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Cultuor: Alcântara

Um ponto de encontro, um objetivo e histórias para contar.

Não somos todos ignorantes: a cultura está no sangue do aluno escsiano. Esta iniciativa da AE ESCS quis, por isso, dar a conhecer um pouco de Lisboa, tanto focando-se na cultura como no mercado de trabalho. Aliando a criatividade, a comunicação e o espírito de aventura, a tua ESCS MAGAZINE juntou-se à Cultour e foi descobrir a zona de Alcântara. Esta viagem contou com dois guias: eu, Inês Alexandre, e o João Costa. Sempre com uma postura descontraída, zarpámos.

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A Selva
Começámos por ir à Tapada das Necessidades. Um local bastante ligado à realeza portuguesa, desde a construção de um convento e de um palácio ligado à Tapada por D. João V à transformação do seu espaço num “jardim romântico inglês” no reinado de D. Maria II, infelizmente abandonado e esquecido depois da implantação da República. A recuperação deu-se apenas no fim do século XX com a tutela da Estação Florestal Nacional e a Câmara Municipal de Lisboa e mesmo assim não de forma contínua.

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Quanto mais nos embrenhamos no jardim, mais depressa saímos de Lisboa. O murmurar e buzinar dos carros é substituído pelo calmo assobio do vento e o canto dos pássaros. Plantas exóticas e cheias de vida, no meio de uma cidade que de si é tão desconhecida. Maria João Citério, aluna do 2.º ano de Publicidade e Marketing diz-nos que “Voltava. Espaços verdes na cidade deviam ter mais divulgação. AE fazer eventos destes é ótimo. Faz com que as pessoas vão e explorem”. Beatriz Pires, da sua turma acrescenta – “Está super maltratado. É triste”.

Depois de vermos a Tapada, tivémos uma atividade de grupo com o Presidente da AE ESCS, Pedro Henriques. A AE tem como ponto a destacar a preocupação de fazer com que as pessoas se sintam mais à vontade e conheçam mais gente, espírito esse que cresce na própria ESCS. Por isso, esta atividade foi realizada para nos conhecermos, como um team building. Saímos de lá às gargalhadas depois de Frederico Rodrigues ter corrido atrás dos “gansos selvagens” que fazem da Tapada o seu habitat.

A Aldeia
Calmamente descemos pelas ruas de pedra em direção ao Village Underground. Passámos por uma “Lisboa pequenina”. O Village, como lhe chamam os seus “residentes”, é uma verdadeira aldeia. São 14 contentores, uns no solo, outros por cima, outros com vigas a segurá-los. A critiatividade é a primeira palavra que pensamos quando lá entramos. A ideia do Village nasceu em Londres, em 2006 e foi Mariana Duarte Silva que, depois de o visitar, decidiu emigrar a ideia. Fez-se sócia de um dos proprietários e arrancou com projeto. Depois de um começo difícil para conseguir os alicerses do Village e seis meses de trabalho nas instalações, contruídas de raiz, abriram as portas a 8 de março de 2014.

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Almoçámos num pequeno espaço na rua dentro do recinto, com a comida a sair de um dos dois autocarros que foram tranformados no Village. O outro é uma sala de reuniões. Com música jazz de fundo, uma decoração simples e vintage e uma companhia mais fácil, usámos o tempo para descansar as pernas e falar sobre o que já tínhamos visto e aprendido. A street art é uma constante no Village. Lá, focam-se na sustentabilidade e em dar nova vida a materiais que antes eram “lixo”. Há cerca de 25 “residentes”, desde uma produtora de teatro, designers, responsáveis por online-gaming, bloggers, ou seja, criativos. A aposta nas pessoas é muito grande. Quando se juntam na cafetaria conversam e partilham experiência. O ambiente é muito bom.

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Um bom exemplo é Duarte Vasconcelos. Está no Village desde a sua abertura. Tem uma produtora de espetáculos e uma agência de representação de artistas do espetáculo sediada lá, mais precisamente no contentor 9. Atualmente, está em pré-produção de 4 espetáculos. Ele defende que “os agentes culturais nunca estão bem por natureza”. Mesmo com o fraco apoio da cultura em Portugal, ele acredita que a insatisfação dos artistas é uma constante e que isso os ajuda no processo criativo. Tece duras críticas às duras barreiras ao mecenato. “O Estado intromete-se demasiado”.

