• Literatura

    Meses Temáticos – Maio de 2017

    O ano letivo está a terminar. Os exames estão aí à porta. Os resumos, os marcadores e as sebentas acumulam-se nas secretárias e os livros que lemos por prazer começam a ficar esquecidos na estante. Assim, para não nos esquecermos dos livros que nos marcaram ao longo deste ano e para não mergulharmos apenas nos estudos, nós, redatores da seção de literatura, reunimo-nos e escrevemos sobre os livros que mais nos marcaram até aqui, desde setembro até maio. Esperemos que aprovem as nossas seleções e que, por muito que tenham de estudar, guardem sempre 15 minutos para ler uma página do vosso livro preferido! Madalena Costa – After Ever Happy…

  • Literatura,  Secções

    Centro ou Caverna?

    A Caverna é uma obra de José Saramago – um romance na verdade – publicada no ano 2000. A sua história trata-se da descrição do impacto que a nova economia pode exercer nos meios tradicionais. Ou seja, descreve de forma aprofundada uma família de oleiros que vê a sua vida a mudar completamente devido à chegada de um centro de compras à cidade. Cipriano Algor, principal fornecedor de loiças artesanais para o centro, acaba por ver os seus serviços dispensados visto que na vida moderna as pessoas preferem utensílios de plástico. Aliás, “moderno” e “cómodo” são as palavras mais utilizadas para descrever aquele centro que se comparava a um prédio…

  • Atualidade

    Pilar del Río vence o Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura 2016

    A jornalista ganhou este prémio pelo seu trabalho como fundadora da Fundação José Saramago, “dedicada à defesa dos Direitos Humanos”. Nasceu em Sevilha em 1950 é jornalista e tradutora. Casou em 1988 com o escritor José Saramago. Criou a Fundação José Saramago, à qual preside atualmente. O prémio no valor de 75 mil euros visa distinguir um autor, pensador ou criador que tenha contribuído para a cultura de Portugal e Espanha e para um maior conhecimento da criação ou do pensamento. Pilar foi escolhida pela sua “promoção da literatura portuguesa e ao intercâmbio da cultura portuguesa, espanhola e latino-americana”, referiu o júri. Teve também um importante papel nos “valores da…

  • Artes Visuais e Performativas,  Secções

    Nem a morte os separa

    Fernando Pessoa morreu e esqueceu-se de levar consigo Ricardo Reis. Pouco depois da morte do mestre modernista, um rapaz de 17 anos conheceu um médico poeta na biblioteca da escola industrial. O tempo também levou este rapaz. No entanto, o tempo trouxe-os a todos de volta. O encontro acontece no palco do teatro A Barraca de quinta a domingo. Baseado no livro que José Saramago publicou não aos 17 mas aos 62 anos, 1936: O Ano da Morte de Ricardo Reis é um espetáculo sobre o último ano de vida de um dos mais conhecidos heterónimos pessoanos. A peça conta os principais acontecimentos históricos nacionais e internacionais do ano de…

  • Artes Visuais e Performativas

    Se não sais de ti, não chegas a saber quem és

    Seguindo a preceito o texto do Conto da Ilha Desconhecida, de José Saramago, a encenação de Rita Lello, n’A Barraca, em Santos (Lisboa), é, mais do que uma lição de vida, uma aula da arte de fazer teatro. Os homens do leme são quem nos guia. Quem nos leva lá aonde temos de ir, quem nos ruma lá para onde está nosso destino traçado, seja ele conhecido, seja ele uma incógnita, uma dúvida, um desejo, ou sonho somente. O homem do leme nos leva; nos conduz. É assim que começa o espetáculo: ao bar, no segundo piso do cansado prédio d’A Barraca, vem um homem, de fato-macaco amarelo, meias de…

  • Literatura,  Secções

    Letras, linhas e cores

    Um livro é mais do que páginas constituídas por palavras que se dividem em letras. Um livro é feito por várias pessoas. Há quem o escreva, quem o corrija, quem o preencha com desenhos, quem o imprima, quem o leia. Esquecemo-nos frequentemente de muitas destas pessoas, por isso a Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira dedica, entre 3 de março e 8 de maio, uma sala ao poder da ilustração e do design na produção editorial portuguesa. No âmbito do ciclo EmaisE – Exposições Editoriais, “Livros em família. Silva 2004-2016” é uma porta aberta para o atelier Silvadesigners, responsável por algumas das mais famosas capas de livros e catálogos. O…

  • Literatura,  Secções

    Paredes com Histórias

    Fotos: Ana Rita Nunes e Pedro Miranda Nestas paredes está um convento, que foi mandado construir por um rei que queria descendência. Aqui cabe um povo inteiro. Um povo pobre, faminto e oprimido pela monarquia e pela Igreja. Há um padre que sonha em voar e que apadrinha a união de um casal que não tem a bênção da Igreja. Há um ex-militar sem mão que se une a uma rapariga que, quando em jejum, consegue ver o interior das pessoas. Esta rapariga consegue ver por dentro, mas há outros que nem por fora. Aqui há também quem não queira não ver. Há uma cegueira coletiva. Está cá um homem…

  • Literatura,  Secções

    De erva daninha a nobel da literatura

    Desenhador de Palavras: José Saramago “Saramago, s. m. nome vulgar de umas ervas daninhas, comestíveis, anuais ou bienais, da fam. das Crucíferas, frequentes nos terrenos cultivados em Portugal, e também chamadas rábano-silvestre, rabano-bastardo ou saramago-maior e cabresto.” (in 5º edição do Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora) A alcunha do pai serviu de nome para o filho, porque o funcionário do registo assim o entendeu. Descendente de José de Sousa e Maria da Piedade, José de Sousa Saramago nasceu no dia 16 de novembro de 1922, em Azinhaga, embora esteja registado como tendo nascido dois dias depois, para escapar a uma multa por desrespeito ao prazo legal de registo. Ribatejano…

  • Literatura

    As Intermitências da Morte

    Quando lemos o Memorial do Convento, facilmente percebemos o porquê de Saramago ter recebido o prémio Nobel da Literatura, em 1998. As Intermitências da Morte é uma obra de José Saramago publicada em 2005, que, juntamente com a sua restante bibliografia, nos faz questionar a Academia Sueca sobre o porquê de apenas ter atribuído um prémio ao autor português. “No dia seguinte ninguém morreu”, é desta forma que começa e termina esta narrativa sarcástica sobre um país em que ninguém morria. O romance retrata um país no qual se deixou de morrer e o pânico que tal gerou na sociedade: o medo de se ser imortal, e viver assim na…

  • Opinião

    Alabardas Aldrabadas

    Nunca gostei de mortos. Nunca fui a um funeral e a ideia da morte faz-me confusão. Pior: histórias de mortos. Não. Pior: coisas que aparecem feitas por pessoas que já estão mortas. Há poucos dias, saiu um livro de um escritor que já morreu: José Saramago. O livro tem como título Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas e não tinha sido terminado. O Nobel português deixou escritas vinte e duas páginas e algumas notas. A pergunta que se impõe é simples: isso chega? Chegam vinte e duas páginas e algumas notas para saciar um verdadeiro fã de Saramago? Para um verdadeiro amante de Saramago, não. E é fácil dizer por quê: essas…