• Literatura,  Secções

    Chamem o CPR. A escrita parou de respirar.

    Já tentaste mesmo tudo? “Sim”. Colocaste as palavras deitadas de costas sobre uma superfície dura? “Sim”. Sobrepuseste as mãos na metade inferior do externo do abecedário? “Sim”. Esticaste bem os braços e pressionaste as letras? “Sim”. De certeza que comprimiste as metáforas contra os paradoxos? “Sim”. Comprimiste e descomprimiste? “Sim”. Concluíste cinco ciclos de 30 compressões seguidas de duas respirações? “Sim”. A situação é crítica, mas não desistas. Chama o CPR. Eles têm 26 casos de sucesso de reanimação da escrita. O CPR – Grupo de Reanimação da Escrita foi criado em outubro de 2015 e desde esta data que tem como objetivo lançar desafios criativos aos seus membros, incentivando-os…

  • Opinião,  Secções

    Desculpa, Novo Acordo, mas a evolução é outra coisa

    *Este artigo funciona em complementaridade com o artigo “Como utilizar e odiar o Novo Acordo Ortográfico” anteriormente publicado na ESCS MAGAZINE.* Já ouvi vários especialistas e uns quantos não especialistas defenderem com unhas e dentes, e com algumas palavras caras, o Novo Acordo Ortográfico como uma coisa positiva. Volta e meia, reabre-se a discussão e lá vem a afirmação convicta de que a mudança na ortografia foi uma evolução para a Língua Portuguesa. Mas eu tenho de admitir que essa promessa de evolução não é capaz de me convencer. Não me levem a mal os defensores desta nova grafia. Não é uma embirração gratuita ou uma teimosia injustificada. A minha…

  • Literatura,  Secções

    Espera

    Espera! Não vás. Tenho muito para te dizer antes de partires, Coisas para te confessar, Segredos para revelar, Obrigados para te gritar. Espera! Não podes ir já. Tenho uma vida para te dar, Um mistério por desvendar, Uma despedida demorada para fazer, Um livro para escrever. Espera! Não partas já. Tenho um momento para te mostrar, Uma história para contar, Um sonho para viver, Um mundo para encontrar, Uma verdade para te dizer. Espera! Não vás já.

  • Literatura

    Desenhadores de Palavras: Sophia de Mello Breyner

    Sophia de Mello Breyner Andresen, filha de Maria Amélia de Mello Breyner e de João Henrique Andresen, nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1919. Maria Amélia era neta do conde Henrique de Burnay e filha de Tomás de Mello Breyner, conde de Mafra, médico, e amigo do rei D. Carlos. Do lado paterno, tem ascendência dinamarquesa, tendo sido o seu bisavô, Jan Heinrich Andresen, quem veio para Portugal, mais precisamente para o Porto. Aí, João Henrique comprou a Quinta do Campo Alegre, em 1895, que é hoje o Jardim Botânico do Porto. Colaborava na revista “Cadernos de Poesia” e quando frequentava Filologia Clássica na Universidade do Porto (curso…

  • Literatura

    Desenhador de Palavras: John Steinbeck

    “Um escritor deve acreditar que aquilo que está a fazer é o mais importante do mundo. E deve apegar-se a esta ilusão, ainda que saiba que não é verdade.” Quem o diz é John Steinback, um dos muitos escritores que deixaram a sua marca neste mundo através das palavras. Nasceu em 1902, em Salinas, no estado norte-americano da Califórnia e viveu toda a sua vida apaixonado pelos livros. Ainda muito novo, por influência dos pais, lia Dostoiévski, Flaubert e George Eliot. Conciliava as leituras com a vida no campo: gostava de observar os trabalhadores do Vale de Salinas, um lugar fértil ideal para a agricultura, a apenas 20 quilómetros do…