4 semelhanças entre Prison Break e La Casa de Papel

Prison Break estreou em 2005 e conta com cinco temporadas. La Casa de Papel estreou em 2017 e conta com três temporadas. Doze anos separam as duas séries, mas será que elas têm algo em comum? Em termos gerais, se trocarmos uma fuga da prisão pelo roubo da Fábrica Nacional da Moeda em Espanha, deixamos de estar no mundo de Prison Break para estar no mundo de La Casa de Papel. Assim, as semelhanças entre as duas séries são facilmente detetáveis, sendo que deixo aqui apenas quatro delas.

  1. Michael Scofield e Professor
Fonte: Youtube

Em ambas as séries encontramos dois homens que têm capacidades intelectuais extraordinárias, o que permite que os planos mirabolantes que delineiam sejam quase sempre um sucesso. Sem Michael Scofield não existiria nenhuma fuga da prisão em Prison Break e sem o Professor não existiria um assalto tão bem-sucedido como o que ocorreu em La Casa de Papel.

No fundo, dois homens completamente diferentes, mas ligados pela genialidade, pela inquietude, pela sua postura calma e confiante, para além do facto de terem sempre uma carta na manga. Contudo, acho que os deveríamos distinguir e apreciar mais Michael Scofield. Afinal, ele entrou literalmente em cena ao ter fingido um assalto para ser preso e conseguir escapar, trazendo o seu irmão. Para além disso, não nos podemos esquecer da brilhante ideia que teve: tatuar toda a planta da prisão no seu corpo. No fundo, Scofield deu o corpo ao manifesto, enquanto que o Professor tem mérito porque comanda as tropas, mas fica de fora, nunca entrando no ambiente hostil da Fábrica Nacional da Moeda.

2. As relações familiares

Fonte: Sapo Mag e Metro Journal

As relações familiares são importantes nas duas séries e ocupam parte da trama. Em Prison Break a relação é visível desde o início. Logo no primeiro episódio da primeira temporada percebemos que a personagem principal (Michael Scofield) está a planear ser presa, para depois fugir e trazer consigo o seu irmão – Lincoln Burrows – que está a dias de ser condenado à morte por um crime que não cometeu. Apesar de terem uma relação complicada, os irmãos vão fazer de tudo para se defenderem mutuamente, tanto na prisão, como fora dela.

Em La Casa de Papel a relação familiar existente é escondida durante grande parte da primeira temporada, contudo acaba por ser revelado que Berlim e Professor são irmãos. No entanto, percebe-se desde logo que a relação entre estes irmãos é complexa, porque Berlim – o irmão mais velho – sente-se abandonado pelo pai, quando este o deixa a ele e à sua mãe para criar uma nova família, da qual nasce Professor. No fundo, Berlim inveja o irmão, principalmente pela relação de proximidade que o segundo acabou por desenvolver com pai de ambos.

3. O romance


Quase todas as séries de ação e drama têm também romance e estas duas não são exceção. Os amores cliché estão presentes desde a primeira temporada.

Em Prison Break, Michael Scofield estuda cuidadosamente a médica da prisão fingindo ter diabetes de tipo 1 para conseguir aceder diariamente à enfermaria. O objetivo era aproximar-se da médica para que, mais tarde, ela o ajudasse na fuga. Contudo, Michael Scofield nunca pensou apaixonar-se por Sara Tancredi e isso irá atrapalhar os seus planos.

Já em La Casa de Papel, Professor também estudou a polícia Raquel Murillo ao pormenor, para tentar que a inspetora encarregada de capturar os criminosos não o fizesse. Tal como aconteceu com Scofield, Professor também nunca pensou que se fosse apaixonar pela pessoa que o quer, ainda que inicialmente não o saiba, colocar detrás das grades.

4. O grupo

Em ambas as séries, as personagens principais percebem que os seus planos, para terem sucesso, precisam de contar com um determinado grupo de pessoas. Contudo, os planos alteram-se ao longo da trama, com a adição de algumas pessoas e a perda de outras.

Em Prison Break, o plano de Scofield só contava com mais quatro pessoas: o irmão, Abruzzi, porque conseguia arranjar um avião, que seria utilizado na fuga; Westmoreland, porque sabia onde estava escondido o dinheiro com que contavam para sobreviver; e Sucre, porque era o seu companheiro de cela. Contudo, os planos mudam e Scofield vê-se obrigado a incluir mais pessoas no plano. Depois de diversas alterações, a fuga acaba por ser realizar com 8 pessoas, os muito conhecidos “Fox River 8”.



Em La Casa de Papel existiu apenas uma adição: Monica Gaztambide. Levar a secretária refém não estava nos planos dos criminosos, mas depois de Denver se apaixonar por ela e depois de a própria manifestar a vontade de pertencer ao grupo, acaba por ficar com eles e pertencer ao grupo.

Não nos podemos, porém, esquecer da perda de elementos fulcrais para que o plano funcionasse. Em Prison Break, Westmoreland era importante para depois da fuga da cadeia, contudo, no momento da fuga, o velho senhor acaba por morrer com um corte na barriga. Já em La Casa de Papel, Moscou estava encarregado de cavar o túnel para a fuga do grupo, mas acaba por falecer com uma ferida na barriga. É curioso perceber que as duas perdas foram motivadas por feridas na zona lombar e que ambas foram causadas pela polícia.

P.S: Não nos podemos esquecer do sucesso de ambas as séries, um facto bastante marcado por mais uma semelhança: o público quer que os planos sejam bem sucedidos. No fundo, o público não só quer que Michael Scofield escape da prisão, como também quer que o Professor e o seu grupo tenham sucesso no assalto. São posições contrárias àquilo em que pensamos na vida real e damos por nós a torcer pelos supostos “maus da fita”.

Artigo revisto por Adriana Alves

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