa Erasmus+, em Roterdão (Holanda), e foi aí que começou a traçar o caminho que (felizmente) o levou até onde está hoje!

Em 2015, trabalhava em part-time num Hostel como Assistant Manager, na Holanda. Sendo algo flexível, abraçou a oportunidade de estagiar com o pintor local Tymon de Laat, e esta foi a oportunidade de que precisava para chegar mais longe. O Nuno, que apenas pintava letras, ao fazer os exercícios propostos pelo Tymon – um pintor figurativo -,  acabou por descobrir um jeito para a pintura figurativa.

“Descobri a pintura figurativa e o realismo e aliei-os ao mundo do grafitti, que já conhecia – conta Nuno, considerando Tymon o seu padrinho no mundo das artes.

Anteriormente, estava muito focado na fotografia, no vídeo e na instalação, mas com este estágio o seu trabalho começou a surgir com uma nova identidade, uma nova abordagem:

“Estando na Holanda com tantas plataformas, com tanta coisa a acontecer, tive imensa sorte de conhecer as pessoas certas, de atrair as pessoas certas para mim e, assim, num espaço de dois anos ascendi bastante. Tive uma subida na minha carreira que nunca pensei que fosse acontecer”.Além disto, foi um dos fundadores do coletivo de arte intitulado Policromia Crew: um colectivo de artistas e amigos. Inicialmente, consistia no seu grupo de amigos que pintavam de forma assídua juntos. Desde aí, vários artistas entraram e saíram do colectivo, mas a base manteve-se e acabou por se tornar também na sua porta de saída.

Fotografia por Simão Viegas

Descreve a sua arte como “clean e leve”, por considerar os seus trabalhos limpinhos. Há um perfeccionismo no seu trabalho que leva a quase uma oposição à realidade visualmente agressiva do graffiti tradicional.

Em acréscimo, Nuno não sente que as suas pinturas sejam feitas com o objetivo de passar uma mensagem. Este pinta composições que fez, que o agradam e estimulam.

A sua preocupação não se reflete nas suas obras, mas evoca sempre os mesmos elementos. “Há seis anos que levo o universo do graffiti e represento elementos deste movimento”, diz-nos Nuno Viegas.

Nuno considera ser um tributo a esta arte, de forma a manter vivo o mundo do graffiti e levantar a discussão sobre aquilo que é. Ele pinta sobre o graffiti, como fez, por exemplo, com a sua última instalação, no Festival Eminente. Para o artista é fundamental estabelecer o limite entre o graffiti e a “street art” ou arte urbana.

“Os riscos nas paredes” são graffiti, e o que ele pinta não é, podendo ser considerado “street art”. Para si e pelo amor pelo movimento, Nuno considera que deve ser definido o que é ou não graffiti e diferenciá-lo das restantes vertentes que surgiram nos últimos anos.

Para o Nuno, o graffiti é pintar o teu nome quase sem regras, sem limitações.

O artista conta que para si, neste momento, não faz sentido haver um distanciamento entre o Nuno Viegas e o artista, apesar de garantir que pode um dia vir a explorar outros temas com esse “nome artístico”, visto ter como inspiração Fernando Pessoa.

Foi para a Holanda sem nada, só com muita vontade de explorar o mundo das artes. Sempre disse a si próprio: “Vai dar certo, bora” – apesar de não saber o que ia ou não acontecer, e foi essa fé que sempre o ajudou bastante. Nunca sequer sonhou em ter a carreira que tem atualmente, vindo de Quarteira – era uma carreira com a qual nem sonhava, na altura.Relativamente às suas maiores referências, conta que as suas inspirações vão desde os artistas plásticos, músicos e empresários até às ditas “pessoas normais”. Carniate Matite é um dos artistas com os quais Nuno se identifica, considerando ser possível fazer um paralelo entre o trabalho dele e o seu, em termos estéticos. Também se inspira em Renne Magritte e Salvador Dalí.

Garante que os trabalhos que lhe deram mais prazer de fazer foram as colaborações.

  1. Com o Funaka Pan, em Miami.

2. Com o Snik, em Berlim.

3. Com o Herakut (duas artistas – duo de artistas alemãs)

Durante estes trabalhos, por diversas vezes pensou: “Como é que eu cheguei aqui?” – e revela que a experiência e a ligação de todo o momento de trabalho, todos os dias, é o que lhe dá particular prazer nestas colaborações: “Não é só estar a pintar; são as conversas, os momentos!”.

 “Foram murais com os quais cresci bastante; em colaborações, os dois artistas crescem sempre.”

Nuno Viegas

Como foi ser artista na fase pandémica?

Numa fase pré-pandémica e no seu último ano na Holanda, ia todos os dias para o estúdio. Depois ou ia para casa ou ia descontrair com amigos – mas garante que trabalhava bastante!

No início da pandemia montou um estúdio em casa e passou muito tempo em casa a trabalhar, tendo visto muitos dos seus projetos cancelados. Confessa ter sido um ano de muito trabalho de estúdio: “2020 foi o meu melhor ano de sempre”.

Ainda assim considera que 2021 está a ser melhor do que o ano passado. Apesar de ter perdido muitos trabalhos que iam ser diferentes e divertidos, garante que não se pode queixar de não ter tido trabalhos durante a fase mais crítica da pandemia:“O melhor da Holanda era sair e viajar para os diferentes trabalhos”.

O seu percurso em nada é igual ao dos artistas que tem conhecido. A única coisa em comum entre eles é terem trabalhado com as pessoas certas. Alguns fizeram com que “aquela” pessoa os visse, de forma a atraírem a pessoa certa, revelou-nos.

Agora é hora de apreciar alguns dos seus trabalhos:

Se és um artista, o Nuno deixa-te alguns conselhos: “É muito importante os artistas estarem numa comunidade de artistas: rodeia-te de  [pessoas como] quem queres ser; a parte social é muito importante; criar laços. Há que nutrir todos os elementos. Cada um tem de descobrir o seu caminho; ser visto.” 

Fonte da capa: Nuno Viegas

Artigo revisto por Inês Pinto