• Literatura

    Bibliotecas em Lisboa: um guia para saberes onde estudar

    Qualquer estudante universitário que se preze precisa de uma biblioteca (aliás, merece-a!) para responder aos desafios colocados pelas várias unidades curriculares. Um local sossegado onde possa estudar para aquele exame mesmo difícil e, porque não, satisfazer a sede de conhecimento pelo puro prazer de saber a curiosidade mais improvável.  Pois bem, caras e caros recém-chegados, a ESCS Magazine tomou a liberdade de vos facultar uma listinha de bibliotecas na zona de Lisboa, onde terão acesso a muito mais material além do já existente na escola. Caloiros dos cursos de Audiovisual e Multimédia, não fujam já, porque não foram esquecidos. Sabemos que bibliotecas não são só livros. Rede de Bibliotecas Municipais…

  • Opinião

    Eu era um cruzeiro sem direção

    Eu era um cruzeiro sem direção. A cada dia, À velocidade de uma mota de águaE com a cólera de um tubarão adormecido, Deixava-me ir. Permitia-me tudo.  O meu cruzeiro era à vela,Porque me haviam sugado a força.E navegava Rigorosamente fiel aos instintos do vento.  O mundo parecia do tamanho do universo. O universo parecia do tamanho da Beleza. E a disposição um brinquedo sexual do vento.  Tudo era consentido Na intimidade de mim para mim próprio.Estático, porque escrevia versos, Extático, porque escrevia versos.  Naquele cruzeiro de luxo, A restauração era à base de lágrimas, isolamento, narcóticos e poemas.  Até que a Terra ficou do tamanho da Terra, O universo do tamanho do universo, A Beleza do tamanho do infinito. Descobri,…

  • Literatura

    Síndrome de Dorian Gray – ou a decadência cíclica do Homem

    Não sei por onde começar este artigo. Pronto, está dito. Assim sendo, retomo a partir do texto anterior, relativo a Das Schloss, de Kafka. Aos três leitores dos meus textos aqui na revista (já a contar comigo, com os editores e com a correção linguística), venho apresentar as minhas desculpas. O dandismo forçado é infrutífero, assim como o intelectualismo à lei da bolha. Achei que estava a fazer um grande serviço público ao apresentar uma crítica literária munida do melhor aparato académico que pude recolher em tempo útil. Afinal, limitei-me a mimetizar de forma sucedânea e epigonal o academismo especializado, não acrescentando nada de novo ao que se havia até…

  • Opinião

    Reler e Revisitar maio de 68

    Para um estudante universitário de 20 anos de idade ter sido participante ativo nas revoltas de maio de 1968, em França, há de ter nascido algures em 1948, o que lhe confere a idade de 72 anos no dia de hoje, caso se encontre vivo. Ao passo que um estudante universitário de hoje deverá ter nascido algures em 2000 para agora ter a idade do primeiro, aquando dos famosos e marcantes protestos. Em que medida é que isto é significativo? No estranho sentimento que os estudantes de hoje me provocam. Os revoltosos de 68 insurgiram-se pela liberdade individual e pela libertação dos dogmas conservadores, sob o lema “é proibido proibir“.…

  • Opinião

    Divagações sobre a impunidade

    Fiel à religião do bom senso simplista, acreditei que estava na punição e, concretamente, na autopunição a única forma de as pessoas se salvarem. As pessoas procuram sempre a punição para redimir a sua culpa, religiosas ou não. A punição esboça uma solução que nos parece satisfatória para os erros terríveis, porque ela promete limpar a alma, seja lá o que isso for, propiciando um efeito sucedâneo, indireto, de esquecimento a respeito da dita ação que violou violentamente as premissas do bom senso. Durante todo este tempo (cerca de um ano, para ser exato), procurei, a título pessoal, a via da autopunição, de modo a obter perdão a respeito de…

