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Mário Silva: o ex-escsiano fundador da APCOI

Mário Silva nasceu em Vila Franca de Xira e licenciou-se em Publicidade e Marketing na ESCS. Era a sua primeira opção e conta que se apaixonou na primeira visita.

Entrei e senti-me em casa. E foi isso mesmo que senti sempre: um ambiente muito familiar, humano e confortável.

Embora tenha gostado particularmente das cadeiras que lhe colocaram desafios práticos, nomeadamente a de “Escrita Criativa”, garante que as cadeiras que mais o marcaram e influenciaram positivamente foram as mais teóricas, visto que o ajudaram a desenvolver o seu próprio autoconhecimento como as de Psicologia, Sociologia ou Ética.” Descreve, assim, a ESCS como uma “incubadora”.

Para si, estudar na ESCS apresenta diversas vantagens, como o facto de ser um politécnico, o que leva a que o ensino seja mais prático e voltado para o mercado de trabalho. Por outro lado, garante que sempre sentiu uma proximidade e uma disponibilidade enorme por parte dos professores, inclusivamente fora das aulas. 

Afirma que todos os cursos são complementares entre si e que isso proporciona algumas oportunidades, até de relação entre alunos que não são colegas de turma, mas que podem vir a ser colegas de trabalho no mercado de trabalho. Importa referir que, na sua opinião, estudar na ESCS também possibilita aos seus alunos a participação em seminários e projetos “fora da caixinha” do curso.

Aquilo de que mais gostou na sua experiência na ESCS foram os professores, os colegas e os amigos. Todos me ajudaram a desenvolver as minhas hard e soft skills. E ainda hoje muitas dessas pessoas me continuam a surpreender, a ensinar e a inspirar.Conta que todos os professores tiveram um papel importante, mesmo que na altura não tenha tido a capacidade de o reconhecer. 

Mário em entrevista para o canal Saúde +. Fotografia cedida pelo próprio.

Em 2010, criou a Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil, uma organização sem fins lucrativos cujo objetivo passa por promover a saúde das crianças e combater o sedentarismo, a obesidade nas crianças e a má nutrição, através da organização de diversas campanhas e de eventos. Para além de outros projetos atualmente em vigor, já contou com a participação de meio milhão de crianças em Portugal na iniciativa escolar “Heróis da Fruta”.

Juntamente com o esforço da APCOI, em 2019, a Organização Mundial de Saúde apontou Portugal como uma referência no combate à obesidade infantil por ter sido um dos únicos países do mundo que conseguiu descer cerca de 10% a prevalência de excesso de peso e de obesidade na infância, nos últimos 10 anos.

Mário recomenda a quem está a começar agora o seu percurso académico que tenha mente aberta e que saiba que a Licenciatura é apenas uma base; o arranque. Garante ainda que dentro de cada curso existem centenas de saídas profissionais diferentes e que, por isso, os trabalhos devem ser aproveitados para descobrir as preferências de cada um. “(…) E quando as encontrarem, não as percam de vista”.

Acrescenta ainda que o elemento de diferenciação dos outros colegas é a especialização nessas mesmas áreas preferidas. “Competição é um erro. Diferenciação e especialização é o caminho certo.Dá o seu exemplo:No meu ano, por exemplo, não me lembro de conhecer ninguém da minha turma que tivesse vontade de trabalhar em marketing infantil, que era a minha área preferida. Nunca perdi esse horizonte de vista e sempre procurei tornar-me num especialista nessa área. Ainda cá estou.

Conta que gostava de ter tido coragem de ter feito Erasmus ou Inov Contact, visto que adora viajar, mas não se arrepende de nenhuma decisão que tomou, pois cada uma contribuiu para o seu percurso que considera ter feito sentido.

O ex-escsiano entrou para o mercado de trabalho enquanto ainda estava a terminar a Licenciatura. Terminou, assim, o curso durante o seu segundo estágio numa agência de publicidade e, embora lhe tenha sido feita uma proposta de trabalho, acabou por não aceitar, porque queria ter mais experiências e diversificar. Assim, tem a certeza de que já ter dois estágios no seu currículo fez muita diferença nas entrevistas seguintes.

