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O Tropical Urbano dos PISTA

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Fotografia: Denise Correia

Edição: Jessica Espada

Foi no passado dia 13 de novembro que foi editado o novo álbum dos PISTA. Com direito a concerto de lançamento no Musicbox, “Bamboleio” é o primeiro registo de longa duração da banda do Barreiro que, até então, só tinha gravado um EP e um single – “Puxa”.

O aguardado disco de estreia foi gravado em Alvito (Alentejo), no estúdio de Luís Nunes, músico que hoje dá voz e cara ao projeto Benjamim e que esteve entre os convidados do concerto de lançamento. Para além dele, marcaram também presença Alex D’Alva Teixeira (D’Alva), Oscar Silva (Jibóia), Dirty Coal Train, Ricardo Martins, Bro-X, Nick Suave e Fast Eddie Nelson.

Foi uma noite repleta de surpresas, contagiada pela energia que tão bem descreve o som dos PISTA. Músicos e plateia, ninguém parou. Entre balões e guitarras descaradas, fez-se a festa de “Bamboleio”.

O álbum foi tocado e ouvido de uma ponta à outra, com muito pé de dança à mistura, e, ainda que os PISTA não tenham muitos temas com letra, o público nunca se recusou a acompanhar a banda com a sua voz, mesmo que fosse para trautear riffs de guitarra.

“Sal Mão” e “Puxa” foram talvez os momentos mais elétricos da noite, por se tratarem dos temas mais conhecidos, mas foi “Queráute” que surpreendeu, ao encerrar o alinhamento com uma maturidade diferente, com direito a um andamento mais calmo que não é habitual ao registo musical dos PISTA.

Esta é uma banda sem grandes floreados e ainda bem. Ao vivo, vão diretos ao assunto: tocam sem rodeios e sem inventar. Até porque não é preciso, o talento está inerente até no mais pequeno acorde. O álbum, como o ouvimos gravado, já é o espelho do que são os PISTA – tudo soa natural, nada é forçado. Aqui soam duas guitarras, de Claúdio Ferreira e Ernesto Silva, e uma bateria, de Bruno Afonso, em harmonia perfeita. Baixo para quê?

É honesto, é simples, é surpreendente. E esta, para mim, é a santa trindade daquilo que faz um bom álbum.

Este é o rock mais tropical e mais dançável de sempre. Pode ser um resultado inesperado, mas é eficaz na tarefa de não deixar ninguém indiferente. Cuidado, Ana Malhoa, porque chegou o verdadeiro tropical urbano.

Os PISTA contam-te mais sobre o novo álbum:

Magazine: Como é que nasceu “Bamboleio”?
Ernesto Silva: O disco “Bamboleio” nasceu há algum tempo atrás ainda com o Bruno Afonso e com o Claúdio Fernandes, os dois enquanto duo, e foi ganhando também forma com a minha entrada. À medida que a demo foi passando as coisas foram apurando e chegaram à forma que têm hoje, à intenção que têm hoje.

Magazine: Acham que é um álbum semelhante ao vosso trabalho anterior ou distingue-se?
Claúdio Fernandes: Acho que é diferente. O EP já não nos representa, até porque foi gravado no início. Havia aquela urgência de gravar qualquer coisa rapidamente para mostrar e o poder tocar ao vivo. O disco tem o mesmo propósito, mas há outra harmonia instrumental, tem mais vozes… É um produto mais completo. E reflete também o momento atual da banda, que é diferente do momento do EP, em que éramos só eu e o Bruno. Ainda não sabíamos muito bem o que é que andávamos a fazer ou o que é que queríamos fazer.

Magazine: O que é que vos influenciou durante o processo criativo de “Bamboleio”?
Bruno Afonso: De certa forma, já tínhamos quase tudo feito até chegar a Alvito (Alentejo), ao Luís [Nunes, dos projetos Walter Benjamin e Benjamim]. Depois de chegar lá, a abordagem do Luís foi excelente. O Luís tem um conhecimento de música para todos os níveis, para todos os campos. Ele é muito aberto à novidade e isso ajudou-nos imenso. No trabalho vocal, no trabalho de composição dos arranjos, o Luís participou bastante. A nível de percussões, a nível de estrutura das músicas… chegámos lá, ele deu-nos um input e fizemos ali algo diferente, algo melhor. Essa foi a grande influência do Luís no álbum.
CF: Se falarmos do que nos influenciou na composição das músicas, para além do que o Bruno disse do Luís, foram também anos e anos de gostos diferentes. Foram muitos anos a ouvir música de muitos géneros diferentes, desde metal, música popular, música africana… rock, claro. Crescemos todos a ouvir rock e adorar rock, mas é assim uma grande mistura de coisas que depois são refinadas pelo Luís.
BA: Em termos de influências musicais, cada um tem a sua. É ouvir o que nos faz sentir bem e passar essa energia positiva para o que fazemos.

Magazine: Acham que é um passo em frente no vosso percurso?
CF: Sim, sem dúvida.
BA: O álbum foi só o colmatar do que já ambicionávamos, que era poder registar o nosso trabalho. Mas foi um passo em frente, sem dúvida. E seguro. Foi um passo seguro.

Magazine: Sentem que as expectativas para este novo álbum são altas?
CF: As nossas eram altas e foram cumpridas. Não temos bem noção de quais eram as expetativas do público. Eu sinto que sim, pelas reviews que têm saído e pelo que nos tem sido dito por amigos próximos, que já ouviram o disco, sim. Creio que sim. (risos)

Magazine: O que é que “Bamboleio” tem, para além do som, claro, que melhor vos define enquanto banda?
CF: Energia.
ES: Espontaneidade.
BA: Uma boa vibe. Tentar que essa energia e espontaneidade se reflita nas pessoas que ouçam “Bamboleio”. Acho que passa por aí.
CF: Sim, é um disco muito honesto e muito simples, muito… cru. Nós gravámo-lo em take direto para captar exatamente o que estavámos a fazer e a essência daquilo que fazemos.
ES: … E o que somos ao vivo, também.

Magazine: “Bamboleio” vai puxar pelos fãs de PISTA?
CF: Vai. Eu acho que sim. Vai puxar pelos fãs, pelos ainda não fãs…
BA: Acho que agora o público vai poder conhecer um pouco mais dos PISTA e “Bamboleio” reflete um pouco mais do que o single “Puxa” (o seu single mais conhecido). Pelo menos nós estamos contentes e, pelo menos, das pessoas esse feedback também é positivo.

Ouve aqui, “Sal Mão”, single de lançamento de “Bamboleio”:

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Mariana Monteiro não faz telenovelas, mas escreve de vez em quando. Gosta de música, como todos os comuns mortais, e canta sempre que pode. Nos tempos livres, gosta de comer chocolate.

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