O Mercado
Os passos foram curtos até ao Lx Factory. “Uma ilha criativa ocupada por empresas e profissionais da indústria também tem sido cenário de um diverso leque de acontecimentos nas áreas da moda, publicidade, comunicação, multimédia, arte, arquitetura, música…”.

A primeira paragem foi a sede da empresa Nebula 3. Criada por dois ex-escsianos e um ex aluno de cinema da Lusófona começou por fazer somente animação digital 2D e 3D, mas depois, por requirimento de clientes decidiram expandir a produção para o video e criaram a empresa Difuse. João Machante esteve à conversa connosco cerca de 2 horas. Tirou a licenciatura em AM no ano de 2007. Conheceram o espaço do Lx Factoryquando o evento/festival Offf de 2009 decorreu lá. Estão lá instalados mas não estão presos; estão em contínua evolução. Dão vida às ideias criativas de outras empresas como, por exemplo, uma campanha da Yorn. Desde o início que se posicionaram como “qualidade pela qualidade”. Mandaram muitos e-mails, contactaram freelancers que complementassem o seu trabalho e renovaram o hardware sempre que sentiam a necessidade. A sua primeira fatura foi para um cliente dos Estados Unidos e a segunda foi a criação de bolinhas flutuantes para um site português.

Os trabalhos que fizeram durante o tempo académico não foram muito aproveitados, ao contrário das bases e conhecimentos. Tinham o contratempo da cadeira, das indicações do professor, do tempo – o que se faz no tempo de escola não é sufientemente livre.

Já ouvímos isto muitas vezes, mas nunca é demais salientar e continuar a reforçar – “Há sempre um escsiano em qualquer lado”.

Depois da Nebula fomos para o estudio de fotografia e design XPOSED. No campo da fotografia, focam-se na fotografia digital – moda, fotografia de projeto e pessoas especializadas. Já no design têm web digital, print e muito mais, num campo bastante vasto de opções. A Equipa são cerca de 5 pessoas e trabalham com alguns parceiros. Cada elemento tem as suas experties. Trabalham para empresas como a Brisa, RTP, Banif e Adidas.

Antes mesmo de irmos embora, deixaram-nos alguns conselhos.
– Fazer Erasmus – saber o que se passa lá fora, conhecer pessoas, networking.
– Estagiar – contacto com empresas com processos bem montados e estruturados.
– Criar um projeto próprio – “toda a gente devia saber trabalhar por conta própria”.

E com um convite para voltar, saímos do estúdio e fomos para a nossa última paragem.

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A Ler Devagar é uma livraria/biblioteca fundada em 1999. A ideia inicial era vender fundos editoriais mas acabou por evoluir e voar do Bairro Alto para a Lx Factory. Estantes cobream as paredes melhor do que hera. Vêem-se livros, cheiram-se livros, ouvem-se livros, sentem-se livros! Há um pequeno café e mesas de estudo e discussão.

Mas o ponto de chegada, a meta, o objetivo é a exposição Pietro. Conhecemos, então, as invenções de Pietro Proserpio. A exposição situa-se em cima da rotativa que imprimiu o primeiro número do Expresso em 1973. São mais de 10 invenções, feitas com os objetos mais comuns. Admite só fazer obras inuteis. É um verdadeiro contador de histórias. Cada uma das suas peças é incompreendida sem o seu criador. Ensina-nos, em poucas palavras o que é o tempo, a imaginação, o amor. É um manipulador da fala, um ilusionista do conhecimento. Poderia ser uma das personagens das suas próprias histórias.

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Antes de nos despedir-nos deste grupo que nos acampanhou durante todo o dia, fomos falar com a Joana Batista, a vogal do Departamento Cultural e a grande impulsionadora desta iniciativa.

A Cultour foi pensada para combater a falta de adesão aos eventos ligados à cultura desenvolvidos na ESCS e porque consideram importante dar a conhecer Lisboa. Alcântara, especificamente, “converge bastantes espaços criativos, desconhecidos”. Quiseram deixar as pessoas na expetativa por isso muitas coisas ficaram em segredo. Sendo isto uma experiência totalmente nova, correu relativamente bem. Da próxima vez serão limadas arestas e as pessoas estarão mais interessadas. Alcântara mostrou-se mais “empresarial”, mas, quase sem nos apercebermos, explorámos o mundo cultural. Os próximos percursos podem ser mais institucionais ou culturais, depende do sítio escolhido. Quanto a próximas iniciativas, é “esperar para ver”.

Foi um longo dia, uma selva, uma aldeia e um mercado. E para a próxima, o que será?

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