Revisitando Donald Trump

Este artigo é escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico

Está na altura de voltarmos a falar do político mais interessante do mundo. Não, não é o Tino de Rans, se bem que este oferece uma concorrência apertada.

Estou a falar do nosso querido amigo Donaltim! Aquele que nos faz ter saudades do George W. Bush, sabem?

E então, por onde tem andado o nosso amado Donald Trump? Sem ser, é claro, pelo número recordista de viagens a campos de golfe. Um aparte: peço-vos para visitarem o site www.trumpgolfcount.com. É uma deliciosa dissecação dos dispêndios públicos daquele que é o hobby principal deste Presidente.

Antes de mais temos o saboroso constrangimento que tem permeado as reuniões com líderes estrangeiros. O pobre Macron foi vítima não só de um beijo, como também de um passou-bem, digamos que, exacerbado. Já a coitada da Angela Merkel teve que, ao que consta, explicar ao Donaltim as regras básicas do comércio interno da União Europeia 11 vezes. Não é uma hipérbole. Google it.

E os assuntos internos como correm à admnistração laranja?

Há aquela pequenina questão do podermos estar a criar um novo conflito no Médio Oriente. Depois do acordo sólido conseguido há 3 anos que travou o avanço do programa nuclear iraniano através da aplicação de sanções económicas, eis que surge um revés: Donald Trump, decidido a fazer o contrário de tudo aquilo que Obama fez, decidiu rasgar o contrato norte-americano com o Irão.

Alguma consistência tem que ser celebrada: em pré-campanha eleitoral, Trump já se opunha ao acordo. No Twitter, a 28 de Julho de 2015, disse: “(the) Iran Deal will go down as one of the dumbest & most dangerous misjudgements ever entered into in history of our country – incompetent leader!”.

Com um primarismo de marca, Donald Trump convenceu o seu grupo de apoiantes acéfalos, sedentos de destruir tudo o que Obama fez, de que o tratado com o Irão era uma santa de uma miséria.

Quem ajudou à mentira foi o atual líder israelita. Benjamin Netanyahu fez recentemente uma apresentação apaixonada, mas meio patética, sobre uma alegada violação secreta do acordo. O facto da Agência Internacional de Energia Atómica ter verificado o cumprimento do tratado inúmeras vezes desde a sua conceção em 2015 parece ser irrelevante.

Ainda poderia estar aqui a falar dos inúmeros escandâlos com oligarcas russos e pornstars, mas a sanidade mental já me está a chamar. Falar do Trump é como entrar em orgias – em moderação pode ser divertido e didático, mas se exagerarmos acabamos a sentir-nos sujos e a ter de tomar banho com Neo Blanc.

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