• 7ª Arte

    I Care a Lot: preocupar-se tanto com tão pouco

    Enquanto escritor e realizador, o britânico J Blakeson conseguiu a proeza de reunir, no mesmo elenco, vários nomes que não passam despercebidos ao espetador: a veterana e vencedora de dois Óscares Dianne Wiest (Edward Scissorhands), Eiza González (Baby Driver), Peter Dinklage (da série Game of Thrones) e, claro, Rosamund Pike – quanto a esta última, continua a ultrapassar a minha capacidade de compreensão por que motivo não arrecadou todos os prémios e mais alguns com o seu papel em Gone Girl. Embora o filme tenha sido gravado em 2019 e estreado no ano seguinte no Festival Internacional de Cinema de Toronto, I Care a Lot (Tudo Pelo Vosso Bem em…

  • Literatura

    José Miguel Costa: “Escrever este livro não foi um sonho apenas meu, mas também de todas as pessoas da minha terra”

    História, devoção e futuro: é através destas três palavras que José Miguel Costa descreve a sua terra. O jovem de 21 anos, natural de Santa Bárbara de Padrões, uma aldeia situada em Castro Verde, no distrito de Beja, Alentejo, escreveu e publicou, no ano de 2018, uma monografia sobre a freguesia homónima – “Santa Bárbara de Padrões – a Identidade de uma Freguesia” –, a qual descreve como sendo “uma declaração de amor” à sua terra. José Miguel Costa, que tinha somente 18 anos quando deu início ao processo que resultaria nesta obra, afirma que o seu objetivo sempre foi registar a história local, as suas gentes, as tradições e…

  • Opinião

    Eutanásia: A dignidade da liberdade de escolha em detrimento da ética?

    *Artigo redigido para a Edição Especial de dezembro – “Remédio Santo” Uma palavra quase tabu. Fala-se em eutanásia e arrancam-se cabelos, voam cadeiras pelo ar, vociferam-se insultos – ou nem tanto; mas quase. Se pensarmos bem, o mesmo acontece quando se fala, por exemplo, da legalização do aborto – são temas que tocam na ferida e que poderão ser, por muitos, considerados dogmatismos, ainda que Portugal seja um Estado laico.  A palavra “eutanásia” tem origem no grego “eu”, que significa “boa”, e “tanathos”, que quer dizer “morte” – o que significa, literalmente, “boa morte”. Remete para o ato de tirar a vida a alguém por solicitação, visando acabar com o…

  • Literatura

    A Arte Subtil de Saber Dizer Que Se F*da à pandemia

    Quantas vezes, durante as diferentes etapas de confinamento pelas quais já passámos desde março de 2020, fomos espreitar a nossa prateleira dos livros (não estou nem sequer a perguntar quantos é que, efetivamente, lemos, pois isso daria assunto para outro artigo)? Eu já o fiz várias vezes. Da última vez, houve um livro em especial que prendeu a minha atenção: A Arte Subtil de Saber Dizer Que Se F*da, do autor norte-americano Mark Manson. Apesar de já o ter ‘devorado’ em 2018, ano em que a tradução portuguesa foi publicada através da chancela Desassossego do grupo editorial Saída de Emergência (a obra original fora publicada dois anos antes), não pude…

  • 7ª Arte

    “Malcolm&Marie”: a toxicidade de um amor a preto e branco

    Malcolm & Marie, da autoria de Sam Levinson – o criador da série da HBO Euphoria – , estreou no passado dia 5 de fevereiro, na Netflix. O filme começa com um jovem casal a regressar a casa, depois da estreia do primeiro grande sucesso do cineasta Malcolm Elliot (interpretado pelo ator John David Washington). É imediatamente percetível que a sua namorada, Marie (interpretada pela atriz Zendaya), não se encontra no mesmo espírito de celebração, mantendo-se distante e pouco faladora. Eventualmente, Marie revela que o motivo para a sua frieza é o facto de Malcolm não lhe ter agradecido durante o seu discurso, especialmente porque o filme foi baseado na…