  • Literatura

    O CASTELO, DE FRANZ KAFKA: UMA LEITURA SUGADA PELO INFINITO

    Aviso: este artigo não contém spoilers. Devido às exigências editoriais dos admiráveis tempos novos, esta tentativa de crítica moderadamente especializada, que será apresentada como review pelos delegados de comunicação do órgão, não terá informações sobre o desfecho da obra. Como se lê tão pouco, certamente por isso, e apenas por isso, tem-se paulatinamente deixado a crítica literária ao abandono nos espaços de publicação periódica. Quer-se que as pessoas leiam, mas não se quer que as pessoas entendam o lido, conceito este que acende em si imaginários de vaidade e aparência sobre os quais não terei tempo de discorrer. O Castelo, Das Schloß na língua original, é um fragmento romanesco de…

  • Opinião

    Lavandarias verdes – o lado B da sustentabilidade

    Ainda Greta Thunberg estava longe de ser concebida, presumivelmente numa cama presumivelmente sueca (e presumivelmente da IKEA), quando o ativista norte-americano Al Gore começava a alertar os seus concidadãos para a necessidade de se levar a cabo uma viragem no sistema de produção de mercadorias a nível global, de forma a travar as consequências ecológicas que poderiam, a prazo, danificar irreversivelmente o planeta. Duas décadas se passaram desde a derrota de Gore nas presidenciais de 2000 frente a George Bush filho. Nunca saberemos que mundo teríamos caso o candidato democrata, um visionário nas questões da ecologia, tivesse vencido aquele disputadíssimo sufrágio. O que sabemos hoje é que, muito por obra…

  • Literatura

    “Louise Glück. Quem?”

                    No passado dia 8 de outubro, a Academia Sueca Alfred Nobel anunciou que Louise Glück era a feliz contemplada deste ano. O galardão foi-lhe atribuído pela sua “voz poética inconfundível que, com beleza austera, torna a existência individual universal”, justificou o corpo de jurados. Glück tem a particularidade de ser a primeira poeta norte-americana a vencer o prémio. Antes dela, Toni Morrison e Pearl S. Buck também foram distinguidas, mas no género do romance. É a 16ª mulher galardoada em 117 laureados, mas a terceira nos últimos seis anos, depois de Svetlana Alexievich e Olga Tokarczuk.                 Para a maioria das pessoas (autor deste artigo incluído), a reação ao…

  • Opinião,  Sem Categoria

    A Segunda Traição Das Imagens

    Em 1929, René Magritte mostrou ao mundo o seu icónico cachimbo que não permitia que se fumasse por ele. Contexto: no quadro do surrealismo, Magritte pintou um vulgar cachimbo, ao qual adicionou a legenda “Ceci n’est pas une pipe”, traduzido “Isto não é um cachimbo”. O objetivo era simples: mostrar como as imagens são apenas representações da realidade, mas não são a realidade em si, o que contrariava toda a lógica da arte clássica. Efetivamente, não se poderia fumar por aquele cachimbo em específico, porque era apenas um desenho. É um pouco como aquela história da mesa e da ideia de mesa, proveniente dos diálogos platónicos de A República –…

  • Opinião

    UFC Fight Night: História vs. Anti-racismo

    Portugal sempre foi especialista em copiar acriticamente tudo o que vem dos Estados Unidos da América. Assim sem pensar muito, temos sitcoms, Big Brother, Shark Tank, Casados à Primeira Vista, Got Talent, Supernanny, The Biggest Loser e o The Voice. Mais recentemente, deu-nos para vandalizar estátuas. Do ponto de vista simbólico, é mais interessante. Do ponto de vista da estupidez, é ela por ela. Começou por Cristóvão Colombo, em Boston, passou por Winston Churchill (sim, esse mesmo que salvou a Europa de um genocida racial), Leopoldo II da Bélgica e chegou a Padre António Vieira, em Lisboa. Nos dias de hoje, pelos vistos, uma piada de Bernardo Silva com um…