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O esforço leva ao sucesso: o testemunho de recém-licenciados em Jornalismo

Com este artigo vais conhecer o percurso dos escsianos que tiraram Jornalismo na ESCS e que atualmente fazem parte das equipas da Antena 1, do Observador e da MAGG: a Inês Martins, o André Maia e a Mariana Carriço. 

A Inês Filipa Rodrigues Martins tem 22 anos, é do Seixal, estudou Jornalismo na ESCS e é atualmente jornalista na Antena 1. Versátil, empenhada e feliz, a ex-escsiana garante que a ESCS foi a sua grande base – tanto as aulas, como o trabalho que fez nas mesas do -1, onde estava sempre a aprender coisas novas.

Para além disso, sente que o que mais fez diferença na sua experiência de Licenciatura foi a entreajuda. Lembro-me de ser caloira e de olhar para os alunos mais velhos como modelos a seguir. Fui guardando todas as dicas que tinham para me dar”. Conta que ficava horas a trabalhar nos núcleos e em conversas com os amigos depois do horário escolar. As suas aulas terminavam às 13h e ficava na ESCS até fechar, só porque gostava de ali estar.

Para além da vertente escolar, sente que a parte académica é a que deixa mais saudades. “Foi na praxe que eu ri, chorei, bebi e cantei até ficar rouca. E são essas memórias que não se vão repetir que ficam.” Adicionalmente, revela que foi nas cadeiras que teve com a professora Ana Leal que sentiu realmente que o jornalismo, quando levado a sério e com a missão de contar a verdade, tem um poder imenso.

Relativamente à sua transição para o mercado de trabalho, diz que começou a trabalhar após as férias de verão no Jornal i e SOL, que pertencem ao mesmo grupo. Ainda assim, a ex-escsiana garante que enviou perto de 30 currículos, tendo sido um deles para a Antena 1. Na altura, ficaram com ele e passados uns meses contactaram-na para preencher uma vaga para estagiar. E lá fui eu para a rádio, algo que queria muito!”

Tendo estado na ESCS Magazine, no Número f, no E2 e na ESCS FM, aconselha os que estão agora a começar o seu percurso no ensino superior a frequentar todos os núcleos que queiram experimentar. Apesar do medo que possam ter em ficar sobrecarregados, a Inês conta que após uns meses do início vão deixar de ler as sebentas e com esse tempo conseguem aprender bastante nos núcleos e aplicar essas mesmas aprendizagens na prática. Da teoria pouco fica”, diz.

Inês no estúdio da ESCS FM. Fotografia cedida pela própria.

Conta que escolheu o curso de jornalismo porque queria ser apresentadora de televisão, sendo que olhava para a Cristina Ferreira como um exemplo a seguir. Hoje quando penso nisso dá-me muita vontade de rir.” Acrescenta que foi mudando de ideias ao ser “empurrada” para o jornalismo. No E2 fez reportagens, em vez de apresentar. Na ESCS FM começou em animação, mas não tinha muito jeito, nem paciência, confessa. Por isso, começaram a dizer-lhe para experimentar os noticiários e fazer reportagem. A ex-escsiana seguiu os conselhos e nunca mais largou o jornalismo. Nem sequer me vejo a fazer outra coisa”.

Uma vez que ingressou logo a seguir à Licenciatura no mercado de trabalho, mantém em cima da mesa a hipótese de tirar Mestrado ou Pós-graduação no futuro, enquanto estiver a trabalhar. Para já, quer continuar a aproveitar o seu percurso na Antena 1, como jornalista. Por acréscimo, desvenda que em breve vai começar a ser editora de si própria. “De vez em quando, se por acaso estiverem com insónias num fim de semana e se ligarem à Antena 1, de madrugada, podem apanhar-me a dar notícias e a ser pivô de noticiário”.  

Por fim, como trabalho de sonho gostava de fazer jornalismo de investigação, apesar de ter consciência de que é uma área difícil de alcançar dentro desta profissão, mas tenta ser otimista. 

