• Opinião

    Cisgénero, vegan, Non-binary e outras nomenclaturas

    Disclaimer sobre a crônica a seguir: alguns parágrafos refletem minha real opinião sobre o assunto, outras não. Algumas coisas serão ditas por serem meramente engraçadas (para mim) ou intencionalmente provocadoras. Enjoy! Era uma sexta-feira chuvosa. Estava com minha amiga Jéssica num restaurante a divagar sobre a vida, quando o atendente de mesa se aproxima e pergunta, com uma alegria no olhar de quem trabalha todos os dias nessa profissão tão gratificante, o que gostaríamos de comer. – Bom, eu não como carne ou derivados de animais. Há dois meses tornei-me vegan, então gostaria de alguma opção na ementa sem qualquer tipo de crueldade animal – respondeu Jéssica. Engraçado que o…

  • Literatura

    Rupi, Milk and Honey: Uma combinação sublime

    Poderíamos estar a falar de uma qualquer cura para a constipação, mas Milk and Honey trata de muito mais que isso. Visto habitualmente como uma coletânea de poemas sobre sobreviver à violência, ao abuso sexual e experienciar o amor, a perda e a feminilidade, Milk and Honey é o exorcizar dos demónios, a transposição dos sonhos e um grito de revolta da autora Rupi Kaur. Com versos crus que se entranham na nossa mente e ilustrações que os acompanham, criando uma harmonia quase inacreditável, este livro apresenta somente duas abelhas na capa. A simbologia subjacente a estes insetos aparentemente simples é tudo menos isso: imortalidade, ordem, diligência,  lealdade, cooperação, nobreza,…

  • Opinião,  Secções

    Matas-me o tempo?

    Escrevo-te agora. Se é tarde demais? Sim. Mas o homem pode errar mesmo que tenha sido 10 anos depois do tempo. És e serás o meu primeiro tudo. Agora dormes como nunca o antes fizeste, em paz. Os miúdos estão bem, não te preocupes. As paredes têm-me feito companhia, já conheço cada frecha, cada lacuna do tempo e do espaço. A mão já treme, também ela sabe que eu sem ti nunca encontro o chão, nunca estou seguro. Não posso estar. O Fernando lá me liga (parece que burro velho aprende mesmo novos truques) de mês em mês para combinar uma almoçarada. Parece que sem a mulher ganhou uma nova…

  • Literatura,  Secções

    És feliz. Eu sou forte.

    Destruíste-me. Obrigada. Hoje estás feliz… com ela. E eu ainda choro a dor de o sonho se ter desmoronado. Nunca acreditei em sonhos; a irrealidade transtorna-me, mas tu fizeste-me acreditar que era possível viver um sonho na vida real. Era tudo mentira. Foste a maior falácia viva da minha vida. Hoje és verdade, porque a dor e a tristeza são verdadeiras e porque o maior mentiroso do mundo acaba sempre por se revelar na mais dura verdade. As lágrimas são uma expressão de dor, mas também podem simbolizar a liberdade. Elas foram a minha companhia naqueles longos dias de tristeza e hoje ajudam-me a libertar de ti e de tudo…

  • Opinião,  Secções

    Cá dentro faz frio

    Acordaste-me. Despertaste-me do meu coma e isso não to perdoo. Estragaste-me a leitura. Mais, estragaste-me o cérebro e eu não sei como o arranjar. Cada vez que leio é a tua voz que oiço, o teu riso, pior… O teu desejo. E o meu. Tenho de parar de ler para não enlouquecer, resfriar os pensamentos. Respirar…As cenas de amor são as nossas, as minhas. Falo em voz alta para a minha voz estabelecer autoridade sob o clamor incessante dos meus pensamentos. Isto não é real. Mas o problema é que me sinto mais vivo quando me permito imaginar do que quando estou preso à realidade. O sonho é-me mais real…

  • 7ª Arte,  Secções

    Cine’Dicas: O Amor

    Está a chegar aquele dia do ano em que só se vê corações por todo o lado. Estou a falar do tão conhecido Dia dos Namorados. É celebrado a nível mundial e existe sempre uma imensa quantidade de programas para os casais no dia 14 de fevereiro. Para incluir nesses programas a dois, sugiro alguns filmes especialmente românticos. My Girl Não há nada mais bonito do que o amor entre duas crianças, pois é o mais verdadeiro que pode existir. Este filme, lançado em 1991, conta a história de uma menina, Vada (interpretado por Anna Chumsky), e a sua amizade vivida com Thomas (interpretado por Macaulay Culkin). Vada tem de…

  • Opinião,  Secções

    E quando o amor tem preço?

    Olá para ti que estás desse lado do vidro. Desculpa-me a indelicadeza de não me levantar, mas estou sem vontade. Sei que devia estar a fazer gracinhas. Tu ias rir-te e simpatizarias logo comigo. Depois, como todos os outros antes de ti, passarias por aquela porta e virias ver-me através deste outro vidro. Eu sempre deste lado, tu sempre do outro. Feito tonto, eu tentaria agradar-te ainda mais. Tu ias sorrir-me e chamar-me “fofinho”, “coisa fofa”, ou algo do género. Então, dirigir-te-ias à rapariga que está agora atrás do balcão, e que tem sido a minha única amiga desde há muito tempo, e perguntar-lhe-ias meia dúzia de coisas que eu…

  • Opinião,  Secções

    Egocentrismo amoroso

    Não quero ter filhos. O próprio conceito de paternidade assusta-me tremendamente: o fardo de ter de moldar o futuro de um recém-nascido, o dispêndio temporal e a subsequente destruição dos meus (ou nossos, dependendo do grau de divórcio) tempos livres e a pressão social intrinsecamente relacionada com os comentariozinhos do tipo “se ele fosse o meu filho, eu…”. Que dor de cabeça! Já tenho doenças mentais que cheguem! A minha ansiedade patológica ia gritar por piedade. Para dizer a verdade, é mais egoísmo do que outra coisa. Adoro estar sozinho. Não no sentido de me sentir só, mas no de ter o meu espaço, o meu silêncio. Todas as relações…

  • Opinião,  Secções

    Respeito hereditário

    Artigo escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico Uma das oposições mais violentas que tenho à religião organizada é a sua fé no dogmatismo. Ao invés das ciências ditas exatas, ou até das ciências sociais ou da filosofia, o sistema de crenças religioso baseia-se na verdade absoluta. Encadeada, irrefutável, eterna. Impermeável a estímulos externos, a novas descobertas nas áreas do conhecimento humano, ou a novas correntes de pensamento. Não obstante, não é só no reino de Deus que se fala de dogmatismo. Há construções sociais que aceitamos passivamente. Contractos invisíveis que permitem que vivamos em sociedade. Hipocrisias, traduzindo as prévias orações para a minha opinião. Há um campo em específico…

  • Opinião

    Amor em Pó

    Sem dúvida alguma que não há nada mais santo do que o amor. Em Fevereiro, o S.Valentim enfeitiça dois indivíduos (discriminemos o poliamor) e em Junho aparece o Santo António e casa-os entre sardinhas e manjericos. Eu não sei quanto a vocês, mas eu acho que isto é andar depressa demais. Só devia haver dia de Santo António pelo menos dois anos depois de cada S.Valentim. Isto assim é uma espécie de speed dating santo. Se era suposto um santo ter o seu dia no dia dos namorados, ajudava que esse não fosse o Valentim. E não proponho como alternativa que se passe a chamar dia de S.Major. Era bom…