Capital

Implicitamente, comunicativos

Sou estudante, sou escsiana e isso, implicitamente, torna-me comunicativa. Vim para a capital de forma a conseguir absorver oportunidades de perto e, quando vos falo em oportunidades, não digo apenas a nível académico. Falo sim de oportunidades que nos fazem crescer como pessoas, porque antes de qualquer formação profissional vem sempre uma boa formação pessoal. E sem dúvida que um grande passo para isso é sairmos da nossa zona de conforto; talvez seja até gigantesco, quando não são apenas 5 dias ou uma diferença de 5 km. Um passo que compensa proporcionalmente o seu tamanho, porque quanto menos limitarmos a distância, mais fronteiras abrimos.

No entanto, a descoberta, apesar de gratificante, não se torna menos humana e nós precisamos de alimentar diariamente esta necessidade de estar em contacto com o mundo, com o nosso mundo, mesmo que esse nosso mundo esteja a nove dezenas de quilómetros, três fronteiras ou um oceano de distância.

As redes sociais vieram revolucionar e facilitar o conceito de comunicar. Parece inacreditável mas há uns meros trinta anos não era possível manter contacto de forma tão credível a nível visual e temporal como hoje conseguimos. Foi em 1987 que o Erasmus foi lançado, movendo consigo mais de três milhões de estudantes europeus desde então. Estudantes que beneficiaram da oportunidade de ir para o estrangeiro, quer para estudar numa universidade, quer para estagiar numa empresa e que ultrapassaram obstáculos comunicativos que se foram desvanecendo ao longo destas últimas três décadas.

Admito, senti-me confortada ao ficar online no primeiro dia em que fechei a porta e fiquei apenas comigo mesma na capital. Ter uma plataforma à minha disposição que me permitia sentir que continuava a ter as pessoas de quem gostava perto de mim – ou à distância de um click – apesar de tão longe estar. Sou apologista da teoria que justifica o reincidente apego às redes sociais pelo conforto e enquadramento que estas nos dão. Sentimo-nos cosmopolitas na nossa melhor vertente: a sociável.

Mas não só falo da minha experiência como também daquelas que tive a felicidade de presenciar. Estive dois anos numa residência internacional e ainda hoje sugiro a experiência a amigos, colegas e, neste caso, leitores. Dividir um apartamento com mais de oito nacionalidades diferentes não só é desafiante como nos alerta para situações sobre as quais nunca reflectimos. E, se por vezes é caricato chegar a comunicar com a nossa colega de casa de forma online quando uma só parede nos separa, outras vezes era com alguma admiração que a via a dar uma entrevista de trabalho pelo skype, num registo mais sério. É cada vez mais importante reflectir sobre este aspecto. As redes socias não só nos confortam, como se tornaram a nossa melhor ferramenta de trabalho. Têm a capacidade de potenciar o nosso leque de oportunidades de uma forma incalculável e ilimitada, tal como é o caso da entrevista entre dois lados opostos do mundo.

Optámos por tornar a necessidade no nosso trabalho e cada vez mais dependemos das redes sociais para que a nossa palavra seja ouvida. Somos estudantes, somos escsianos e isso, implicitamente, torna-nos comunicativos.

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