Em jeito de conclusão, deixa o conselho:

Façam um site para utilizarem como portefólio com uma pequena descrição sobre vocês, os vossos trabalhos mais importantes e coisas que tenham feito nos núcleos. Acho que hoje em dia não chega o currículo. As pessoas querem ver o que temos para dar. Vão tentando, que as oportunidades hão de chegar. Fiquem abertos a várias opções. Podem não ir logo para o lugar onde sempre quiseram trabalhar, mas é preciso começar por algum lado.”

O sonhador e empenhado ex-escsiano André Maia tirou também Jornalismo na ESCS e garante que a experiência prática que leva lhe permitiu ter um maior contacto com o meio e com as rotinas profissionais do jornalismo, para além da rede de contactos que esta prática possibilitou criar, diferenciando, assim, a Licenciatura na ESCS das restantes.

O André destaca o professor Jorge Trindade, pelo primeiro impacto na Licenciatura e pelos infinitos ensinamentos linguísticos que recebeu. Nunca me vou esquecer do sentimento de ser surpreendido em cada aula de LEP (Língua e Expressão do Português) nas primeiras semanas na ESCS”.

O ex-estudante enfatiza também o professor Sena Santos, na unidade curricular relativa à Rádio, referindo-o como um símbolo da rádio em Portugal, descrevendo-o com “paixão”. Passa a paixão e o amor pela rádio e marcou-me por isso”. Por último, destaca ainda o professor Alexandre Brito, que teve numa cadeira relativa à televisão, visto tê-lo feito pensar em televisão quando sempre a pensou rejeitar. Marcou-o, assim, pelo ensino muito prático, objetivo e, por vezes, pouco ortodoxo, no bom sentido, garante. Levar com borrachas e canetas enquanto treinava um direto foi um dos momentos em que pensei: isto pode parecer parvo, mas é muito inteligente. Aprendi imenso com ele”.

André Maia enquanto membro da ESCS FM. Fotografia cedida pelo próprio.

Além disso, descreve a ESCS como “casa”, pois considera que será sempre uma segunda casa. O ex-estudante conta que aquilo de que mais gostou nesta fase da sua vida foi da sua experiência nos núcleos, nomeadamente na ESCS FM, sentindo-se orgulhoso por ter sido o seu Diretor-Geral. Expressa que foi a “menina dos seus olhos” e foi onde considera ter passado mais tempo, acrescentando que foram dias espetaculares e que guarda outras memórias muito bonitas do seu dia-a-dia. Dava tudo para passar mais um dia no -1 a falar com a malta.” 

Adicionalmente, fez também parte da ESCS Magazine e do E2 e integrou o Bola na Rede, um órgão de comunicação social desportivo que começou na ESCS, com quem fez alguns projetos em conjunto com o nAV. Garante que o Bola na Rede foi quem lhe deu a mão pela primeira vez e relata que foi aqui que os seus olhos começaram a brilhar com as oportunidades inimagináveis que teve. Foi esta experiência que lhe abriu a porta para o jornalismo desportivo que só pensou ser aberta anos mais tarde. 

Ainda não tinha acabado a Licenciatura quando concorreu e ficou numa rádio de informação, o Observador. Assim, fez o último semestre do curso por exame, sem ir às aulas, praticamente. Conta que uma das principais valências da parte prática que levou, quando comparando escsianos a outros estudantes da área, foi o facto de serem mais “desenrascados”. Dás um tronco a um escsiano empenhado que passou por núcleos e ele faz-te uma canoa.

Até ao momento, considera a experiência no Observador como uma aventura, por já ter feito um bocadinho de tudo. Acrescenta que tem ganhado uma bagagem que não pensava ter nesta altura e demonstra-se feliz e grato por ter tido oportunidades que não esperava ter tão cedo. Para o futuro, sonha no próximo ano relatar a final do Mundial com a Seleção Portuguesa, no Qatar. Abrir o microfone é especial. Ainda mais quando faço relatos. É mágico”. 

Por fim, o ex-escsiano deixa o conselho:

Cada pessoa e momento da tua vida tem um tempo diferente, não há um tempo certo. Aproveita as oportunidades, mas não te preocupes se achares que estás atrasado. Não estás. Tem respeito por ti mesmo, mas também não desperdices as oportunidades. E elas só vão aparecer se te empenhares ao máximo e, às vezes, se puseres o orgulho para trás. Sê equilibrado, confiante e tranquilo e tudo vai correr bem”.

