Opinião

Somos todos diferentes

Deus tem futuro? Esta era a pergunta do “Prós e Contras” do dia 8 de dezembro, que eu gravei, e vi esta segunda-feira. Eu sou ateu, mas não venho falar de Deus porque é um tema demasiado complexo para discutir sem dar hipótese aos crentes de explicar a sua fé. O que quero abordar é as entrelinhas do debate que, ao contrário do que pensava, não se focou tanto como devia no futuro de Deus para os jovens. Jovens que crescem com a ciência. O evolucionismo faz parte do programa obrigatório da escola, o criacionismo é uma opção.

Mas aquilo que me chamou mais a atenção, e que servirá de ponto de partida para o que quero falar, foi terem convidado representantes das religiões cristã, judaica e islâmica. Parece normal, certo? Não é. Não porque existam muitas mais e só convidaram três, mas pelo contrário. A “nossa” é a cristã apostólica romana. O debate ficou a perder com o tempo passado a discutir questões de outras religiões. As outras religiões têm tanta legitimidade como a cristã, mas a maioria ficou a perder por tentarem discutir tanta coisa em tão pouco tempo com medo de ferir susceptibilidades (o que iria acontecer, sem dúvida). E vocês, se calhar, dirão: “mas têm todas os mesmo direitos!”. Se for o vosso caso, é aí que discordamos. Para mim, não têm.

Espero que não pensem que não gosto das outras religiões ou algo do género. Aliás, eu odeio é a nossa. Porquê? Vejam, na Europa, os católicos e os protestantes. Depois digam-me as diferenças. Adiante. Esta linha de pensamento trouxe ao de cima algo que digo constantemente: não somos todos iguais. Claro que não devemos ser julgados por ser quem somos, mas discriminados sim. E tiremos já a conotação negativa da palavra! Discriminar não é mais do que analisar e distinguir umas coisas das outras. Discriminar não é tratar pior uma pessoa por isto ou aquilo. Discriminar é avaliar uma pessoa pelas características que a diferenciam de outra. A democracia baseia-se na vontade da maioria. Mas a maioria é, por vezes, prejudicada pela minoria. Ajudar a minoria, sim! Fazê-lo prejudicando a maioria, não.

As pessoas não podem ser todas iguais. Vivemos de acordo com leis e regras que, no geral, são feitas para a maioria. Não é injusto. Injusto é quando a minoria se sobrepõe à maioria. Se a maioria gosta de banana e a minoria de pêssegos, não se vai importar as mesmas quantidades de bananas e de pêssegos. E entre um e outro ficam de fora os pêssegos. Porque a minoria tem o direito de tentar ser igual, mas não de ser mais do que a maioria. Tal não faria sentido. Seria óptimo se vivêssemos num mundo onde tudo fosse igual para todos. Mas não é nesse mundo que vivemos. Neste mundo todos somos diferentes. Neste mundo a maioria tem mais porque, no fundo, são mais.

Perdemos demasiado tempo a tentar ser iguais, sem nunca lá chegarmos, em vez de tentarmos perceber como usar as nossas diferenças. Sou homem? Ok. Tenho vantagem nisto, nisto e nisto. Sou mulher? Tenho vantagem naquilo, naquilo e naquilo. Se nunca vou ser mulher, porque tentar ter as suas vantagens em vez de aproveitar as minhas?

Para terminar com uma analogia referente à questão das maiorias digo: o ideal seria não matar ninguém, mas não se mata um para salvar três. Faz-se o contrário.

CRÓNICA - Somos todos diferentes - Pedro Mateus (Opinião)

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