• Literatura

    Desenhador de Palavras

    Fernando António Nogueira Pessoa, nascido a 13 de junho de 1888, é o maior artista da história do nosso país. Poeta, ensaísta, publicitário, tradutor, filósofo, místico, Pessoa criava a arte em tudo aquilo que fazia, mesmo em si próprio. Não lhe bastou a arte da escrita e do texto e por isso teve de inventar a arte da pessoa e da personalidade, criando outros “eus”. É esta a admirável qualidade de Fernando Pessoa, o poeta, e de Fernando Pessoa, invólucro de outras personalidades. A biografia de Pessoa é interessante e algo extensa mas, por muito interessante que seja, nunca será o foco quando se fala do poeta e ele próprio…

  • Literatura,  Secções

    Meses Temáticos – Março de 2017

    Nunca é tarde para relembrarmos os nossos autores preferidos. Seja porque lemos livros deles todos os dias ou porque quando pensamos em comprar algum livro vamos logo à estante do nosso autor preferido para ver as suas novidades. Como tal, a secção de Literatura reuniu e escreveu sobre os autores prediletos de cada um. Desde português, a inglês e francês, temos autores diversificados, com características específicas, as quais nos fazem gostar tanto deles e da sua escrita. Espreita este artigo e descobre se um dos teus autores de eleição é também um dos nossos! Madalena Rodrigues – José Saramago José de Sousa Saramago é, de entre muitos, um dos meus…

  • Literatura

    As Moradas de Pessoa em Lisboa

    Da urgência do pensamento que exigia ser transposto para o papel ao defeito de uma inclinação própria para a desorganização, motivos para que a obra pessoana não estivesse completamente organizada na arca aquando da morte de Pessoa não faltaram. E, é claro, as suas sucessivas mudanças de morada foram, certamente, um desses motivos. Com a família ou em quartos alugados, nos vários anos em que o poeta viveu na Lisboa onde nasceu, e de onde via quanto da terra se pode ver do Universo, foram muitas as ruas onde habitou. Por apenas alguns meses ou por vários anos, estas foram as casas de várias cores de Fernando Pessoa, o poeta…

  • Artes Visuais e Performativas,  Secções

    Nem a morte os separa

    Fernando Pessoa morreu e esqueceu-se de levar consigo Ricardo Reis. Pouco depois da morte do mestre modernista, um rapaz de 17 anos conheceu um médico poeta na biblioteca da escola industrial. O tempo também levou este rapaz. No entanto, o tempo trouxe-os a todos de volta. O encontro acontece no palco do teatro A Barraca de quinta a domingo. Baseado no livro que José Saramago publicou não aos 17 mas aos 62 anos, 1936: O Ano da Morte de Ricardo Reis é um espetáculo sobre o último ano de vida de um dos mais conhecidos heterónimos pessoanos. A peça conta os principais acontecimentos históricos nacionais e internacionais do ano de…

  • Artes Visuais e Performativas,  Secções

    Lisboa pelas palavras de Pessoa e pelas mãos de Linhares

    Ouve-se o fado nas ruas de Alfama, abranda-se o passo na Estrela e deixa-se o elétrico 28 passar. Observam-se os monumentos antigos e a pedra da calçada que teima em chamar a atenção. Sente-se o cheiro a maresia. Estamos em Lisboa e há tanto para visitar. Lisboa – O que o Turista Deve Ver é um guia de Lisboa escrito por Fernando Pessoa, em 1925. Os desenhos que ilustram a obra são da autoria de Mário Linhares e podem ser vistos, até ao dia 3 de abril, na galeria do segundo piso do Museu dos Coches. «A cidade, para o viajante que chega por mar, parece à distância uma visão…

  • Opinião,  Secções

    Uma chávena de cultura e uma lição de história

    And now for something completely different: No início do século XX, pairava na cidade de Lisboa um cheiro a mudança: cisões, dissidências e a génese de novas forças partidárias, maquinações e encontros entre republicanos revolucionários, a ascensão de João Franco (que prometia “governar à inglesa”), os climáticos assassinatos às figuras regentes, e muitas outras premonições. A esfera política sofria de uma instabilidade sem precedentes. A paisagem cultural era abalada por protestos acérrimos ao tradicionalismo artístico. Semeavam-se os ventos de mudança. Havia ainda um outro cheiro que cobria a capital: um olor a grãos moídos oriundos das ex-colónias além-mar. O faro, não só lisboeta, mas também Europeu, esforçava-se, à época, para…

  • Opinião,  Secções

    “Mas não há sossego – ah, nem o haverá nunca!”

    *Esta crónica encontra-se no seguimento da seguinte crónica: Haja dó do pobre Pessoa Recomenda-se a leitura ou releitura da crónica acima assinalada para a compreensão da apresentada em seguida. Obrigada.* Um certo cronista do site P3 do jornal Público decidiu no passado dia 3 de novembro colocar mais uma pedrinha no caminho de Fernando Pessoa. Por esta altura, deduzo que o poeta já pudesse ter reunido pedras suficientes para construir uma réplica de Windsor à escala real. É uma pena que, mesmo que estivesse vivo, “o pobre Pessoa” não tivesse otimismo para se lembrar de construir um castelo. E, ainda que tivesse abusado do seu adorado bagaço, é garantido que…

  • Capital

    Uma cidade de escritores

    O Romantismo no Chiado. Que Portugal é um país de poetas e escritores ninguém duvida! Mesmo no meio de Lisboa, no Chiado, encontra-se a “alma” de alguns dos maiores escritores portugueses. Mas tudo começa com o nome desta zona que é uma homenagem a um poeta do século XVI. António Ribeiro Chiado era um poeta jocoso e foi contemporâneo de Luís Vaz de Camões. Faleceu em Lisboa, em 1591. O Chiado é um dos bairros mais emblemáticos e tradicionais da cidade de Lisboa. Localiza-se entre o Bairro Alto e a Baixa Pombalina. Em 1856, com a criação do grémio literário, um clube dos intelectuais da época, o Chiado tornou-se o…

  • Literatura

    Os vícios do ofício da escrita de Pessoa e seus Heterónimos

    “As Flores do Mal – absinto, ópio, tabaco e outros fumos” é um volume único, que reúne textos do ortónimo e seus heterónimos sobre os seus vícios. Através da editora Guerra&Paz, Pedro Norton oferece 51 fotografias exclusivas que ilustram estes pequenos excertos de loucura e vícios. “Pouco nos interessa saber se Fernando Pessoa se embebedava, afundava no ópio ou se espetou alguma agulha morfinómana no delicado braço. Neste livro o que conta é a forma como os vícios, as drogas americanas que entontecem, lhe iluminam a escrita. Este é um livro de vícios: pessoal e íntimo.” A capa é de madeira e trabalhada a laser. Cada livro é único e…