A Mariana Neto Carriço é de Loulé, tem 23 anos e trabalha na MAGG. A trabalhadora e persistente ex-escsiana considera a ESCS como uma grande escola, não só em termos académicos, mas também uma verdadeira escola de vida, visto que dá aos seus alunos a oportunidade de contactar com pessoas de todos os cursos e de diferentes backgrounds, fazendo de cada um dos seus alunos pessoas melhores e mais ricas.

Mariana Carriço. Fotografia cedida pela própria.

A Mariana sente que a ESCS é feita de gente boa que gosta genuinamente de contribuir para o bem-estar dos outros, desde o senhor Rui da reprografia ao senhor Carlos dos estúdios, passando pelo Nuno Portugal, pelos professores e por todos os colegas que teve o privilégio de conhecer. A estudante conta que nunca se esquecerá da cadeira de televisão com o professor Paulo Sérgio, da generosidade e simpatia do professor Carlos Andrade e Filipe Montargil. 

Para além disto, expressa que, apesar da circunstância atípica de pandemia que viveu no último semestre do curso, gostou muito da cadeira de Jornalismo Multiplataforma com a professora Vera Moutinho e com os professores Rui Coutinho e Sena Santos. Em acrescento, garante que é impossível não referir as aulas da professora Ana Leal. É sempre bom ouvir as histórias profissionais de uma pessoa com tanta experiência no mercado de trabalho”.

A ex-escsiana descreve igualmente a ESCS como “casa”. Para quem está longe de casa, é muito importante encontrar um sítio assim e com pessoas assim. E a ESCS foi isso para mim: um sítio onde me senti em casa”.

A tuna foi e continua a ser o seu grande amor na ESCS. Além disso, passou pela ESCS FM e pela Associação de Estudantes durante o último ano de Licenciatura. Adorou a experiência e, embora tenha pena de não ter arranjado tempo para entrar mais cedo, considera que devemos agarrar os projetos quando sabemos que estamos dispostos a dar sempre o nosso melhor.

Adicionalmente, a estudante conta que sempre gostou muito de comunicar e que o que mais a fascina é o jornalismo, visto que todos os dias pode conhecer pessoas novas, histórias novas e pode dar voz a essas histórias. No caso da Mariana, um mês depois de ter terminado a Licenciatura, começou a estagiar no sítio onde se encontra agora a trabalhar. E, apesar de ter como objetivo trabalhar assim que terminasse o curso, achou que também fazia sentido continuar logo com um Mestrado e assim o fez. É, por isso, trabalhadora estudante.

Começou na MAGG em agosto de 2020 e por ainda lá estar, agora a trabalhar, já considera uma vitória. “O que pretendo é continuar a dar o meu melhor todos os dias e dar provas de que sou uma boa profissional e que mereço os votos de confiança que me têm vindo a ser dados”.

Além disso, conta que trabalhar na MAGG tem sido uma experiência incrível, principalmente por ter a oportunidade de trabalhar com pessoas que lhe têm ensinado muito. O seu objetivo a longo prazo é ser feliz e sentir-se realizada a nível pessoal e profissional. Se daqui a uns aninhos conseguir ter um bom ordenado a fazer o que gosto, ficaria muito feliz”.

Concluindo, deixa o conselho:

Vão à luta e não desistam dos vossos sonhos. Enviem muitos currículos, deem-se a conhecer, mesmo que sintam que ninguém quer saber de vós. Antes de pensarem em não enviar um currículo ou uma mensagem porque acham que ninguém vos vai responder, pensem que essa resposta também pode chegar e o “não” têm sempre garantido. E, acima de tudo, não desesperem porque a verdade é que nem sempre é fácil”.

Agora que conheceste o percurso destes três ex-escsianos, segue os seus conselhos e nunca desistas dos teus objetivos. Explora e descobre no que te dá mais prazer trabalhar. Nunca te esqueças: sê dedicado.

Artigo escrito por: Mariana Faria

Artigo revisto por: Maria Ponce Madeira

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