  • Opinião

    É urgente falar de Aristides de Sousa Mendes

    No passado dia 27 de janeiro assinalou-se o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, no 76º aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Tal serviu como pretexto para se evocar, de várias formas, a incontornável figura de Aristides de Sousa Mendes.  Teria cerca de oito ou nove anos quando o meu pai, natural de Canas de Senhorim, distrito de Viseu – íamos nós a caminho da sua terra natal –, fez um desvio por Cabanas de Viriato, uma freguesia vizinha. Na pacatez da aldeia erguia-se uma estupenda mansão em completa ruína. Embora desgastada pelo tempo e pela falta de habitação, não me recordava de ter visto…

  • 7ª Arte

    Quando a pandemia também vai ao Cinema (da Villa)

    *Artigo redigido para a edição especial de dezembro, “Remédio Santo” O elevador do centro comercial CascaisVilla, em plena Avenida Marginal, em Cascais, abre para revelar o piso do cinema completamente vazio. Para acedermos ao piso que é completamente ocupado pelo cinema, no pequeno e pouco movimentado centro comercial, ou apanhamos o elevador, ou descemos uma enorme escadaria. Talvez seja por essa razão que O Cinema da Villa, a funcionar desde 2015, se parece deslocado e muito pouco integrado naquele meio, assemelhando-se mais a um cinema de rua. Lá dentro encontram-se apenas dois funcionários por trás do balcão da bilheteira. Levanta-se a dúvida se, àquelas horas, a tranquilidade em demasia se…

  • 7ª Arte

    “A rir, a rir, dizem-se as verdades”: As melhores comédias francesas dos últimos anos

    Enganamo-nos se pensamos que as comédias têm a função única de nos fazer rir. Em tempos de crise e de inquietação, como aquele que atravessamos, o humor surge como uma bóia salva-vidas. O melhor entretenimento cinematográfico é aquele que transcende os limites do mero lazer e até das paredes da sala de cinema, fazendo o público refletir, questionar e emocionar-se. O humor perspicaz, excêntrico e lacerante do estilo de comédia francês – respeitado por alguns, olhado de lado por outros – é reconhecido por todo o mundo. Em Portugal, este género tem vindo a crescer e a ganhar cada vez mais apreciadores. A razão? Seja pelos diálogos rápidos e atrevidos…

  • Opinião

    A influência dos influencers (ou a falta dela)

    Confesso que não sei o que é pior: pessoas que se autointitulam como influencers ou aquelas que utilizam esta palavra a torto e a direito. Já dizia a Filomena Cautela que a única coisa que se sentia influenciada a fazer era uma laqueação de trompas. São criadas tendências em redes sociais como o Instagram, o YouTube, o Facebook ou o Twitter. Geram-se fenómenos de popularidade e as marcas tornam-se virais através dos so-called influenciadores, ao colocar o foco em pessoas que podem vir a ter influência sobre potenciais compradores, os quais, por sua vez, pertencem à sua lista de followers – que nem efeito de Flautista de Hamelin. Um arrepio…

  • Literatura

    Sete monstros literários catapultados para a Sétima Arte

    Já dizia o provérbio popular: “não julgues um livro pelo seu filme” (é assim que se diz, certo?). Ao ler as linhas de uma narrativa, é impossível que o leitor não imagine e personifique, na sua mente, cada uma das suas personagens. Adaptar uma obra literária para o grande ecrã não é, por isso, tarefa fácil, perante a exigência dos fãs que aguardam que a versão cinematográfica seja o mais fidedigna possível. É, igualmente, uma tarefa ingrata para os cineastas, já que cada um dos leitores “dá vida” de forma diferente a cada um dos intervenientes na história. Já dizia outro provérbio popular: “não se pode agradar a gregos e…