• Opinião

    Popular ou populismo?

    Cristina Ferreira não é só uma apresentadora de televisão, não é só uma empresária de sucesso, não é só uma cara bonita que lidera audiências. É, sobretudo, o rosto da ascensão social portuguesa. No tempo dos meus avós, uma rapariga da Malveira estaria sempre condenada a ser a saloia que vinha à cidade vender couves ou servir nas casas mais ricas. Mas, Cristina Ferreira, hoje uma mulher de sucesso, que influencia diariamente centenas de milhares de espectadores, que vende roupa aos milhares, não teria, não há muitas décadas, outra coisa que fazer que não passasse por servir, nem outra coisa que vestir que não uma saia remendada e um avental…

  • Desporto

    Título a Três

    O campeonato nacional promete luta até ao fim. São sete as jornadas que nos separam do encerramento da prova, e, para já, nada está decidido. Do primeiro ao terceiro classificado distam apenas cinco pontos, algo que nos leva a colocar em cima da mesa todo o tipo de cenários. Porto, Benfica e Sporting dividem mais uma vez o protagonismo, numa disputa bastante acesa. Quem levará a taça para casa – isso só o futuro nos dirá. Em tempo de pausa para os particulares de seleções, os treinadores dos três grandes certamente afinam estratégias para o que resta da Liga NOS. É já no próximo fim-de-semana que as emoções voltarão aos…

  • Opinião

    O drama da couve

     Gente que é gente preocupa-se com coisas insignificantes. Nem se trata de ser português ou não: toda a gente tem um tema fetiche insignificante com o qual se preocupar. Irrita-me, por exemplo, pessoas que não se lembrem de coisas que aconteceram há pouco tempo, e irritam me erros ortográficos, mas isso não tem muito a ver com aquilo que vou abordar. De qualquer maneira, parece que se arranja sempre qualquer coisa de estúpido com o qual se faz uma tempestade num shot de água, mesmo que haja coisas muito mais importantes em que se pensar. É o que dá ter-se o costume de não se pensar em nada de jeito.…

  • Opinião

    Quando ateiam o meu fogo

    Não sou alguém particularmente sério, como já deu para perceber, mais ou menos. Não levo responsabilidades muito a sério, e prefiro fazer aquilo de que gosto mesmo quando tenho prazos a cumprir. Isso traduziu-se num aproveitamento académico mais fraco, mas consegui sempre ser suficientemente decente. Da mesma maneira, sou uma pessoa razoavelmente bem humorada, e gosto de me armar em engraçado, como também já deu para perceber (espero), mesmo em situações menos apropriadas e quando o tópico de discussão é mais delicado. Muitas vezes falo alto demais com muita gente à minha volta e sou muito pouco discreto quando me pedem para olhar para algum lado discretamente, por exemplo. No…

  • Opinião

    Redes sociais: a contribuição para o desaparecimento da privacidade

    Vivemos numa nova era. Numa era em que numa questão de poucos minutos podemos obter uma panóplia de informação acerca da vida de alguém. Numa era em que o registo fotográfico ou de vídeo de todas as nossas ações se tornou essencial para sermos considerados “normais”. Numa era em que, através de uma aplicação instalada no nosso telemóvel, nos podemos tornar nos influenciadores e, consequentemente, sermos remunerados por isso. Mas principalmente numa era em que, na minha opinião, já não existe privacidade, a não ser para aqueles que não utilizam redes sociais. As redes que se foram criando e desenvolvendo ao longo dos anos têm cada vez mais vindo a…

  • Opinião

    Era uma vez um eucalipto

    Esta crónica é escrita ao abrigo do novo acordo ortográfico   Assunção Cristas. O que dizer sobre a atual líder do CDS-PP que ainda não tenha sido dito? 13ª apóstola de Cristo? Fã incondicional da modalidade “assinar documentos sem os ler”? E que tal ministra do eucalipto? Sim, que grande tirada, João! É isso mesmo… O quê? Já lhe chamaram isso? Parece que vou ter de me reduzir a clone do Julian Casablancas. Enfim… Reza a história dos factos que em 2013, enquanto Ministra da Agricultura e do Mar no Governo de Pedro Passos Coelho, Assunção Cristas reverteu o Decreto-Lei nº 175/88 que punha algumas rédeas na plantação excessiva de…

  • Opinião

    A 4 Mãos: Adultério no casamento ou na justiça?

      Maria Moreira Rato (MMR): “O adultério de uma mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade de um homem.” — acreditas que esta frase consta num acórdão do Tribunal da Relação do Porto?   Marcos Melo (MM): O caso é insólito. O que, à partida, parece uma piada de mau gosto (não vivêssemos nós na era das fake news), é, de facto, um episódio verídico protagonizado pela Justiça Portuguesa, e materializado, para a posteridade, por este caricato Acórdão do Tribunal da Relação do Porto. É inadmissível que um juiz, a quem compete o escrupuloso cumprimento da Constituição Portuguesa, se guie por ideais machistas, misóginos e outros que tal.…

  • Opinião

    One More Time With Feeling

    Sempre sofri e sempre sofrerei de uma melomania moderada (que se inclina para o exacerbada) e, portanto, defendo que o ritmo, a melodia, a harmonia e, obviamente, a personalidade e o talento de quem nos transmite esses elementos exercem influência nos seres humanos. Neste artigo não pretendo contar-vos uma história da carochinha em que digo que a 1ª Arte (consoante a numeração “em vigor”) é extremamente poderosa porque assim e assado e pronto. Decidi basear-me em factos científicos e noutros de cariz emocional, na medida em que uma coisa é certa: odeio ouvir frases estranhas como “oiço música quando calha” ou “só oiço aquilo que passa na rádio”, porque todos…

  • Opinião

    De moda em moda, perde-se a nova geração

    Todos nós passamos pela adolescência e pela fase mais imatura, na qual o prato do dia é fazer um disparate que nos ajuda a crescer e que por vezes nem queremos recordar. No entanto, a nova geração tem-nos “brindado” com modas que nos fazem pensar sobre qual o rumo que está a seguir e como se deixa levar por essas ideias. Uma das modas mais conhecidas é a da “Baleia Azul”, um jogo em que as pessoas, influenciadas por um moderador, têm de realizar 50 desafios, entre os quais o visionamento de filmes de terror, a automutilação, a privação de sono e a escalada de edifícios altos. Após estes desafios,…

  • Opinião

    Sofrer por antecipação

    E pronto, passados três meses de total desleixo e lazer, o dia de regressar à ESCS chegou. Aí a meio de agosto, já estava desejoso de alguma “ação”, de fazer alguma coisa produtiva; agora que as férias acabam, estou já a pensar nas próximas. Mas isso não é algo que já não tivesse dito. Podia ter passado estas últimas semanas a preparar-me para este último ano de curso, mas preferi comprar um jogo. Já fiz as pazes comigo próprio por me ter desleixado quando tinha jurado a mim mesmo que não o iria fazer. Provavelmente, estas foram as minhas últimas férias de três meses, por isso acho que fiz bem…