Agustina Bessa-Luís: “poucos são os que me leem, mas muitíssimos mais os que me conhecem”

Portugal perdeu um dos maiores nomes da Literatura Portuguesa. Agustina Bessa-Luís faleceu no dia 3 de junho de 2019, com 96 anos. Mas quem era Agustina?

Agustina Bessa-Luís. LUSA

Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa nasceu a 15 de outubro de 1922, em Vila Meã, em Amarante, região onde passou a infância e a adolescência e que marcou a sua obra.

    Aos 12 anos de idade, o pai deixa a família de lavradores e emigra para o Brasil. Aí, fez fortuna, tendo regressado e iniciado uma vida profissional nas áreas do espetáculo e do jogo. Já a mãe era de origem espanhola, de Zamora. Devido ao facto de os pais mudarem constantemente de casa, Agustina viveu grande parte da infância com o avô, na região do Douro.

    Em 1945, casa com Alberto Luís – um homem que lhe respondera a um anúncio que pusera no jornal em busca de uma pessoa culta para se corresponder. Estudam ambos Direito em Coimbra, vivem três anos em Esposende e, depois, instalam-se no Porto.

     Estreia-se como romancista em 1948, com a novela Mundo Fechado, mas é em 1954 que alcança o sucesso com o romance A Sibila. O estilo de Agustina pertencia, segundo classificava o ensaísta Eduardo Lourenço, à corrente neo-romântica, em muito influenciado pela obra de Camilo Castelo Branco.

    Dona de um estilo único e enigmático, Agustina Bessa-Luís inspirou-se em autores como Raul Brandão, Marcel Proust, Henri Bergson e Kafka, por quem – confessa – era apaixonada. Algumas das suas obras mais conhecidas são “A Muralha” (1957), “O Manto” (1961), “O Sermão do Fogo” (1962), “As Pessoas Felizes” (1975), “As Fúrias” (1977), “Os Menino de Ouro” (1983), “Prazer e Glória” (1988), “Vale Abraão” (1991), a triologia “O Princípio da Incerteza” (2001, 2002 e 2003) e “A Ronda da Noite” (2006).

Agustina Bessa-Luís. PÚBLICO/ Fonte: Lucília Monteiro

Além da literatura, tem também uma carreira ligada ao jornalismo e ao teatro. Entre 1986 e 1987, foi diretora do diário O Primeiro de Janeiro. Entre 1990 e 1993, assumiu a direção do Teatro Nacional D. Maria II e foi ainda membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social.

   Vários dos seus romances foram adaptados ao cinema pelo realizador e seu grande amigo Manoel de Oliveira. Alguns exemplos são “O Princípio da Incerteza – Jóia de Família”, “Vale Abrãao”, “Fanny Owen” (adaptado com o nome de “Francisca”) e “As Terras do Risco” (adaptado com o título de “O Convento”).

   Em vida, Agustina Bessa-Luís foi distinguida com vários prémios e condecorações. Em 1980, Ramalho Eanes atribui-lhe o grau de Grande Oficial da Ordem de Sant’Iago da Espada. Em 1988, Fernando Cabral atribui-lhe a Medalha de Honra da Cidade do Porto.

   Agustina Bessa-Luís foi também distinguida com os prémios Vergílio Ferreira e com o Prémio Camões – o mais alto galardão das letras em português -, em 2004. Afastada da vida pública desde que, em 2006, sofreu um acidente vascular cerebral, volta a ser distinguida pelo então Presidente da República Jorge Sampaio, desta vez com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

    No ano passado, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) concluiu um ano de homenagem a Agustina Bessa-Luís, com a atribuição do doutoramento Honoris Causa à escritora, em Vila Real, sendo a primeira mulher a ser distinguida com este título honorífico pela UTAD.

Artigo revisto por Vitória Monteiro

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