• 7ª Arte

    “The Father”: Por favor, protejam Sir Anthony Hopkins a todo o custo

    Talvez The Father não seja um filme para todos; mas é um filme que todos deveriam ver. Florian Zeller, romancista e dramaturgo francês, estreou a peça homónima (“Le Père”) em setembro de 2012, em Paris, e, depois de a mesma ter vencido um Prémio Molière e ter percorrido teatros de todo o mundo (incluindo Portugal), foi surpreendentemente transposta dos palcos para o grande ecrã. Quando decidiu dirigir The Father enquanto sua primeira obra cinematográfica, Zeller sabia bem que a personagem do pai tinha de ser interpretada por aquele que considera ser o “maior ator vivo” – Anthony Hopkins –, tanto que decidiu alterar o nome do protagonista de André para……

  • Literatura

    Escrever direito por linhas tortas: A resistência singrante das mulheres na Literatura portuguesa

    A mulher é um elemento muito forte e presente na Literatura, tanto como personagem ficcional, como sua criadora. Todavia, a sua afirmação enquanto autora nem sempre foi um caminho facilitado ou, mais do que isso, creditado. Antes escrevia às escondidas, ao reconhecer que a sua condição enquanto mulher a impedia de ser levada a sério como escritora e pensadora. Fazia-o de forma discreta ou sob pseudónimo. Prova disso é a recente investigação conduzida por Vanda Anastácio, professora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa que publicou, em 2013, a obra “Uma Antologia Improvável – A Escrita de Mulheres”, revelando mais de mil mulheres escritoras em Portugal, entre os séculos…

  • 7ª Arte

    Cineteka: Porque é que os clubes de vídeo se tornaram uma espécie em vias de extinção?

    Ainda és da geração que conheceu os videoclubes? Fazes sequer ideia do que é que se trata? Já sentiste a adrenalina de alugar um filme e levá-lo para ver em casa, sabendo que terás de o devolver dali a uns dias? Bem, ainda vais a tempo, porque os videoclubes podem ser raros e até old school, mas ainda existem. A Cineteka sobrevive e, ao que tudo indica, está para durar. Tudo começou com a criação de um site na Internet, no ano de 2004 (estavam ainda os clubes de vídeo em voga), e, dois anos mais tarde, o mesmo adquiriu vida num espaço físico localizado no Parque das Nações. Hoje,…

  • Opinião

    Raios partam as pessoas que amamos por terem de morrer

    “Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar?” Não sou eu quem o questiona, é Miguel Esteves Cardoso. Se calhar, até podia ter sido eu a escrever isto, à minha maneira, porque o senti e sinto. Este foi dos primeiros textos sobre a morte e sobre o processo de luto que li depois de eu própria ter sofrido na pele a perda irreparável de alguém que amo. No humor que lhe é (re)conhecido, Esteves Cardoso diz-nos aquilo…

  • Literatura

    BookCrossing: quando a história de um livro não se limita às suas páginas

    Que os livros nos fazem viajar já todos sabemos. O que nos falta saber é que eles também viajam – e não apenas quando os enfiamos, a todo o custo, na nossa bagagem, mesmo que esteja a abarrotar, simplesmente porque não podemos prescindir da sua companhia. A prática (ou movimento, se isso lhe conceder o grau alternativo que merece) de BookCrossing surgiu no ano de 2001, nos Estados Unidos da América. A palavra “BookCrossing” tornou-se tão popular que, três anos após a sua criação, foi adicionada ao Oxford English Dictionary como “a prática de deixar um livro em lugar público para que outra pessoa possa encontrá-lo, lê-lo e depois deixá-lo…

  • 7ª Arte

    I Care a Lot: preocupar-se tanto com tão pouco

    Enquanto escritor e realizador, o britânico J Blakeson conseguiu a proeza de reunir, no mesmo elenco, vários nomes que não passam despercebidos ao espetador: a veterana e vencedora de dois Óscares Dianne Wiest (Edward Scissorhands), Eiza González (Baby Driver), Peter Dinklage (da série Game of Thrones) e, claro, Rosamund Pike – quanto a esta última, continua a ultrapassar a minha capacidade de compreensão por que motivo não arrecadou todos os prémios e mais alguns com o seu papel em Gone Girl. Embora o filme tenha sido gravado em 2019 e estreado no ano seguinte no Festival Internacional de Cinema de Toronto, I Care a Lot (Tudo Pelo Vosso Bem em…

  • Literatura

    José Miguel Costa: “Escrever este livro não foi um sonho apenas meu, mas também de todas as pessoas da minha terra”

    História, devoção e futuro: é através destas três palavras que José Miguel Costa descreve a sua terra. O jovem de 21 anos, natural de Santa Bárbara de Padrões, uma aldeia situada em Castro Verde, no distrito de Beja, Alentejo, escreveu e publicou, no ano de 2018, uma monografia sobre a freguesia homónima – “Santa Bárbara de Padrões – a Identidade de uma Freguesia” –, a qual descreve como sendo “uma declaração de amor” à sua terra. José Miguel Costa, que tinha somente 18 anos quando deu início ao processo que resultaria nesta obra, afirma que o seu objetivo sempre foi registar a história local, as suas gentes, as tradições e…

  • Opinião

    Eutanásia: A dignidade da liberdade de escolha em detrimento da ética?

    *Artigo redigido para a Edição Especial de dezembro – “Remédio Santo” Uma palavra quase tabu. Fala-se em eutanásia e arrancam-se cabelos, voam cadeiras pelo ar, vociferam-se insultos – ou nem tanto; mas quase. Se pensarmos bem, o mesmo acontece quando se fala, por exemplo, da legalização do aborto – são temas que tocam na ferida e que poderão ser, por muitos, considerados dogmatismos, ainda que Portugal seja um Estado laico.  A palavra “eutanásia” tem origem no grego “eu”, que significa “boa”, e “tanathos”, que quer dizer “morte” – o que significa, literalmente, “boa morte”. Remete para o ato de tirar a vida a alguém por solicitação, visando acabar com o…

  • Literatura

    A Arte Subtil de Saber Dizer Que Se F*da à pandemia

    Quantas vezes, durante as diferentes etapas de confinamento pelas quais já passámos desde março de 2020, fomos espreitar a nossa prateleira dos livros (não estou nem sequer a perguntar quantos é que, efetivamente, lemos, pois isso daria assunto para outro artigo)? Eu já o fiz várias vezes. Da última vez, houve um livro em especial que prendeu a minha atenção: A Arte Subtil de Saber Dizer Que Se F*da, do autor norte-americano Mark Manson. Apesar de já o ter ‘devorado’ em 2018, ano em que a tradução portuguesa foi publicada através da chancela Desassossego do grupo editorial Saída de Emergência (a obra original fora publicada dois anos antes), não pude…

  • 7ª Arte

    “Malcolm&Marie”: a toxicidade de um amor a preto e branco

    Malcolm & Marie, da autoria de Sam Levinson – o criador da série da HBO Euphoria – , estreou no passado dia 5 de fevereiro, na Netflix. O filme começa com um jovem casal a regressar a casa, depois da estreia do primeiro grande sucesso do cineasta Malcolm Elliot (interpretado pelo ator John David Washington). É imediatamente percetível que a sua namorada, Marie (interpretada pela atriz Zendaya), não se encontra no mesmo espírito de celebração, mantendo-se distante e pouco faladora. Eventualmente, Marie revela que o motivo para a sua frieza é o facto de Malcolm não lhe ter agradecido durante o seu discurso, especialmente porque o filme foi baseado na…