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    A Severa: onde a gastronomia, a família e o fado se reúnem

    O fado, por vezes considerado somente um estilo musical português, outras visto como uma paixão, é descrito como algo com que os jovens não se conseguem identificar por Maria Alexandrina, proprietária da casa de fado A Severa. “O fado é um género musical mais maduro e pesado. Os jovens não se conseguem identificar ou porque ainda não têm a maturidade necessária, ou porque ainda não passaram por aquilo que o fado mais transmite, isto é, a melancolia e a saudade”, afirmou. Inaugurado em 1955 pelos avós de Maria, Júlio e Maria José de Barros Evangelista, o restaurante A Severa está localizado numa das zonas mais emblemáticas de Lisboa: o Bairro…

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    “No Castelo ponho um cotovelo Em Alfama descanso o olhar”

    Alfama, que deriva do árabe al-hamma, é o mais antigo e um dos mais típicos bairros de Lisboa. Al-hamma significa banhos ou fontes, uma vez que lhe está associado, geologicamente, um grupo de nascentes minero-medicinais, que, ao longo da história, foram canalizadas para alimentar chafarizes. Um dos mais conhecidos é o Chafariz de El-Rei. Foi um dos bairros que sobreviveu ao terramoto de 1755. Abrangendo as freguesias de São Miguel, Santo Estevão e São Vicente de Fora – dos bairros de Lisboa, Alfama é o mais peculiar e o mais genuíno, assemelhando-se a uma antiga aldeia, onde as ruas estreitas (resultado da cultura muçulmana), os becos esguios, a roupa estendida…

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    Silêncio, que se vai ver o Fado

    «Amor, ciúme 
Cinzas e lume
 Dor e pecado 
Tudo isto existe
 Tudo isto é triste
 Tudo isto é fado.» Retratos de grandes nomes do fado construídos com materiais reciclados: é isto que constitui a exposição «Somos Fado, parte I». Da autoria de Pedro Guimarães, o trabalho encontra-se presente no Museu do Fado, desde o dia 19 de março até ao dia 18 de setembro. Carlos Paredes, Alfredo Merceneiro, Camané, António Chaínho, Cuca Roseta e Carminho são apenas algumas das personalidades representadas e os suportes são vários. Num momento inicial, o que mais chama a atenção do visitante é a peça que se encontra na entrada do Museu – Amália Rodrigues…

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    Fado? Sim, obrigado!

    O Fado foi considerado património imaterial da humanidade em 2011 e representa um grande orgulho do povo português. É, por norma, cantado por uma só pessoa, a ou o fadista, e acompanhado por guitarra portuguesa e guitarra clássica. Enquanto alguns o apreciam e se sentem realmente orgulhosos deste símbolo nacional, a outros passa-lhes completamente ao lado. Mas porquê? Não é o fado uma grande herança que nos leva a todas as partes do mundo? Então, porque é que, por vezes, este grande património parece não ser tão apreciado cá dentro como é lá fora? Não digo que não haja apreciadores deste género musical mas, hoje em dia, é muito mais…

  • Atualidade,  Informação

    Arte da chocalharia: o barulho que temos de preservar

    O ambiente foi preenchido pelo barulho dos chocalhos aquando da revelação final. O primeiro de dezembro de 2015 fica marcado pela atribuição do título de Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente ao fabrico dos chocalhos. Num ano, este é o segundo selo para a região do Alentejo. O fabrico de chocalhos já é Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente. A decisão foi tomada na 10.ª reunião do Comité do Património Cultural Imaterial da Unesco, que decorreu na capital da Namíbia, Windhoek. A delegação portuguesa, que esteve presente durante a revelação, foi liderada por António Ceia da Silva, presidente do Turismo do Alentejo, enquanto a candidatura esteve…

  • Música

    Gisela João

    Quase a celebrar o aniversário do seu mais recente (e homónimo) álbum, Gisela João começou o ano em grande com dois concertos nos coliseus do Porto e de Lisboa. Depois das actuações nos dias 23 e 31 de Janeiro, respectivamente, a fadista segue agora para uma digressão pela Bélgica, já no próximo mês de Março. Foi ao ouvir Amália que Gisela João descobriu a ancestral rota do fado. A música era “Que Deus Me Perdoe” e a ouvinte uma pequena Gisela João, de oito anos. No entanto, foi na adolescência que decidiu seguir esse mesmo rumo, traçando o seu próprio caminho. Mulher do Norte, natural de Barcelos, foi na sua…

  • Artes Visuais e Performativas

    Há Fado no fado da gente

    Desde 2011, quando o Fado foi considerado património mundial da humanidade pela UNESCO, que me apercebo da quantidade de história que anda perdida nas ruas de Lisboa. Essa que é a minha casa e cidade que tantas e tantas vezes foi palco do Fado, que desde o século XVIII encanta milhões dos seus ouvintes. Na década de noventa, perto da estação de Santa Apolónia, o fado ganhou um lugar que se dedica única e exclusivamente a esta arte. É um edifício simples, num tom rosado, pelo qual havia passado centenas de vezes, sem me aperceber da quantidade de história que lá dentro mora. Talvez fosse mesmo o fado do Fado…