• Capital

    A Arte à margem da Capital

    No dia 7 de abril, a ADAO – Associação Desenvolvimento de Artes e Ofícios – , no Barreiro, abriu as portas ao público para o seu Open Day. Num dia repleto de arte, o evento contou com músicos, DJs, performers, escultores, pintores, fotógrafos e muito mais. Instalada num antigo quartel de bombeiros que pertencia à CP – a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste – esta associação nasceu em 2015, da ideia de três amigos ligados ao mundo artístico: Luís Guerreiro, Ricardo Manso “Tota” e João Paulino. Desde então, a ADAO cresceu exponencialmente e os seus 3200 metros quadrados são agora a casa…

  • Artes Visuais e Performativas

    Leonel Neves, «o senhor das artes e dos ofícios»

    Estamos numa quinta. O grande portão verde abre-se de forma quase automática, fazendo ecoar um som que se assemelha ao ranger dos dentes de uma criança. O espaço é amplo e frio, mas as paredes são preenchidas por pequenas prateleiras, encaixadas lado a lado, que suportam as imensas ferramentas. Ouve-se música clássica. No centro, a raiz de uma árvore transformada em escultura. Ao lado, um homem sentado numa cadeira de baloiço: é Leonel Neves, o artista da madeira, do ferro e da pedra. De sorriso difícil e filosofia complexa, Leonel movimenta-se na estrutura de ferro que o próprio criou há meses. Apresenta-se como «o senhor das artes e dos ofícios».…

  • Artes Visuais e Performativas,  Secções

    Abram as cortinas: hoje é Dia Mundial do Teatro

    Não sou particularmente fã da celebração deste tipo de dias. Acho sempre que eles servem mais como uma estratégia comercial do que para qualquer outra coisa. Ainda assim, devo confessar que este é um dia que eu considero ser especial. Não que para mim o dia do teatro não seja todos os dias, porque todos os dias são dias de fazer e ver teatro. Todos os dias são dias de celebrar aqueles que nascem e morrem em palco em cada atuação. Todos os dias são dias de celebrar qualquer arte, uma vez que sem ela seríamos todos tão mais pobres de espírito. É verdade que, de entre todas as formas…

  • Opinião,  Secções

    Uma chávena de cultura e uma lição de história

    And now for something completely different: No início do século XX, pairava na cidade de Lisboa um cheiro a mudança: cisões, dissidências e a génese de novas forças partidárias, maquinações e encontros entre republicanos revolucionários, a ascensão de João Franco (que prometia “governar à inglesa”), os climáticos assassinatos às figuras regentes, e muitas outras premonições. A esfera política sofria de uma instabilidade sem precedentes. A paisagem cultural era abalada por protestos acérrimos ao tradicionalismo artístico. Semeavam-se os ventos de mudança. Havia ainda um outro cheiro que cobria a capital: um olor a grãos moídos oriundos das ex-colónias além-mar. O faro, não só lisboeta, mas também Europeu, esforçava-se, à época, para…

  • Artes Visuais e Performativas

    E tu, o que é que sempre quiseste ser?

    João Porfírio e Catarina Fernandes, naturais de Portimão, criaram o projecto “Sempre Quis Ser”, uma exposição que começou no metro do Cais do Sodré e já correu meio mundo, literalmente. 10 fotografias de 10 sem-abrigo que surpresas podem trazer? Há pessoas e pessoas e mais pessoas. Mas há algumas, no meio dessas tantas, que inspiram. Inspiram a quê? A ser, simplesmente. A ser aquilo que sempre quisemos ser. E a não desistir. João Porfírio e Catarina Fernandes, dois jovens algarvios, que, com apenas 20 anos, já levaram, através da exposição “Sempre Quis Ser”, o nome e a realidade de Portugal ao Brasil e quem sabe até a mais países. A…

  • Artes Visuais e Performativas

    Agenda Cultural – Artes visuais

    Eis aquilo que a tua magazine sugere que não percas em Abril: Até dia 30 de Abril não percas a exposição de José Meco, “Azulejos Ratton (1987-2015)”, na Galeria Ratton Cerâmicas, cheia de singularidades da azulejaria portuguesa! Até dia 26 deste mês, visita a exposição de fotografia intitulada “through the pale dawn”, da autoria de Carlos Lobo, que retrata ” a estranheza e singularidade da paisagem natural e humana da Coreia do Norte” no Museu da Electricidade. Não percas a estreia da peça “Três Parábolas da Possessão” na Sala Estúdio do Teatro Nacional Dona Maria II, em cena de 2 a 26 de Abril. Até ao dia 5 de Abril…

  • Artes Visuais e Performativas

    Para começar a fotografar

    Experimenta aqueles botões que a máquina tem mas onde nunca tocaste   Hoje em dia, as máquinas fotográficas, quer compactas quer reflex, possuem o modo manual. Por modo manual (M) entende-se o programa que define os valores de abertura do diafragma – conhecido por número f, que varia entre 1 e 22 -, a velocidade do obturador ou tempo de exposição, que varia entre 1/4000s e 30s e o ISO – de 100 até 12 000 (ou mais). Uma boa fotografia depende da combinação destes três factores e estes dependem da luz existente. Como se chega à fórmula perfeita? Experimentando. Fazendo inúmeras tentativas com valores diferentes. É um longo percurso…

  • Artes Visuais e Performativas

    Agenda Cultural

    Se andas perdido entre tantas exposições e peças de teatro, ou simplesmente não sabes o que visitar, a tua Magazine diz-te aquilo que não podes perder em Março: Até dia 28 de Março, no Museu da Electricidade, em Belém, a exposição de Almada Negreiros, intitulada “O que nunca ninguém soube que houve (desenho, pintura, livros de artista)”; Até dia 19 de Abril, na fundação Calouste Gulbenkian, na galeria de exposições temporárias, “Modernidades: Fotografia Brasileira (1940-1964)”, com fotografias de José Medeiros, Thomaz Farkas, Marcel Gautherot, e Hans Günter Flieg, do Instituto Moreira Salles. No dia 7 de Março, aproveita o workshop de fotografia de rua com João Fotonic, na Casa do…

  • Artes Visuais e Performativas

    A perna esquerda de Tchaikovsky

    Quando cheguei ao Teatro Camões, estava à espera de ver mais do mesmo. No entanto, rapidamente troquei de ideias: este é um bailado absolutamente fora do normal: não há um conjunto de variações do início ao fim do espectáculo, nem tão pouco entradas e saídas de bailarinas pálidas e vestidas com tutus e sapatilhas de ponta. Há uma história, a de Barbora Hruskova, contada na primeira pessoa e na companhia do pianista Mário Laginha. Quando era pequena, Hruskova queria dançar. Embora os pais lhe dissessem que não tinha jeito nem corpo para tal, após anos de treino, lá conseguiu fazer com que os seus ombros não tocassem as orelhas, que…

  • Artes Visuais e Performativas

    But if you stay?

    Quem ainda acha que a dança não exalta a história de cada um de nós, nunca dançou. Nunca se atreveu a contar a sua história em cima de um palco ou a dar corpo a uma história por meio de terceiros. Isto foi o que Xiamen Barbosa fez. Uma coreógrafa já com alguns anos de experiência e que, actualmente, dá aulas na Academia de Dança Prof.ª Paula Manso, em Alverca do Ribatejo. Numa breve introdução, a coreógrafa, emocionada pelo trabalho realizado e ainda mais por celebrar o seu aniversário, confessou que a sua maior inspiração para esta criação foi o facto de voltarmos sempre ao local onde pertencemos e de…