Artes Visuais e Performativas

AkaCorleone, o ilustrador e artista visual lisboeta e do mundo!

Pedro Campiche, artisticamente conhecido por AkaCorleone, começou desde novo a grafitar pelas ruas de Lisboa, expondo a sua obra desde 2010.

Nascido em 1985, o artista revela que o seu nome artístico se deve ao seu gosto pelo cinema, nomeadamente pelos filmes relacionados com o mundo do crime organizado. Por isto, o nome escolhido reflete o sobrenome da família do protagonista no filme “O Padrinho”. Para além disto, expressa que, na altura de escolher um tag de graffiti (assinatura), achou que era um nome apropriado, pois impunha respeito, assim como lhe soava bem.

O artista diz que o grafiti foi a sua porta de entrada para a prática artística, apesar de assumir que no início era apenas um ato de “rebelião” por fazer algo contras as regras. Era a sua forma de expressar a vontade de fazer algo diferente. A partir daí, mergulhou no mundo da arte.

Licenciou-se em Design e Comunicação Visual em 2007 e, após trabalhar como designer gráfico em diversos ateliers, desiludiu-se; por isso, passou a trabalhar como ilustrador freelancer ao mesmo tempo que ia desenvolvendo as suas atividades artísticas.

AkaCorleone é conhecido pela forma única como manipula as cores, as tipografias, as formas e, sobretudo, pela maneira como mistura tudo isto, de forma a conseguir composições apelativas, cheias de originalidade e de um humor totalmente penetrante.

Adicionalmente, as suas obras são uma extensão da Pop Art à arte contemporânea, sendo possível identificar facilmente características deste movimento artístico. O ilustrador admite ter tido como referência vários artistas, mas nomeia Keith Haring como principal influência. Isto porque, tal como este, Pedro Campiche também procura combater questões sociais com as suas obras.

Para além disto, AkaCorleone não tem limitações quando se trata de meios, técnicas ou formatos. Diz-se “obcecado com todas as coisas gráficas e visuais”, cria obras usando folha, plexi, tinta, spray can, madeira, objetos e basicamente qualquer coisa que possa melhorar e elevar visualmente as suas obras e instalações. Brinca com cores, transparência de materiais, dimensão e profundidade.

Em acréscimo, a maior parte da sua produção é escultural e ganha vida ao interagir com o observador, o trabalho de Campiche reflete, assim, um amor por marcadores, tinta, rabiscos e experimentação.

AkaCorleone, com o “Equality”, procura explorar e alertar para a igualdade de género e igualdade racial. Sendo um conceito tão fundamental, o artista acredita ser absurdo ainda ser necessário discuti-lo nos dias de hoje. A obra encontra-se no tão conhecido Panorâmico de Monsanto.

Deixo-te aqui dois vídeos dos dois capítulos da obra.


ALERTA: NÃO VEJAS, É INSPIRADOR!

1º- Vídeo da Instalação dos Vitrais: https://www.youtube.com/watch?v=WjqT8CUgX5c&t=19s

2º- Vídeo do Capitulo II: https://www.youtube.com/watch?v=Ei3XlBIzYBM

Para esta instalação de vitrais, o artista inspirou-se na linguagem visual dos vitrais religiosos que retratam dogmas indiscutíveis. Assim, Campiche usa o poder dos vitrais para comunicar e impactar, alterando o discurso e a narrativa para um contexto contemporâneo. Procurando, assim, sublinhar o carácter indiscutível da temática que retrata.

Esta obra foi realizada em dois capítulos: o primeiro foi a instalação da obra em si e o segundo está ligado a um projeto fotográfico desenvolvido pelo artista e a fotógrafa Cristina Morais. Tendo toda a obra o tema principal da igualdade de género, Cristina criou uma visão própria sobre a igualdade e a body positivity.

O impacto desta obra foi imediato: no Instagram a primeira publicação sem censura durou menos de 24 horas. A segunda tentativa já censurada durou menos tempo ainda. Apenas a terceira versão, praticamente desfocada, é que foi aceite, o que ilustra o caminho que ainda temos de percorrer.

Uma pitada das suas obras, em Portugal:

Para além disto, pintou a carruagem e a estação de Cascais. “Akacorleone”, através do seu cunho pessoal e uso de alguns símbolos de Haring, conseguiu reinventar as suas obras, levando também à sua fácil interpretação para qualquer um de nós.

AkaCorleone, no mundo:

Ramakien, Bangkok – Tailândia, 2013
Metropolis, Manila – Philippines, 2015

AkaCorleone: Um artista português que capta o olhar e ao qual ninguém fica indiferente.

Artigo revisto por Lurdes Pereira