• Opinião

    Sentido da vida?

    Estou perto da respostaÀ pergunta de que ninguém gosta.Talvez seja o primeiro a descobrirE o último a fazer por existir. Não concordo com a ideia de viver intensamente,Peço a Chaplin que me perdoe.Prefiro viver normalmente,Esperando que a banalidade me magoe. Alan Watts que por mim viva,Se o sentido da vida assim o for;Se não for, alguém que digaE me ensine a lidar com a dor. A pergunta pode parecer simples,Mas não sei o que tenho eu vivido.Mentir-vos-ei com esta resposta:A vida tem todo o sentido. Por Diogo Sardinha Fotografia de Miguel Melo

  • Opinião

    Divagações sobre a impunidade

    Fiel à religião do bom senso simplista, acreditei que estava na punição e, concretamente, na autopunição a única forma de as pessoas se salvarem. As pessoas procuram sempre a punição para redimir a sua culpa, religiosas ou não. A punição esboça uma solução que nos parece satisfatória para os erros terríveis, porque ela promete limpar a alma, seja lá o que isso for, propiciando um efeito sucedâneo, indireto, de esquecimento a respeito da dita ação que violou violentamente as premissas do bom senso. Durante todo este tempo (cerca de um ano, para ser exato), procurei, a título pessoal, a via da autopunição, de modo a obter perdão a respeito de…

  • Media

    It’s Okay Not To Be Okay: não é um conto de fadas

    It’s Okay Not To Be Okay é o mais recente sucesso sul-coreano lançado pela Netflix, em 2020. Protagonizado por Kim Soo Hyun, Seo Ye Ji e Oh Jung Se, este drama retrata a história de três personagens que, apesar de caóticas, encaixam como um puzzle. Se nunca perscrutaste a ficção coreana, confesso que esta será uma boa oportunidade para te desprenderes da ficção ocidental – que, a meu ver, tende a tornar-se gradualmente saturada de clichês para adolescentes. Kim Soo Hyun interpreta Moon Gang-tae, um enfermeiro de 30 anos que vive com o seu irmão mais velho, Sang-tae, que sofre de autismo. Gang-tae não conseguiu desenvolver quaisquer relações interpessoais enquanto…

  • 7ª Arte

    O regresso de “As Bruxas de Roald Dahl”

    “The Witches” ou “As Bruxas” estreou há quase um mês, no dia 29 de outubro, e ainda se encontra nos cinemas. É a adaptação do livro de Roald Dahl que dá nome ao filme, mas com um toque mais humorístico e juvenil proveniente do próprio realizador Robert Zemeckis. Este filme conta com a presença de Anne Hathaway e Octavia Spencer como estrelas principais. (Poderá conter spoilers – 2 parágrafos seguintes) A história é contada através de uma retrospeção, onde o nosso protagonista, uma criança órfã, conta a experiência de como foi mudar-se para a casa da sua avó e viver aventuras, digamos, mágicas. Por entre eventos e peripécias, este acaba…

  • Moda e Lifestyle

    8 dicas para sobreviveres às aulas online

    Devido à pandemia, desde março que estamos a passar por mudanças em vários aspetos, incluindo, claro, o ensino. Precisámos de adaptar a educação à nossa nova realidade, passando a ter aulas à distância. Passados 8 meses, as dificuldades do ensino à distância continuam e a grande questão é: como sobreviver às aulas online? Aqui vais encontrar dicas para te ajudarem a continuar a obter bons resultados. 1 – Cria um cantinho destinado ao estudo Como agora temos grande parte das nossas aulas online, é importante termos o nosso espacinho fixo para estudar. Eu sei que é tentador ficares deitado na tua cama, embrulhado numa daquelas mantas mesmo fofas, mas isso…

  • 7ª Arte

    O mundo sonoro de David Lynch

    Seja em registo de pintor ou cineasta, é possível que já tenhamos ouvido falar de David Lynch, através de um discurso familiar que nos avisou que se tratava de “um criador de aberrações” ou por termos descoberto O Diário Secreto de Laura Palmer abandonado na casa do nosso avô, quando tínhamos apenas quinze anos. Conhecido pela sua cinematografia surrealista e equilíbrio do real com o sonho, David, com 74 anos, conta já com o seu apelido anotado no dicionário dos amantes de cinema, tal como é o caso de Kafka ou Fernando Pessoa na Literatura. Algo que intriga o público habitual de Lynch ou qualquer espetador curioso que se cruze…

  • 7ª Arte

    “Os 7 de Chicago”: Um retrato do passado para os dias de hoje

    De uma maneira muito superficial, Os 7 de Chicago pode ser descrito apenas como um filme que denuncia as corruptas instituições norte-americanas no ano de 1968. Isto porque retrata a história do julgamento enviesado de sete homens ditos responsáveis por um grande protesto a favor do fim da Guerra do Vietname em Chicago, que acabou com confrontos diretos com a polícia, alguns mortos e muitos gravemente feridos. Entretanto, esta visão simplista e tradicional tira toda a profundidade da produção escrita e dirigida por Aaron Sorkin. O filme recente da Netflix, que possui uma pontuação de 7,9 no IMDb, proporciona ao espetador uma experiência sensorial completa, explorando desde a frustração até…

  • 7ª Arte

    “All the Bright Places”: muito mais do que uma história de amor

    Dirigido por Brett Haley e baseado no romance de mesmo nome de Jennifer Niven, “All the Bright Places” conta com Elle Fanning e Justice Smith como atores principais, tendo estes tido uma interpretação brilhante. Chegou à Netflix dia 28 de fevereiro de 2020 e não deixou ninguém indiferente. Com uma trama que transcende o típico filme romântico, conta-nos muito mais do que a história de amor de Violet e Theodore Finch. A história desenrola-se em Bartlett, Indiana, local onde residem os dois adolescentes. Violet e Finch não se conhecem em circunstâncias normais: numa gélida manhã, onde ambos quase cometem uma fatalidade. Ao fazerem par num trabalho escolar, visitam os locais…

  • Opinião

    First world problems e uma sociedade consumista

    Inicialmente, pensei em escrever um artigo repleto de dados assustadores que pudessem retratar o atual flagelo da economia portuguesa ou de frases motivacionais que mudassem a perspetiva de algumas pessoas face aos seus first world problems. A verdade é que me apercebi, após um curto período de reflexão, de que o tema “economia” não é, definitivamente, o meu forte e de que também não sei ser agradável o suficiente para proferir palavras acolhedoras em momentos de stress.  Posto isto, penso que seja melhor resumir-me ao ser pequenina como sou e afundar-me nos problemas e angústias que me tiram o sono à noite. Sim, porque isto de andar a juntar dinheiro…

  • 7ª Arte

    “LEVIANO”: Um filme que encanta a vista, mas que não enche o coração

    Visualmente falando, “Leviano” é um trabalho notável. No que à banda sonora diz respeito, esta é dotada de um bom gosto tremendo. Já no que toca ao conteúdo, é demasiado oco. A primeira longa-metragem do realizador Justin Amorim convida-nos a mergulhar na problemática da história da família Paixão – composta pela mãe Anita (Anabela Teixeira) e pelas suas filhas Adelaide (Diana Marquês Gomes), Júlia (Mikaela Lupu) e Carolina (Alba Baptista). «Não vais vestir preto?» é a primeira frase que ouvimos em “Leviano” e aquela que mais informação revela. Ainda que de forma inconsciente, associamos a cor preta à ideia de morte ou de tragédia. E, de facto, acertamos na muche.…