Seis Filmes Que Celebram A Emancipação Da Mulher

Fonte: Espalha Factos

Não estaríamos a mentir ao afirmar que uma das palavras mais usadas na atualidade seria feminismo. Este conceito foi criado em 1837 pelo socialista francês Charles Fourier. No entanto, só mais tarde – precisamente, cinquenta e sete anos depois -, é que se considera o ano da sua primeira aparição.

Este movimento, para além de social, também tem bases políticas, ideológicas e filosóficas. Tem como principal objetivo alcançar a emancipação da mulher, através da libertação dos padrões patriarcais estabelecidos a priori pela sociedade.

No cinema, naturalmente como em qualquer outra arte, originaram-se algumas mudanças relacionadas a estes movimentos. Na década de 70, acontecem os primeiros festivais de cinema feminista nos Estados Unidos e Reino Unido, bem como a aparição da primeira revista de cinema feminista, Women and Film.

Argumenta-se que existem duas abordagens diferentes para o cinema teoricamente inspirado pelo feminismo, que são: a necessidade de criar uma nova ligação entre o espetador e o cinema e a encarnação de uma escrita feminina precisamente para investigar a linguagem feminina cinematográfica.

Estas e outras visões são possíveis de se observar e analisar através de filmes que compreendem a década de 70 até à atualidade. A lista que se segue comprova isso e conta com alguns dos filmes que serão exibidos pela Medeia Filmes, num ciclo que celebra o cinema feminino – caso de The Ascent e The Piano.

THE ASCENT, DE LARISA SHEPTIKO (1977)          

Fonte: Vila Nova Online

Filme realizado em contexto de URSS e que relata o período da Segunda Guerra Mundial. Dois guerrilheiros soviéticos decidem abandonar o seu acampamento em busca de alimento para o grupo. Ao serem capturados pelos nazis, acabam reagindo de forma diferente ao mesmo tratamento brutal. Este filme faz parte da primeira vaga do feminismo, não só por ter sido realizado por uma mulher, na década de 70, como também, por narrar um episódio de guerra, assunto socialmente rotulado como pertencente ao mundo “masculino”. Esta adaptação do romance Sotnikov, do escritor Vassil Bykov, e vencedora de um Urso de Ouro, faz parte do ciclo As Mulheres da Câmara de Filmar – 12 filmes realizados por autoras fundamentais para o olhar feminino no cinema. A intitulada maior obra soviética da sua década, de Larisa Sheptiko, terá lugar no ecrã do Cinema Nimas no último dia do clico, dia 27 de outubro, pelas 19h30.

THE PIANO, DE JANE CAMPION (1993)

Fonte: The Guardian

Considerado um dos expoentes do cinema da década de 90, O Piano, conta a história de Ada McGrath, uma mulher que não fala desde os seis anos de idade. Muda-se na companhia de sua filha para a recém-colonizada Nova Zelândia, onde acaba por se casar. Uma relação antipática com o marido origina-se quando o mesmo se recusa a transportar o piano de Ada, a sua maior paixão. Uma solução aparece quando outro homem adquire o instrumento e promete devolvê-lo com a condição de que a mulher do colonizador o ensine a tocar. Para além de abordar temas conjugais e patriarcais, a obra de Jane pauta temas como a sedução e o poder sexual feminino. Oúnico filme realizado por uma mulher a ganhar o prémio Palma de Ouro passa pelo Cinema Nimas dia 18 de outubro, pelas 21h15.

MONA LISA SMILE, DE MIKE NEWELL (2003)

Fonte: Rotten Tomatoes

Inspirado no ensino feminino tradicionalista dos anos 50, Mona Lisa Smile relata a história de uma professora de história de Arte recém-chegada a Wellesley College. Num meio em que as mulheres recebem uma educação que as transforma posteriormente em donas de casa e mães responsáveis, Julia Roberts representa o papel de uma professora que tenta abrir as mentes às suas alunas, de forma a perceber que há mais além do que casar e ter filhos. Um filme repleto de presenças femininas como Kirsten Dunst, Julia Stiles e Maggie Gyllenhaal, que espelham a consciência cultural e social da mulher que tem o poder de escolha no seu futuro.

KONA FER í STRIO, DE BENEDIKT ERLINGSSON (2018)

Fonte: No es cine todo lo que reduce

Numa vertente madura e ambientalista, temos a história de Halla, uma ativista na casa dos 40 que declara guerra à indústria dos alumínios. Entregue à luta independente contra os responsáveis da contaminação do seu país, esta mulher tenta, de todas as formas ao seu alcance, chamar atenção para os problemas relativos ao ambiente. No entanto, a sua luta ganha novo rumo quando recebe uma carta que a informa de que finalmente poderá concretizar o seu maior sonho: adotar uma criança. Vencedor do Prémio Lux, este filme encara a vida da mulher adulta que crê conseguir manter o seu ativismo com a sua posterior vida materna, dando assim uma visão complexa da vida da mulher no ecrã.

PERIOD: END OF SENTENCE, DE RAYKA ZEHTABCHI (2018)

Fonte: Money Control

Dentro do mundo dos documentários, a Netflix dá-nos a conhecer o tabu que ronda a menstruação na Índia. Ganhou o Óscar de Melhor Curta-Metragem Documental ao retratar a importância da educação na independência das jovens de todo o mundo. Numa perspetiva mais afunilada, cobre a história de uma pequena vila indiana, em que é instalada uma máquina que produz pensos higiénicos biodegradáveis a preços acessíveis. Isto acaba por impulsionar a desmistificação que cobre a menstruação e, desta forma, é levantado o véu ao problema de dependência que acolhe várias mulheres nos países em desenvolvimento.

FEMINISTS: WHAT WERE THEY THINKING?, DE JOHANNA DEMETRAKAS (2018)

Fonte: Social Media Darling Productions

Com encoramento no livro Emergence, que contêm retratos de 1977, e presenças como Laurie Anderson, Phyllis Chesler e Judy Chicago, este documentário leva-nos ao passado e a algumas histórias que com ele ficaram. São entrevistadas algumas das “modelos” fotografadas para o livro de Cynthia MacAdams, abordando-se temas como o aborto, a identidade, a infância e a maternidade. Apesar de, como menciona Erika Voeller (Mpls MadWomen), não ser aproveitada a oportunidade de aprofundar o feminismo intersecional, há uma abordagem importante na orientação sexual feminina.

Artigo redigido por Margarida Ramos

Artigo revisto por Lurdes Pereira

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