Em relação ao seu futuro, anseia continuar a dar cada vez mais formações. Descobri que me dá um prazer enorme partilhar tudo o que sei, porque isso também me ensina muito. Gostava também de fazer uma especialização, um MBA, uma Pós-graduação ou um Mestrado, talvez em storytelling ou em comunicação na saúde, visto ter sido a área em que se especializou nos últimos dez anos. Ainda assim, garante que a sua entrada para o mercado de trabalho foi feita de uma forma muito natural.

Mário em atividade numa escola básica com o projeto “Heróis da Fruta”. Fotografia cedida pelo próprio.

Para além das suas funções na APCOI, desde 2019 que integra a Coligação Europeia de Associações de Pessoas com Obesidade. Em 2021, iniciou um projeto de internacionalização, de forma a levar o know-how e os sucessos que têm obtido em Portugal, na APCOI, a outros países. Esse é o meu próximo passo profissional.

Mário garante que quem usa a expressão “aproveitem enquanto podem, porque quando estiverem a trabalhar será tudo pior” se refere à pressão. Acrescenta que os prazos académicos não são comparáveis aos prazos do mercado de trabalho, dependendo sempre das empresas e das áreas. 

Lembro-me de ter estado numa agência de publicidade e pensar que estava quase a sair. De repente, sou chamado para uma reunião de emergência para nos passarem o briefing e termos de apresentar o trabalho até às 10h da manhã. Eram oito da noite. Claro que jantámos na agência, fizemos direta e também tomámos o pequeno-almoço; e só depois fomos para casa.” 

Conta que já trabalhou em muitos eventos e que esta é também uma área que, embora seja sedutora, não tem horários e, portanto, é de trabalho árduo. Mas é como tudo. Há cadeiras que por mais trabalhos e prazos que tenhas que cumprir não custam, porque gostas e sentes que estás sempre a aprender e isso alicia-te a continuar. Noutras cadeiras, nem tanto. No mercado de trabalho é exatamente assim. Tudo depende da empresa e da área. Podes gostar ou odiar.

Sendo um entusiasta, à medida que o tempo passa vai ganhando um maior know-how e, por isso, o seu prazer para trabalhar vai aumentando. Poderia dizer que o próximo projeto é sempre aquele que me dá mais prazer, afirma Mário, garantindo que os primeiros anos são sempre mais deslumbrantes por sermos mais inexperientes e até inocentes.

A maior ambição profissional do ex-escsiano é poder continuar a fazer aquilo de que realmente gosta todos os dias, independentemente do que for, visto que não sabe o que lhe irá apetecer fazer daqui a 10 ou 20 anos.

Aos finalistas que se aproximam do mercado de trabalho, sugere que aproveitem todas as oportunidades, que assistam a algumas aulas ou seminários de outros cursos, que integrem os núcleos, que façam Erasmus e também que se inscrevam no gabinete de estágios.

Criem já o vosso LinkedIn e comecem a ligar-se às empresas. Está lá toda a gente! Inscrevam-se em workshops. Façam cursos livres e outras formações do vosso interesse. Continuem a aprender e a fazer formação e networking sempre, ao longo da vida.

Além disso, acrescenta que todos os finalistas deviam descobrir qual é o seu Ikigai, ou seja, a sua razão de viver, mesmo que o teste seja feito online. Afirma que o devem conhecer de forma estruturada, para conseguirem estar alinhados com esse propósito pessoal e nunca abdicar dele. Garante que só assim se sentem verdadeiramente felizes e completos – no trabalho e fora dele. 

Este foi o percurso do ex-escsiano Mário Silva pela ESCS. Faz como ele: dá o teu melhor e garante um futuro recheado de sucessos!

Artigo escrito por Mariana Faria

Artigo revisto por Andreia Custódio

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