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    Os seis livros que me desiludiram

    A Inês Rebelo não escreve com o Novo Acordo Ortográfico. Falamos muitas vezes dos livros de que gostámos e que marcaram a nossa vida. Mas e aqueles livros que começámos a ler cheios de entusiasmo e se revelaram um “embuste”? A verdade é que esses também são muito importantes nas nossas vidas, sendo como marcos dos pontos baixos do nosso percurso literário; principalmente se, como eu, tiverem muita dificuldade em deixar um livro a meio. A leitura acaba por se arrastar dolorosamente, porque não somos capazes de voltar a meter o livro na prateleira, mas também não conseguimos pegar nele. Estes são os livros que ocuparam semanas da minha vida…

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    Uma perna sem dona, dois detectives e quatro suspeitos

    Recensão crítica ao livro “Career of Evil” “Career of Evil” é o terceiro livro de Robert Galbraith, pseudónimo da conhecida autora J. K. Rowling. Continuando a seguir a vida e negócio de Cormoran Strike, esta obra traz-nos mais uma aventura do detective e da sua secretária – parceira? –, Robin Ellacott. Desta vez, chega-lhes uma perna amputada ao escritório, endereçada a Robin. Começa então a demanda para descobrir a quem pertence a perna e quem a terá enviado; Strike e Robin investigam os seus quatro suspeitos, deliciando-nos como sempre com os estratagemas a que têm de recorrer, enquanto tentam ao mesmo tempo que o culpado não chegue a Robin. Tal…

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    De mão em mão

    Caí ao chão. Um ressalto, dois, e fiquei deitada no meio da multidão. Pisaram-me; um guincho, um riso; rebolei mais um pouco. Esperei. Silêncio. Passos soaram ao fundo, depois mais perto. Os passos pararam e eu fiquei na sombra. Pegaram-me. – Olha, alguém a deixou cair. Será que está boa? – voz feminina, mãos suaves… era definitivamente uma rapariga. Fez-me deslizar para dentro do bolso quente e apertado de ganga. Senti a contração e a descontração e percebi que tinha começado a andar. – Como estava a dizer, remarcaram-me o trabalho para a próxima semana – dizia a voz. – É uma sorte, nesta altura. O ruído aumentou e deixei…

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    As nossas escolhas literárias de 2015

    2015 está a terminar e, com o fim do ano, chegam as retrospetivas. A equipa de Literatura da ESCS MAGAZINE não quis ficar de fora e, por isso, hoje trazemos-te o livro preferido de cada um dos elementos desta secção. A escolha da Ana Rita Nunes é o livro “1984”, de George Orwell. Uma máquina do pensamento intemporal. “1984” foi, sem dúvida, o livro que mais me marcou este ano pela sua irreverência. Um grito. Uma exaltação. Um texto brilhante sobre os perigos de uma sociedade vigilante 24 sobre 24 horas. Os cidadãos deste mundo “imaginário” são marionetas nas mãos do poder. O lado mais negro da humanidade é colocado…

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    Português com futebol à mistura

    “Gente Famosa também dá pontapés na gramática” é um livro de Lauro Portugal que nos mostra diversos pontapés na língua dados por famosos, como políticos, atores, jornalistas, locutores de rádio, escritores, etc.. O autor apresenta-nos o erro, com a indicação de quem o deu – sempre ocultando o nome, embora por vezes seja fácil descobrir de quem se trata – e em que contexto, apresentando depois uma pequena explicação do porquê de a frase estar errada e alguns comentários pessoais. Lauro Portugal recorre com frequência a metáforas futebolísticas, tendo os capítulos nomes como “pontapé livre indirecto”, “cartão vermelho” e “grande penalidade”. Além disso, organiza o livro apresentando no início de…

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    Desenhador de Palavras – George Orwell

    Eric Arthur Blair é o nome verdadeiro de um dos melhores escritores que já pisaram este mundo: George Orwell, autor de obras como “1984” e “A Quinta dos Animais” (estes dois livros, juntos, venderam mais do que os dois melhores de qualquer outro escritor do século XX). Nasceu a 25 de junho de 1903, na Índia Britânica. Descendia de uma linhagem distinta: o seu bisavô era rico e dono de uma fazenda de escravos na Jamaica, e o seu avô era clérigo da Igreja Anglicana. Não chegou, no entanto, a herdar a fortuna dos seus antecessores. O seu pai trabalhava na Índia, para o governo britânico, pelo que durante alguns…

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    Eu e… Luís de Camões

    Não me lembro de não conhecer – de nome, claro – Luís Vaz de Camões. Isto é algo que qualquer português pode dizer, provavelmente; mas para mim o nome “Camões” sempre teve algo de especial. O meu avô, a pessoa que me passou a paixão pela escrita, amante da poesia e da Língua Portuguesa, sempre teve uma admiração enorme por este poeta do século XVI. Assim, desde pequenina ouvia os seus sonetos. Ainda me lembro a emoção que senti da primeira vez que estive ao lado da sua sepultura, no Mosteiro dos Jerónimos. Como passamos bastante tempo do nosso ensino básico e secundário a falar de Camões, já todos conhecemos…

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    Livro da semana: O Rapaz da Porta ao Lado

    Depois dos vários livros de “O Diário da Princesa”, adereçados ao público feminino pré-adolescente, Meg Cabot trouxe-nos “O Rapaz da Porta ao Lado”, mais indicado para um público também feminino, mas já mais “crescido”. Divertido, romântico, uma promessa de umas horas bem passadas. O livro conta-nos a história de Melissa Fuller, colonista de mexericos em Nova Iorque, constantemente atrasada, que encontra a vizinha, a Sra. Friedlander, quase morta, “vítima de um ataque brutal”. Mel fica decidida a descobrir quem fez tal coisa, e o seu novo vizinho, o sobrinho da Sra. Friedlander, vai merecer a sua especial atenção – como suspeito e como potencial parceiro romântico. A ideia em si…

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    Desenhadores de Palavras: Nora Roberts

      Eleanor Marie Robertson nasceu a 10 de Outubro de 1950, em Silver Spring, Maryland, sendo a mais nova de cinco irmãos. Hoje, com 64 anos, é uma das escritoras mais conhecidas e adoradas do mundo. Trabalhou algum tempo como secretária, embora tivesse pouco jeito: escrevia muito rápido mas não sabia soletrar bem as palavras. Depois de os filhos nascerem, decidiu ficar em casa, tentando sempre várias ocupações e trabalhos diferentes, mas sem resultado. Foi durante um nevão, em Fevereiro de 1979, que decidiu colocar no papel as ideias que há algum tempo lhe bailavam na mente, mais para salvar a sua sanidade do que para qualquer outra coisa, como…