• Grande Reportagem

    O Mundo Que Só Eu Leio

    O Braille é um sistema de escrita e leitura que existe há quase dois séculos. Ao longo do tempo, foi ganhando novas formas e novos acessos. O braille em papel, método tradicional de leitura para deficientes invisuais, sobrevive à era tecnológica. “H oje em dia está a abandonar-se muito o braille à conta das tecnologias, o que é compreensível. O braille, em termos de arrumação, ocupa muito espaço. Um livro vosso [normovisuais] são 20 volumes ou mais em braille, o que custa arrumar.” Cati de Matos Ramos, tem 42 anos e nasceu com deficiência visual. Há 7 anos, perdeu a visão total. O sistema braille foi criado pelo francês Louis…

  • Opinião

    Uma espécie de código de conduta personalizado

    Olá! Como estão? O meu nome é João e tenho 19 anos. Eis alguns dos meus hobbies: gosto de comer croissants de chocolate, de me colocar em situações embaraçosas, de contemplar o vazio da minha e da vossa existência. Também gosto de escrever sobre muita coisa e de dar a minha opinião em relação a muita coisa – quando tenho vontade, o que não acontece muitas vezes – e foi, talvez, por isso que me convidaram para fazer parte da secção de opinião da ESCS MAGAZINE. Numa espécie de artigo 0, comprometo-me a elaborar algumas regras pessoais pelas quais me vou reger durante este período de expressão, para além do…

  • Literatura,  Secções

    Quem tem unhas é que escreve

    Desenhador de palavras sobre Alves Redol Longas jornas de trabalho debaixo do sol quente, trabalhadores agrícolas famintos, desorganizados e explorados. Uma luta entre mentalidades desiguais. Pobreza material mas também de espírito. Estas são as linhas principais do romance “Gaibéus”, de Alves Redol. O escritor neo-realista dotado de um espírito jornalístico chegou mesmo a viver junto de quem trabalhava nos arrozais das Lezírias, nos campos ribatejanos, aproveitando para preencher blocos de notas sobre o quotidiano dos trabalhadores. “À memória de Venâncio Alves e João Redol, ao ferreiro e ao campino” pode ler-se nas primeiras páginas de “Gaibéus”, publicado em 1939. O primeiro livro do escritor foi um marco na história da…

  • Opinião,  Secções

    E se as palavras não vêm?

    De vez em quando, mais do que eu gostaria, tenho um pequeno problema em escrever. A inspiração não vem quando queremos e, pior do que isso, as palavras não vêm quando queremos. A verdade é mesmo essa: as palavras não vêm quando queremos. E isso é uma chatice! Há dezenas e dezenas de dicas e ideias sobre como lidar com bloqueios criativos ou sobre como enfrentar páginas em branco, etc., etc., mas nenhuma destas dicas se aplica ao caso de eu, por vezes, não saber o que escrever. Eu sei, eu sei: é um choque saber que eu nem sempre sei o que escrever! Mas é a verdade. As palavras…

  • Opinião,  Secções

    A importância de falar bem Português

    Não é segredo para ninguém que a Língua Portuguesa é chacinada diariamente pelos seus utilizadores. Temos os “há-des cá vir”, os “à séria!”, os “eu não me acredito”. No entanto, estas, apesar de serem expressões erradas, não nos induzem em erro. Sabemos exactamente o que a pessoa pretende dizer. Há outros erros, porém, que não dizem exactamente aquilo que a pessoa quer – em alguns casos, dizem até o contrário. O primeiro caso de que vou falar não é muito problemático: meio-dia e meio. Dificilmente alguém se sentirá confundido com o seu significado. No entanto, quando pensamos bem na expressão e a analisamos, concluímos que não é assim tão simples.…

  • Literatura,  Secções

    Mein Kampf- A Minha luta e a Nossa luta

    Todos nós estamos familiarizados com a expressão “A caneta é mais poderosa que a espada”. É uma verdade que muitos de nós aceitam e reconhecem pelos inúmeros exemplos que a história nos tem vindo a mostrar. Jornalistas, escritores, compositores, muitos têm sido aqueles que usam a escrita como uma arma violenta, mas não mortal; dura, mas justa. É uma questão de orgulho civilizacional, poder dizer que a diplomacia e o diálogo são superiores à força das armas e que o ser humano já se encontra noutro patamar evolutivo. Mas o que acontece quando a palavra escrita, aquela que deveria manter a espada na bainha, só serve para a afiar? A…

  • Opinião,  Secções

    A resposta está no nome

    Eu sei, está tudo farto de ouvir falar no novo acordo. É a língua a evoluir, não há nada a fazer, e por aí fora. Mas aqui fica um grito aos céus de quem ainda estremece quando lê “ação”. Os motivos do acordo – os oficiais, pelo menos – são uma coisa que me magoa. Cada país tem direito à sua identidade e a língua é uma das suas marcas mais importantes, mesmo se for comum a vários países: porque é diferente, no ritmo, em vocabulário, em subtilezas da grafia; em pormenores, no fundo, mas pormenores que a tornam especial, única, nossa. É por isso que, apesar de sabermos que…

  • Opinião

    Dicas de etiqueta do e-mail (parte 2)

    O prometido é devido. Por isso, aqui está a segunda parte do artigo “Dicas de etiqueta do e-mail”.   Ilustração de Rute Cotrim Ler (ou reler) a primeira parte, aqui.   3. As formalidades   3.1. Cumprimentos e despedidas   Se no nosso dia-a-dia cumprimentamos as pessoas com Bom dia, Boa tarde, Boa noite ou simplesmente Olá – dependendo do grau de formalidade –, por que motivo, no e-mail, haveremos de o fazer de forma diferente? O e-mail não é uma carta, é apenas uma representação virtual desta. Por isso, não faz sentido começarmos um e-mail com Excelentíssimo Senhor Doutor Professor… Mediante a cerimónia que o trato nos exija, proponho…

  • Literatura

    Entrevista: Mary Simses

    Da pequena localidade de Darien, no estado do Connecticut, EUA, Mary Simses passou a ser uma autora reconhecida um pouco por todo o mundo. O seu primeiro livro, The Irresistible Blueberry Bakeshop & Café, já está à venda em vários países. Enquanto o livro não chega a Portugal, a ESCS MAGAZINE dá-te a conhecer um pouco mais da autora que trocou o Jornalismo pelo Direito e se tornou escritora. O que lhe deu a ideia de The Irresistible Blueberry Bakeshop & Café? A ideia para o livro veio de algo que ouvi na rádio. Uma mulher contou uma história sobre a sua avó que tinha morrido e sobre como, pouco…

  • Artes Visuais e Performativas

    O Periélio na ESCS

    Para quem não sabe, entre os dias 24 de Fevereiro e 6 de Março, esteve na Escola Superior de Comunicação Social a exposição do Periélio – o sonho de Ícaro de toda a humanidade. Mas, com um nome tão estranho, que exposição será esta? O Periélio é um blogue de literatura que conta com nove escritores e do qual eu faço parte. Todas as semanas damos asas à nossa imaginação e fazemos com que nasçam histórias mais ou menos bonitas, mas sempre ao nosso estilo. Por comemorarmos um ano de existência, achámos por bem mostrar uma pequenina amostra dos nossos mais de 365 textos. O nome do blogue é também…