• Artes Visuais e Performativas

    A Arte da Fome

    Dois homens em cena, uma enorme capacidade de interpretação, uma luz da moda da Primark a centro do palco e uma sala cheia, ao ponto de dizerem à entrada “Sente-se onde quiser”. O ambiente não poderia ser mais apropriado à compreensão e empatia gerada pelos três contos kafkianos, “O Primeiro Sofrimento”, “Josefine, a Cantora ou o Povo de Ratos” e “Um Artista da Fome”. No modesto palco do teatro São Luiz estes contos ganharam vida, numa devoção à arte quer das personagens, quer dos atores. O trapezista, numa presença etérea representado por um feixe de luz, transmitia ainda assim o seu perfeccionismo e peculiaridades. A encenadora, Carla Bolito escolheu a…

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    Aguarelas no Palácio

    O Palácio Nacional de Mafra celebra, no corrente ano, 300 anos de existência e, em forma de celebração, recebe o trabalho de Paulo Ossião. O Palácio Nacional de Mafra festeja o seu tricentenário e recebe as aguarelas do artista Paulo Ossião, que se encontram lado a lado com as peças permanentemente em exposição. As peças em exposição resultam essencialmente de um trabalho introspetivo: o artista, cuja carreira foi impulsionada pelo amor que a propópria mãe nutria pela pintura, tratou de desmontar as várias componentes do monumento barroco e de as pintar, em aguarela, segundo o significado e dimensão que para ele representam. A disposição das telas promove, segundo Mário Pereira,…

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    Almada Negreiros – Uma maneira de ser moderno

    É ao entrar numa sala escura de ambiente familiar do museu Calouste Gulbenkian que se dá os primeiros passos no conhecimento de um dos maior artistas portugueses do século XX – José de Almada Negreiros. Como bom modernista, Almada Negreiros percecionava a arte e a sociedade de uma forma diferente da que era comum do início do século XX, debatento e pintando sobre temas que não eram bem vistos à data. Foi um dos impulsionadores do modernismo português tendo tido em mãos projetos como a revista orpheu, a revista quadro azul k4, projetos vanguarditas repudiados pelo povo português mas que foram essenciais para o arranque do modernismo em terra lusitana.…

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    Agenda Cultural

    E, com o mês de dezembro a dizer-nos «olá» pela frincha da porta, está na altura de retribuirmos, descobrindo tudo o que vai acontecer neste que é um mês cheio de magia, luz e cor. A tua magazine dá-te umas dicas! Visita a exposição «Follow Me», do artista plástico Noel Fischer, na Galeria Monumental – até ao dia 12 de dezembro (de terça a sábado, entre as 15h e as 19h30). Aqui, podes encontrar pintura a óleo e duas séries recentes de azulejos. A primeira é constituída por «700 azulejos pintados a três cores, nos quais o artista grafitou esboços a partir dos seus diários gráficos dos últimos dez anos».…

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    Amadora, a Capital da Banda Desenhada

    Entre os dias 21 de outubro a 6 de novembro, decorre na Amadora a 27.ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada, “Amadora BD”, sendo este um dos mais importantes eventos da 9.ª Arte na Europa.       Os objetivos deste evento passam pela promoção da banda desenhada e das artes que lhe são próximas (cartoons, ilustração, entre outras) e pelo incentivo à leitura através do contacto com alguns ilustradores que estão presentes no evento, havendo ainda espaço para discussões, reflexões e perguntas, tudo no âmbito da banda desenhada. O principal núcleo deste evento é o Fórum Luís de Camões, situado na Brandoa, Amadora, e é lá que se…

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    Podem os videojogos ser arte?

    É tortuoso definir o segundo substantivo que titula esta crónica. Maior do que a discórdia sobre a origem da ética, e conseguindo até bater a eterna questão acerca da veracidade do cabelo do Donald Trump, é a pergunta sobre a ontologia da arte. O espectro estende-se dos “estritos”, aqueles para quem a arte se restringe à mimese pintada, aos “latos”, os que diluem de tal forma a definição da palavra que esta perde todo e qualquer significado – “arte é levantar-me a meio da noite para beber água”. É óbvio o simbolismo sobre os problemas energéticos que afetam a África subsariana, não acham? Algures no meio encontra-se a razão. Eu…

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    Artista do Mês – Mário Linhares: «O desenho é a melhor forma de conhecer o mundo.»

    Cinco da tarde e uma pastelaria na Capital. Vislumbra-se uma mão a segurar um caderno. De sorriso fácil e sem pressas, Mário Linhares fala da sua profissão como sendo uma extensão da sua própria vida. «Sou professor por escolha e desenhador por vocação», revela. Retrato de Linhares feito por Lapin Quando começou a dar aulas? Em 2001, no Colégio das Doroteias no Linhó, em Sintra. Eles precisavam de um professor de Educação Visual; eu morava em Sintra, então perguntaram-me se queria. Eu tinha 21 anos e decidi experimentar, mas nunca foi algo que me passasse pela cabeça. E, quando comecei a dar aulas, gostei muito. Senti que, se desenhasse mais,…

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    O lápis de pomar e o ferro de chafes

    Quando a arte assume duas formas físicas, servindo o mesmo propósito, não existe qualquer aspecto passível de ser considerado um erro, uma imperfeição ou uma desconexão com a realidade. E é isto que o Atelier Museu Júlio Pomar – na Rua do Vale, em Lisboa – nos apresenta até dia 21 deste mês: a escultura e o desenho numa relação de confronto e, simultaneamente, de total harmonia. Júlio Pomar e Rui Chafes: Desenhar dá início a um programa de exposições do Atelier Museu cujo objectivo é cruzar a obra de Júlio Pomar com a de outros artistas plásticos, de forma a «estabelecer novas relações entre a obra do pintor e…

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    Primeiro Impacto em Primeiros Sintomas com Thomas Mendonça

    Um sábado outonal típico. No Cais do Sodré distingue-se facilmente quem mira estas paisagens pela primeira vez de quem já é visitante habitual. Esse era o meu caso. Contudo, surgiu-me a oportunidade de visitar um espaço do qual nunca ouvira falar – o Primeiros Sintomas. Um local intimista, acolhedor, situado mesmo por detrás do Mercado da Ribeira, onde se realizam desde pequenas produções de teatro como exposições. E foi no Primeiros Sintomas que estive à conversa com Thomas Mendonça: jovem francês de 24 anos que reside, actualmente, em Lisboa, cidade onde estudou desde cedo. Proprietário de um talento inspirador, divertido e capaz de nos pôr a reflectir, a sua produção…

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    Um corredor silencioso, luz e arte

    Antagonismo extremo é aquilo que encontramos na Fundação Calouste Gulbenkian – antagonismo entre a natureza viva do exterior do edifício e a natureza morta do interior, perceptível através da exposição intitulada Meeting Point 2, aberta ao público até 26 de Outubro. Meeting Point 2 é a segunda de um ciclo de pequenas exposições, cujo objectivo principal é criar um confronto entre as colecções do Museu Gulbenkian e do Centro de Arte Moderna, permitindo ao público conhecer melhor os artistas e a obra que os caracteriza. Depois de um confronto entre o trabalho de Rembrandt e de Paula Rego, no ano passado, podemos, agora, presenciar um diálogo pleno entre a obra…