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O planeta ou o vírus: qual das crises combater?

O ano de 2020, a grande entrada na nova década, começou de uma forma que ninguém imaginava. Para alguns, 2020 prometia ser um grande ano, com novidades e grandes experiências. Para outros, este ano seria só mais um. Mas ninguém pensou que em 2020 a liberdade estaria condicionada e que o final do ano letivo seria interrompido. Quem sabe, até o verão pode vir a ser estragado.

Contam-se os dias desde que estamos em quarentena devido à Covid-19. Estes dias têm sido dolorosos e, com o passar do tempo, têm vindo a tornar-se semanas. Quem sabe, podem vir a tornar-se meses. O que custa mais é o facto de nos ter sido retirado aquilo que sempre considerámos normal na nossa vida – sair de casa, quer seja para trabalhar, para estudar, para nos divertirmos ou para estar com a família e os amigos.

No entanto, o planeta gritava por socorro há já muitos anos. Parte de nós sempre o ignorou. Até aos dias de hoje, em que fomos obrigados a parar, o que levou a que o planeta tivesse tempo para respirar.

Grande parte da população dos países afetados pela Covid-19 está em casa de quarentena. Apenas médicos, enfermeiros, jornalistas e profissionais cujos empregos obrigam ao contacto presencial estão a desempenhar as suas funções fora do seu lar. Algumas fábricas deixaram de funcionar e outras começaram a produzir material necessário para os hospitais.

Estas alterações no quotidiano das pessoas vieram aliviar o peso que o planeta carregava nos seus ombros. Com base em relatórios internacionais, disponibilizados pela Lusa, a população está a emitir menos um milhão de toneladas de dióxido de carbono por dia. Isto é um número bastante elevado e um grande feito para os humanos. Mas será que é bem assim?

Com a paragem quase total das fábricas, o consumo de petróleo teve uma quebra. Esta quebra levou a uma redução de 9,6 milhões de toneladas das emissões de dióxido de carbono. Este valor é 1,4 vezes maior do que o valor das emissões de dióxido de carbono em Portugal, relativo ao ano de 2017.

A juntar a esta redução o abrandamento do consumo de carvão apresenta também resultados benéficos. Segundo o portal Carbon Brief, as emissões mundiais de dióxido de carbono podem, este ano, ser reduzidas em cerca de 7%. Este ainda não é o valor exato, mas aproxima-se do valor pretendido para a redução de emissões de dióxido de carbono em 2020, estipulado no Acordo de Paris.

O caminho a percorrer ainda é longo e não podemos cruzar os braços. A redução dos gases com efeito de estufa deve-se à diminuição do tráfego rodoviário e aéreo, que ocorreu em consequência de a circulação de pessoas ter sido reduzida e de o número de voos ter diminuído substancialmente. Em Portugal, devido às normas de confinamento e ao estado de emergência atual, a redução também foi visível.

As melhorias climáticas que ocorreram até ao momento têm valores significativos. No entanto, é preciso que se mantenha este ritmo. É aí que reside o problema. Todo este progresso de diminuição de emissões é referente aos passados três meses. Porém, para que o esforço não tenha sido em vão e a temperatura global não aumente 1,5 ºC, é necessário reduzir em 7,6% as emissões de gases com efeito de estufa. Esta redução deve acontecer todos os anos e não apenas em 2020 devido à Covid-19. Francisco Ferreira, Presidente da Associação Ambientalista Zero, reforça esse facto, afirmando que “o cenário tem de se manter”.

A Associação Ambientalista Quercus, no seu comunicado, afirma que esta é apenas uma “situação transitória” e que estas alterações só podem ser vistas a curto prazo. António Guterres, secretário-geral da ONU, afirma que “a magnitude de uma crise climática não tem comparação com o impacto temporário de uma pandemia”, pelo que não podemos dar-nos por vencedores por vermos estes valores.

Apesar de esta pandemia nos ter levado a reduzir os gases com efeito de estufa, a necessidade de proteção individual teve o efeito contrário. As máscaras e as luvas levaram ao aumento do consumo de materiais de plástico descartável, que temos tentado, a tanto custo, diminuir.

Para além deste fator, também a corrida aos supermercados e consequente compra exagerada de bens pode levar a um aumento do desperdício alimentar. No contexto atual, torna-se ainda mais necessário ser moderado nos nossos atos do quotidiano e ter consciência acerca destes, nomeadamente no que diz respeito a idas às compras.

Com esta pandemia em mãos, não podemos descurar a crise climática. Greta Thunberg, jovem ativista sueca, apelou aos jovens de todo o mundo para continuarem a manifestar-se por esta causa. A única diferença: a manifestação é online. Partilha uma fotografia tua nas redes sociais a segurar um cartaz de greve climática com #ClimateStrikeOnline. O teu contributo pode fazer a diferença.

Fonte: Conta oficial de Instagram de Greta Thunberg

Após este abrir de olhos que o mundo nos deu, cabe a todos nós melhorar e, acima de tudo, recuperar a nossa casa de há tantos milhões de anos. Os resultados estão à vista. Cabe-te decidir se os vês ou não. A verdade é que o futuro vai depender de todos nós.

Corrigido por: Margarida Saltão

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22 anos de vida e nos últimos 9 não se via a fazer nada mais do que jornalismo. Atualmente, a sua grande paixão é a revisão de texto e o seu cantinho Meia Dúzia de Erros. Lisboeta de nascença, mas o seu coração mora onde há mar. Sempre com um olho à procura de novos desafios. E o outro mantém-se no presente, sempre a fazer o melhor possível.

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